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Lá está o ladrão. Você está vendo ele. Você ativou a câmera de forma remota, e tem não apenas a foto do bandido, mas a localização aproximada do dispositivo. Você pode apagar os dados e bloquear o smartphone – e seguir em frente com sua vida -, ou pode recuperá-lo. Se arriscar e, talvez, perder algo mais que um smartphone.

Os aplicativos e serviços que podem recuperar o smartphone em caso de perda ou roubo se transformou em algo muito útil, mas no segundo caso. Se você pensa em enfrentar o ladrão para recuperar o dispositivo, pense duas vezes antes de fazê-lo.

Um recente artigo publicado no The New York Times relata a experiência de vários usuários de smartphones que tentaram recuperar os seus dispositivos depois de serem roubados. Os próprios usuários destacam que o recurso de localização remota os permitiam fazer alguma coisa quando a polícia não podia (ou não queria) fazer nada.

O problema está na conversão em detetive ou justiceiro por conta própria, e isso pode gerar consequências graves. As autoridades começam a ficar preocupadas, pois as pessoas começam a se colocar em perigo, “correndo riscos desproporcionais por algo que pode ser substituído facilmente”.

George Gastón, fiscal do distrito de San Francisco (EUA), explica:

Este é um novo fenômeno. Não se trata apenas de correr atrás da pessoa para recuperar o telefone. Dá a oportunidade da pessoa fazer justiça por conta própria, e isso pode colocá-lo em problemas muito sérios quando vão a lugares que não deveriam ir.

Os casos são diversos, e eventualmente alguns proprietários conseguem recuperar os seus dispositivos. Já em outros, os resultados foram realmente muito ruins, como brigas com ferimentos, e até casos de um usuário que acabou agredindo um homem inocente, que supostamente estaria com o seu smartphone.

Melhor não arriscar…

Esse tipo de incidente é cada vez mais frequente nos Estados Unidos. Aqui no Brasil então… nem se fala. Não vamos aqui discutir as políticas de segurança pública nos diferentes estados brasileiros e questões sócio-econômicas que levam um alheio a não respeitar o direito de outra pessoa em comprar e usar um produto fruto do seu trabalho e esforço. Este não é o espaço adequado e não é o tema dessa postagem.

Fato é que a recuperação de um smartphone perdido ou furtado é uma tarefa complexa, e o mais recomendado – por mais absurdo que isso pareça para muitos – é tratar de “convencer” as autoridades a nos ajudar na recuperação do dispositivo. Porém, essa é uma tarefa praticamente impossível, pois já conhecemos como trabalha a nossa polícia e, deixando qualquer incompetência ou descaso de lado, convenhamos: a polícia (na teoria) tem mais o que fazer.

Sem falar que, em muitos casos, o processo para iniciar uma busca ao dispositivo móvel pode ser algo demorado o suficiente para que o dispositivo tome outros rumos.

Esse é o motivo que várias empresas passaram a colocar em seus smartphones os chamados “kill switch” (algo como “interruptores da morte”), que permite ao usuário ao menos o direito de transformar o seu dispositivo roubado em um peso de papel para o bandido, de forma remota. Isso pode eventualmente desestimular os bandidos no roubo de smarphones, uma vez que a própria vítima pode inutilizá-lo remotamente.

Esses sistemas podem evitar boa parte do problema. Pode até ser que os smartphones sejam para muitas pessoas dispositivos especialmente valiosos – não tanto pelo seu valor econômico, que em alguns casos é muito elevado, mas sim pelos dados armazenados no dispositivo – e eu respeito isso. Mas… realmente são tão valiosos assim?

Não minha opinião, é apenas um smartphone. Não vale a pena perder a sua vida por causa disso.

Via The New York Times