A Apple teve uma de suas tardes mais interessantes, com o seu último keynote de 2012, com pelo menos cinco novos produtos de hardware. Novas versões do Mac Mini, um novo MacBook Pro Retina de 13 polegadas, os novos iMac e o tão esperado iPad Mini figuraram entre as novidades. Porém, o que pegou todo mundo de surpresa foi o anúncio de um iPad de quarta geração, algo que não foi mencionado em nenhum site, e escapou de todos os rumores possíveis, deixando muitos boquiabertos e alguns revoltados.

O fato é que aquele que antes era conhecido como “Novo iPad”, e que agora passa a ser chamado de iPad de terceira geração (e que, é sempre bom lembrar, foi oficialmente descontinuado pela Apple), foi apresentado ainda em março de 2012, ou seja, a Apple simplesmente descontinuou a versão antiga do seu tablet com apenas sete meses de seu lançamento. E muitos dos seus proprietários não estão muito contentes com isso.

Mas agora já está feito, e o que importa mesmo é que fica a pergunta: vale a pena trocar o seu iPad atual pelo modelo de quarta geração? A resposta mais simples, objetiva, direta e até cretina é: “depende”. A seguir, vamos tentar descobrir em qual caso vale a pena a troca, ou não.

 

Por que não vale a pena a troca?

Para começar, vamos estudar a seguinte situação: você é um usuário do iPad de terceira geração, com 64 GB de armazenamento desde maio de 2012, e até agora você viveu em um mundo de plena felicidade e satisfação com o seu dispositivo, principalmente graças à tela Retina que o produto possui. E este é, talvez, o ponto mais importante para que você evite a atualização. Se você medir a situação pela experiência de uso pura e simples, as mudanças de hardware encontradas no iPad apresentado nessa semana não serão significativas a ponto de você não conseguir fazer com o seu iPad atual o que o novo iPad faria.

Se fizermos essa análise comparativa entre o iPad 2 e o iPad 3, aí sim, esse salto é maior. A tela, que foi a mudança mais drástica, foi o item que mais atraiu os usuários no lançamento do iPad de terceira geração. No caso atual, a tela é a mesma, de modo que você não vai notar nenhuma diferença efetiva que justifique o investimento de mais uma boa quantia de dinheiro em apenas sete meses de intervalo. Além disso, pelo andar da carruagem, vai ser muito difícil que essa tela se modifique nos próximos anos, já que ela é muito boa para os propósitos da Apple.

Além disso, é importante levar em conta outros aspectos muito importantes. O novo processador A6X do iPad de quarta geração é muito mais rápido que o A5X presente no iPad de terceira geração, mas isso não quer dizer muita diferença no cenário atual dos dois produtos. Em termos bem simples, para a compreensão de todos: hoje em dia, não existe nenhum aplicativo ou uso por parte do usuário que explore por completo o potencial do novo processador da Apple.

Isso, sem falar que boa parte dos acessórios que você possui hoje vão ser doados ou jogados fora, já que o novo iPad usa a porta Lightining. Ou você espera um adaptador para tudo isso, ou comece a pensar em se livrar de tudo isso, pois vai ser inútil com o novo produto.

Mas, obviamente, a decisão final é sempre sua. Se você deseja atualizar para a versão mais recente do iPad, pode fazer isso com gosto. Até porque, a partir de agora, vamos contar as vantagens na troca do modelo velho para o modelo novo.

 

Por que vale a pena a troca?

O primeiro motivo? Justamente o Lightining, que citei agora a pouco como desvantagem. Irônico, não?

Com o lançamento do iPhone 5, a Apple introduziu a sua nova porta e conector para os seus dispositivos. A Lightining, que foi uma decisão muito criticada por muita gente, se prova uma solução bem lógica, uma vez que ele vem atualizado para as novas tecnologias de transmissão de dados, sendo mais rápido e menor. E outra coisa: o cabo de 30 pinos de mais de 10 anos de vida, ou seja, ficaria obsoleto nos próximos anos fatalmente.

Mas… o Lightining seria a única razão para a atualização? Evidente que não. O processador A6X mencionado acima, passa a ser mais um motivo para a troca se pensarmos em duas vertentes diferentes. A primeira, e mais lógica, é se você até hoje tem um iPad 2, a hora de trocar é agora. A diferença do processador A6X para o A5 é simplesmente monstruosa, e como já citei a questão da tela Retina, fica bem evidente que você está ficando bem para trás. A segunda vertente, e essa é mais técnica, é que o A6X já chega com uma grande vantagem em sua arquitetura, que permite um melhor gerenciamento de energia, oferecendo assim uma maior autonomia de bateria, algo que é muito necessário nos dias de hoje em um dispositivo móvel (apesar da Apple prometer uma autonomia de, pelo menos, 10 horas de uso).

Além disso, outros problemas previamente detectados no iPad de terceira geração foram corrigidos nessa nova versão, tais como o aquecimento que o tablet sofria na parte traseira, e a melhor parte (e que diretamente pode beneficiar os brasileiros): o iPad de quarta geração conta com uma maior compatibilidade com as redes 4G LTE do mundo (bom, se pelo menos funcionar com a primeira leva das redes 4G do Brasil, já está de bom tamanho). Essa é uma grande vantagem para os geeks que viajam ao redor do mundo.

 

Conclusões

Como disse lá atrás, a troca depende muito mais de você e de suas necessidades. No caso dos usuários do iPad 2, vale a pena repetir: a hora de trocar é agora. As diferenças são muito grandes. Aliás, eu penso que o iPad 2 é um tablet morto. Para mim, faria mais sentido manter o iPad de terceira geração no mercado, cobrando US$ 100 a menos. Já os proprietários do iPad 3 tem uma decisão difícil para tomar. Baseie-se nas suas necessidades de conexão às redes LTE para maior velocidade de navegação móvel, nas melhoras de autonomia e na nova porta Lightining, e tome a sua decisão.

É sempre bom lembrar que, nos Estados Unidos, para aqueles usuários que compraram o iPad de terceira geração nos últimos 14 dias, a troca pelo novo iPad é garantida. Uma loja Apple em San Francisco estende esse prazo para 30 dias, mas esta não é uma regra, e é sempre bom esperar um comunicado oficial da empresa de Cupertino para tomar uma decisão definitiva. E o mais importante para nós, brasileiros: não há nenhuma garantia que essa regra será adotada no Brasil. Afinal de contas, diferente de lá, quando o iPad de quarta geração começar a ser vendido por aqui, todo mundo já vai estar sabendo de sua existência, ou seja, não adianta comprar o antigo para depois trocar pelo novo. Você não foi pego de surpresa, certo?