“As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental”. Parece que, com o passar dos anos, essa regra também vale para os smartphones, principalmente depois de 2007 (e você sabe do que eu estou falando). Muita gente ainda escolhe um smartphone por causa da sua aparência externa, ou pela sua beleza de design. Mas… será que isso realmente é o mais importante na hora da aquisição de um novo smartphone? E se fosse?

Bom, antes de qualquer coisa, é bom começar esse post dizendo uma frase bem oportuna: “todos nós já fomos menos exigentes com essa estória de design”. Ok, nem todos que estão lendo esse post. Posso colocar na lista todo mundo que tem mais de 30 anos, pelo menos, ou todos aqueles que começaram a ter contato com os celulares na década de 1990. Digo isso porque, naquela época, o que importava era a gama de recursos oferecidos, ou sendo bem mais específico, se o celular consegue fazer e receber chamadas com eficiência e se, no máximo, ele conseguia enviar mensagens de texto.

Nos dias de hoje, muito se discute sobre o design de celulares e smartphones. Nas lojas de varejo, nas operadoras, nas rodas de amigos e nos tribunais. Muitos entendem que a grande revolução desse mercado aconteceu com o lançamento do iPhone. Não é bem assim. Existia um mundo antes disso mais simples, mais interessante, e onde as mudanças eram mais relevantes e significativas para corações de geeks mais puristas. É claro que hoje nós temos celulares e smartphones que combinam a eficiência com a beleza de design, mas para chegar a esse ponto, a curva de aprendizado foi longa, e o caminho foi bem árudo.

Mas vamos falar de beleza… Mas… beleza? Voltando 20 anos no tempo, qualquer coisa que eles apresentassem no mercado a gente achava bonito. E olha que tinha coisas horrorosas no mercado de celulares.

O Motorola Microtac (1989) é uma verdadeira lenda. É aquele que pode ser chamado de “o primeiro celular utilizável do mundo”, uma vez que os outros modelos eram praticamente blocos de concreto que ninguém conseguia utilizar. Além disso, era “muito mais leve” que os seus rivais (na época). O nosso amigo “tijolão” aqui no Brasil foi símbolo de status, quando médicos, políticos e fazendeiros começaram a sair por aí com esse celular gigante no bolso ou na cintura, mostrando ao mundo que “eu posso mais que você”.

O Nokia 2110 (1994) foi o primeiro celular “acessível” para a maioria dos mortais, e surpreendeu o mundo e consumidores com o seu tamanho bem mais reduzido, e um formato mais próximo dos telefones sem fio da época, que era algo que fazia muito sucesso naquela época. Foi um dos primeiros celulares que tive a chance de utilizar e desejar, nos meus inocentes 15 anos de idade. Mas, na época, achava o telefone simplesmente lindo. Fim da “era tijolão”, graças à Deus.

Esse aí é outro que fez muito sucesso na sua época. O Ericsson GA628 (1997), de forma surpreendente, vendeu muito bem com uma combinação simples de fatores: era compacto, era simples, podia ser personalizado, e era barato. Mas, veja bem: ele era quadrado, tinha uma antena enorme, seu display era muito pequeno, e o seu hardware era horroroso. Tão ruim, que esse era um dos aparelhos mais baratos da antiga operadora TESS (em São Paulo, BCP), que hoje é conhecida como Claro. Foi um dos meus primeiros celulares.

Durante anos, a Nokia lançou smartphones que marcaram época, com um design compacto, belas linhas, alta durabilidade na bateria, fácil navegação, e outros predicados. Um dos celulares que marcaram época nessa fase áurea de design da fabricante finlandesa foi o Nokia 3210 (1999), que foi um dos primeiros a contar com algo que é comum hoje em qualquer telefone móvel: a antena interna. Esse tipo de telefone foi referência para o mercado durante anos, não só por se diferenciar dos modelos da Ericsson e da Motorola, mas principalmente por combinar todos esses fatores que já listei. E sim, foi mais um modelo que na época entraram na lista dos “objetos de desejo”. Tem gente que até hoje acredita que o Nokia 3210 é melhor que o iPhone. Duvida? Veja o vídeo abaixo.

Por fim, quando a Motorola já estava em sua decadência no mercado, eles apresentaram a primeira versão do RAZR (2004), que se destacava por ter um design futurista e moderno, uma boa autonomia de bateria (para a sua gama de recursos oferecidos), e ainda por cima ser 30% mais fino que os seus concorrentes. Esse celular foi um objeto de desejo de muita gente, mesmo apresentando alguns problemas graves de hardware (vide o flip dele, que resultava em problemas na tela rapidamente). Mesmo assim, o primeiro RAZR, praticamente sozinho, fez com que a Motorola sobrevivesse mais dois anos no mercado, antes de cair no esquecimento por alguns anos.

O mais interessante no fenômeno RAZR é que foi justamente esse modelo que fez com que o usuário e o mercado como um todo finalmente despertassem para o design de um celular. Foi por causa do seu sucesso que outros fabricantes começaram a pensar em aparelhos com linhas mais belas e audaciosas, ou até mesmo apostassem no simpeles, como o iPhone (tela de fora a fora, com cantos arredondados e um único botão físico, na parte inferior da tela touchscreen). Mas antes disso, os usuários sofreram. Ou não, pois como disse lá em cima, nós éramos menos exigentes. Se o celular tivesse sinal de rede já estava ótimo.

Hoje, somos abençoados. O iPhone está aí, os modelos Samsung Galaxy são realmente muito bonitos, a Nokia tenta com os modelos Lumia se distanciarem dos concorrentes, e conseguem, com telefones muito atraentes visualmente falando, e os novos telefones com o BlackBerry 10 prometem ser menos caretas que os tradicionais BlackBerrys que temos no mercado (se bem que, durante anos, sonhei em ter um BlackBerry, e sou feliz por ter realizado esse sonho, mesmo que fosse por um ano). É ótimo ter uma competição mais focada nas linhas que os produtos podem oferecer nas suas especificações técnicas, mas sempre combinando isso com linhas atraentes.

Mesmo porque “beleza é fundamental”.