Hoje, a Apple é a oitava empresa mais importante do mundo (segundo a lista Global 2000 da Forbes), mas a primeira em três âmbitos: valor de mercado, valorização da marca e lucros (mesmo sendo a oitava em vendas).

Tim Cook deveria estar feliz com o que fez do legado de Steve Jobs: dobrou as receitas e lucros, além de triplicar o dinheiro em caixa.

Vendo apenas os números, fica evidente que Cook foi um CEO que cumpriu com sua principal responsabilidade: oferecer retorno econômico aos seus acionistas. Porém, nos últimos meses, começaram a comparar Cook com alguém que coincide (em partes) com sua trajetória.

Steve Ballmer.

 

O frutífero e perigoso curto prazo

 

 

Quando Bill Gates abandonou seu posto de CEO da Microsoft em favor de Steve Ballmer (janeiro de 2000), a Microsoft era a empresa de software mais importante do mundo.

Windows e Office dominavam o mercado, e nada parecia fazer frente aos segmentos tecnológicos que eram de seu interesse (na época). Apenas o Yahoo!, e uma ainda incipiente Google pareciam ser ameaças para o futuro.

Mas Ballmer nem se preocupava com isso.

Nos 14 anos seguintes, vimos Ballmer se perder nas grandes revoluções de sua era. Apostou em várias, mas não chamou atenção suficiente para competir.

Por isso, a Microsoft perdeu a batalha no segmento de buscas na internet, nos smartphones, nos conteúdos multimídia e na nuvem.

Curiosamente, perder essas batalhas não impediu que Ballmer fosse um CEO muito efetivo, quando olhamos apenas para os números.

Triplicou as vendas da Microsoft, e obteve lucros que passaram de US$ 9 bilhões para US$ 22 bilhões. Pelas suas mãos, várias divisões de sucesso nasceram (a Xbox como a principal delas).

Porém, o que fica claro depois desses anos de era Ballmer é que… ele nunca olhou a longo prazo.

 

 

Coook e a criticada falta de disrupções

 

 

Muitos criticam nesse momento a Apple e Tim Cook, um CEO que, como Ballmer, cumpriu sua missão econômica, mas que não o faz tão bem, pois não inova. E faz isso em um mercado que avança mais rápido do que a Apple pode (ou quer) acompanhar.

Os fãs afirmam que a Apple não inova mais. O iPhone é melhor do que nunca, o iPad se reinventou para ser mais produtivo, e o Apple Watch manda no seu segmento.

As melhoras relativas são tão ou mais importantes que as disruptivas. É o que muitos defendem, principalmente porque garantem que os produtos que mandam no mercado seguem sendo relevantes, reforçando as estratégias de produto das empresas que os lançam.

Por outro lado, as comparações são inevitáveis.

Steve Jobs revolucionou o mundo com iPod, iPhone e App Store, mas Cook tentou o mesmo e não teve o mesmo sucesso. A Apple sempre conseguiu reinventar um produto já criado, de formas que fazem todo o sentido, mas isso não aconteceu com o Apple Watch, o iPad Pro ou o Apple Music.

São produtos que não são tão diferentes a ponto de criar tendências. Na verdade, são mais do mesmo.

 

 

Todos estes produtos reforçam a estratégia da Apple, deixando o seu ecossistema mais amplo. Porém, provoca um efeito secundário perigoso: receitas e lucros mais e mais dependentes do iPhone, enquanto que as demais divisões perdem relevância.

A situação é a mesma já vista em outras oportunidades. Aparece o dilema do inovador, que clama com grandes mudanças, ao mesmo tempo que precisamos ficar atentos para possíveis disrupções.

Inteligência artificial ou um carro autônomo podem ser muito promissores, e mesmo investindo nisso, a Apple por enquanto só testemunha, com projetos secretos com alcance e progresso até agora desconhecidos.

 

 

Mudanças em Redmond: Nadella é o Jobs da Microsoft?

 

 

A Microsoft fez exatamente o contrário: passou a ter um CEO visionário, ou bem mais centrado na inovação, tentando transformar partes do seu negócio que não funcionavam ou ameaçados como algo produtivo.

A chegada de Satya Nadella mudou a Microsoft completamente, e sua estratégia Mobile First, Cloud First ataca os dois grandes protagonistas da tecnologia atual, mas sem descuidar de outros âmbitos.

A própria Microsoft reconhece o terreno perdido no mercado mobile, mas conta com algumas cartas na manga. O bom comportamento dos seus serviços na nuvem coincide com o surpreendente suporte de plataformas Open Source.

Nadella também aumentou a aposta de hardware da Microsoft e os promissores projetos na área de inteligência artificial.

Sem falar na transformação que o Windows 10 sofreu, se transformando em uma plataforma universal que vai amadurecer em muitos âmbitos (inclusive no mobile), mas que levou a ideia da convergência, se transformando em uma realidade palpável.

Outros projetos como o HoloLens e seu plano B de conquista do universo mobile (aplicativos e serviços em outras plataformas), mostram as grandes diferenças entre Nadella com Cook e Ballmer.

Por que? Simples: Nadella olha a longo prazo.

Pode até ser que comparar Nadella com Jobs seja algo exagerado, mas fato é que está mais do que evidente que o novo CEO da Microsoft tem uma visão muito diferente que a do seu predecessor, e a transformação da empresa é algo evidente.

A Microsoft está mudando para melhor, e se tem alguém para receber a “culpa” disso, esse alguém é Satya Nadella.