Quando paro para pensar, parece que foi mais tempo. Muita coisa aconteceu desde o dia 5 de outubro, quando o mundo recebeu a notícia sobre a morte de Steve Jobs. Eu me lembro que eu estava chegando em casa, depois de fazer as compras do mês de casa, fui até o computador e… todo mundo estava comentando sobre o mesmo assunto. Virei para a minha mulher, e simplesmente disse: “Steve Jobs morreu”.

Jobs sabia que iria falecer. Tanto, que nomeou Tim Cook como CEO poucas semanas antes. Na época, muito se especulou sobre como seria o futuro da Apple depois de Jobs, e que o que se esperava era um declínio natural da empresa, sem a liderança única de um dos mais relevantes executivos da história da tecnologia. Mas só se passou um ano, e os reflexos de Jobs ainda estão bem vivos na Apple, e isso deve perdurar por mais alguns anos. E na minha análise, Cook foi bem no seu primeiro ano à frente da empresa mais valiosa do mundo.

Um pouco antes de completar um ano como CEO da Apple, foi nas mãos de Tim Cook que a empresa de Cupertino alcançou o valor de mercado de US$ 621 bilhões, o que é um recorde no mercado. Nesse último ano, o volume de vendas de iPhones e iPads foram expressivos, mantendo a empresa líder no segmento de tablets, e a segunda maior vendedora de smartphones do mundo, perdendo apenas para a Samsung. Mas não foi só isso.

Cook, aos poucos, começa a mudar a filosofia interna da Apple, que lentamente deixa de ser aquela empresa 100% arrogante e prepotente em suas declarações, passando para um lado mais motivacional, fazendo com que os seus funcionários façam parte do time, e se envolvam ainda mais com o sucesso da empresa. Isso fica claro em alguns memorandos internos enviados pelo novo CEO em momentos específicos, onde ele se refere aos seus funcionários como “time”. Na “era Jobs”, isso nunca aconteceu.

Tim Cook está na Apple há 14 anos, e conhece nos mínimos detalhes como a empresa funciona. Logo, muitos acreditam que ele saberá modificar as coisas, sem fazer com que essas mudanças sejam drásticas. Além disso, espera-se que a forma de Cook ver o mundo Apple só estará definitivamente espelhado na empresa daqui a quatro anos (cinco, no total, somando o primeiro ano que ele completou como CEO), e só lá saberemos se a Apple vai seguir com o seu caminho de sucesso, ou se a queda vai realmente acontecer.

E, por incrível que pareça, a “era Cook” só começa agora, com o novo iPhone a ser lançado.

Todos sabemos que o iPhone 4S e o novo iPad ainda tiveram a influência de Steve Jobs em sua concepção e resultado final. Alguns ainda afirmam que até o novo iPhone tem a influência do ex-CEO para chegar ao mundo, e que Jobs deixou ideias e projetos iniciados para os próximos cinco anos da empresa. Porém, o novo iPhone é o primeiro grande lançamento da Apple que Tim Cook toma a linha de frente para se responsabilizar pelo sucesso ou fracasso do produto. É ele que vai aprovar o marketing do produto, as estratégias de vendas e lançamento, e é ele que terá que convencer o consumidor que o novo smartphone tem novidades suficientemente atraentes para que o mesmo saia correndo para comprar o seu smartphone novo.

Mesmo o novo iPhone sendo um dos últimos produtos a contar com a “visão Jobs”, é Tim Cook quem vai ditar o ritmo desse lançamento. E esse produto vai marcar, de forma efetiva, o início da nova fase da empresa no mercado. De qualquer forma, Tim Cook termina o seu primeiro ano como CEO da Apple com saldo positivo, e particularmente me agrada a sua forma de conduzir a empresa. Bom, pelo menos ele não sai por aí distribuindo camisetas com os dizeres “eu trabalhei 12 horas por dia para a Apple na última semana”…

Via SlashGear