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Em um estado democrático de direito, todos tem o direito ao protesto, desde que o manifesto seja pacífico e não atrapalhe a população sob nenhuma circunstância. Logo, nem precisa pensar muito para concluir o que penso de protestos durante a semana, travando completamente uma cidade do porte de São Paulo. Acho que é possível ter a mesma visibilidade se o manifesto fosse feito durante o final de semana, onde o impacto para os demais segmentos da sociedade seria muito menor.

Dito isso, apenas e tão somente pelo fato dos taxistas apelarem para a violência, o Uber ganha cada vez mais a simpatia das pessoas que não concordam com as práticas adotadas por uma parcela desses “profissionais”, que acham que podem usar a Lei de Talião para resolver todos os seus problemas. Os manifestos acontecem por conta do decreto de lei assinado pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que autoriza a prática de transporte de passageiros através de aplicativos para dispositivos móveis, mediante algumas regras já estabelecidas.

De novo: apelou para a violência, para mim, já perdeu. Mas vamos por alguns instantes ignorar esse detalhe. Protestar em plena quarta-feira, atrapalhando o fluxo dos cidadãos que, no final das contas, precisam ter o direito garantido por lei de escolher o serviço que quer usar (e não viver no monopólio que os taxistas querem impor), é algo quase criminoso. Mas vamos ao verdadeiro cerne das questão nesse momento.

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O principal argumento dos taxistas era que o Uber não pagava impostos no Brasil, e não era um serviço regulamentado como eles eram. Chegaram a chamar o serviço de “pirataria”. OK. Foi feita uma regulamentação, e os serviços de transportes vinculados aos aplicativos móveis passarão a pagar uma taxa para a Prefeitura de São Paulo, inicialmente de R$ 0.10 por quilômetro rodado. Tudo bem, quem ganha mais aqui é a Prefeitura, que aumenta a sua arrecadação fiscal.

Mesmo assim, existe uma lei. Existe as regras. É possível sim questionar as regras. Até porque não existe um consenso sobre isso. Os taxistas alegam que pagam mais taxas que o Uber. Mas… será que as contas fecharão? Afinal de contas, se os carros privados andarem mais do que os táxis, vão pagar mais impostos. Ponto.

Porém, os taxistas agora alegam que “não poderão cobrir os custos operacionais” por conta da concorrência do Uber, já que terão demanda menor!

Mas… concorrência funciona assim! Por que não oferecer um serviço melhor, amigos taxistas? Preços mais competitivos ajudam também. Ah, e trabalhar no lugar de fazer barulho também não faz mal nenhum. Até porque enquanto vocês estão travando a cidade toda, o Uber segue funcionando, e transportando os clientes que vocês estão perdendo!

Enquanto era um monopólio absoluto, nada disso era problema. Apareceu um concorrente de peso, e pronto: tudo agora é tragédia para os taxistas? Não é assim que a banda toca.

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Eu sou eterno defensor da tecnologia e da evolução. Assim como sou defensor da liberdade de escolha. Do livre comércio. Da concorrência. O Uber agora é regulamentado, tem obrigações a cumprir com a Prefeitura de São Paulo, tal e como muito se cobrou antes. Se os taxistas não concordam com essas taxas, é direito deles. Mas não podem atrapalhar a vida de uma cidade inteira apenas porque não querem a concorrência dos serviços de aplicativos.

Seria o mesmo que o Sindicato dos Carroceiros iniciarem protestos porque inventaram o carro.

Tecnologia existe para isso: melhorar a vida das pessoas. E essa é apenas uma das lições que os taxistas precisam aprender.