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Recebi do leitor Fernando Horácio uma questão que pode ser de interesse de outros leitores. Por isso, vou compartilhar o assunto com vocês, e tentar responder a questão, dentro das minhas possibilidades. O assunto de hoje é o tablet BlackBerry Playbook.

Gostaria de pedir um favor, se possível. Dentre todos os tablets no mercado, gostaria de informações a cerca do BlackBerry Playbook. As informações que encontro na grande rede é datado do ano de 2011, e a maioria dos posts falam a mesma coisa: poucos apps e algumas comparações com o iPad 2 e outros modelos a venda no mercado. O principal ninguém diz que é o sistema operacional do tablet, o nome dele é QNX.
O Android e o iOS já foram e são bastante avaliados ao contrário do SO existente no Playbook.
Desde já gostaria de desejar boa sorte e agradecer pela atenção.

Resposta: 

Fernando, entendo o seu questionamento sobre a ausência de informações recentes sobre o BlackBerry Playbook. Porém, o principal motivo pelo qual não são mais divulgadas informações sobre o produto é bem simples: a própria BlackBerry abandonou o mesmo. 

O BlackBerry Playbook foi anunciado em abril de 2011. Pode não parecer, mas dois anos no cenário da tecnologia atual é uma eternidade. E se levarmos em consideração que temos os fortes concorrentes com os sistemas iOS e Android (desculpa, mas a comparação é inevitável) e que, na época do seu lançamento, o Playbook não foi oferecido em todos os mercados onde poderia estar (o Brasil mesmo levou quase um ano para receber o produto), a sua missão no mercado, que já era bem complicada, se tornou quase suicida.

Porém, não tiro os méritos do produto. Conheci duas pessoas que se aventuraram com o produto (coincidentemente, dois blogueiros do segmento de tecnologia), e ambos disseram que gostaram do produto. Mas no cenário de tecnologia, não podemos evitar de falar alguns pontos, mesmo sendo repetitivos. Exemplos: comparação com outros sistemas operacionais, experiência de uso, oferta de aplicativos, atualizações, etc. E a BlackBerry negligenciou o Playbook na maioria desses itens, e isso fez com que o produto caísse no esquecimento.

A última notícia relevante sobre o Playbook foi praticamente a jogada de pá de cal no mesmo. Em julho, a BlackBerry anunciou que o tablet não mais vai receber atualizações relevantes, ficando eternamente estacionado no QNX, que apesar de ser uma proposta interessante, não foi incentivado o suficiente para permanecer no mercado. Para piorar a situação, um pouco antes disso, a mesma BlackBerry afirmou que o produto não seria atualizado para a nova versão do sistema operacional da empresa, o BlackBerry 10.

Se essa atualização viesse para o Playbook, o produto teria uma “sobrevida”, já que a versão permite a adaptação de aplicativos do Android para o BlackBerry 10, ampliando assim o leque de possibilidades do produto. Porém, a mesma BlackBerry dá sinais claros que não vai investir mais no produto, e o projeto pode ser considerado como morto.

Por conta disso, não há motivos para escrever sobre ele. O BlackBerry Playbook até que foi uma proposta interessante para ser explorada no mercado, mas se nem a BlackBerry, que é a maior interessada, investe nele, não há motivos para que os veículos que cobrem o mundo da tecnologia fazer isso. De novo: eu mesmo me entusiasmei com o BlackBerry Playbook, mas tinha a consciência que era um produto que dificilmente iria prevalecer em um mercado já consolidado com o iOS e o Android.

Você ainda pode encontrar o BlackBerry Playbook na sua versão mais básica (WiFi) em alguns e-commerces nacionais, pelo valor de R$ 749. Só vale à pena a compra se você estiver plenamente ciente que estará diante de um produto comercialmente morto, ou se tiver objetivos bem específicos com ele.