A MediaTek é, hoje, a maior vendedora de chipsets de smartphones no Brasil. A empresa conquistou esse posto na última análise do IDC, relativa ao terceiro trimestre de 2017. Não só isso: é líder do setor na América Latina, o que mostra a saúde da empresa e as boas estratégias estabelecidas com seus parceiros.

O momento da empresa é favorável para uma conversa mais detalhada sobre o presente e o futuro de suas operações. Por isso, conversamos com Samir Vani, Country Manager da MediaTek no Brasil, para abordar esse e outros temas relacionados à tecnologia.

A primeira informação que Samir destaca na conversa é a liderança da MediaTek na América Latina, com seus chips presentes em 42% dos dispositivos comercializados na região. Essa liderança é efetiva desde o primeiro trimestre de 2017, o que mostra claramente a boa saúde da empresa no segmento mobile.

No Brasil, a liderança em vendas chegou no terceiro trimestre de 2017 (de acordo com os últimos dados da IDC), com 32% do volume de vendas entre os fabricantes. É uma conquista muito relevante para a MediaTek, já que hoje o Brasil é o quarto maior mercado de telefonia móvel do mundo.

Samir deixa claro na entrevista que, hoje, a MediaTek tem parcerias globais com todos os principais fabricantes de telefonia móvel do mundo (Samsung, LG, Motorola/Lenovo, Sony, etc), exceto a Apple. E que tais parcerias permite que seus chipsets estejam presentes em alguns dos modelos de entrada e intermediários mais populares do mercado internacional, o que ajuda e muito na expansão da marca. Sem falar em alguns modelos mid-end (ou intermediários premium) desses fabricantes, que ajudam a consolidar o conceito de inovação e oferta de chipsets cada vez melhores, ou que atendam melhor as necessidades dos parceiros comerciais.

Porém, no caso específico do Brasil, não podemos ignorar as parcerias com marcas mais populares (Quantum, Multilaser, etc), que resultam em produtos com valor final mais acessível. Isso causa como reflexo imediato a associação da MediaTek com tais marcas mais popularescas, o que não é ruim. Observamos com o passar do tempo que tais fabricantes oferecem produtos com experiência de uso mais satisfatória, aumentando assim a qualidade final desses dispositivos. E parte dessa evolução se deve também aos avanços que a MediaTek faz com seus processadores.

Questionado sobre essa percepção que o consumidor brasileiro pode fazer sobre ver a MediaTek como “a fabricante das marcas nacionais e baratinhas”, Samir responde que uma das missões da empresa é democratizar o uso da tecnologia e comunicação do mundo, sendo assim um agente dessa iniciativa que pode conduzir o próximo bilhão de usuários conectados. Logo, diante de tal conceito, não é demérito para a empresa tal associação. Pelo contrário: se faz alternativa para aqueles que não contam com um acesso a um dispositivo móvel, e isso é algo muito válido a médio e longo prazo.

A MediaTek tem a consciência de que as pessoas que, nesse momento, já contam com um smartphone, querem uma experiência cada vez melhor e, por isso, naturalmente, vão buscar dispositivos melhores, em segmentos de mercado mais elevados.

Logo, abordar os mercados de entrada, linha média e super linha média afetam de forma automática os usuários que querem obter uma boa experiência de uso no seu primeiro dispositivo. E o know how obtido pela MediaTek permite um trabalho melhor com os fabricantes para oferecer dispositivos dentro dessas categorias cada vez mais competentes, tanto no desempenho como no menor consumo energético.

Samir também explica que, nesse momento, a MediaTek diversifica a sua presença no mercado, pensando na ‘era pós-mobile’. Iniciativas em dispositivos inteligentes, wearables e produtos associados à Internet das Coisas estão em curso, e a ideia é que, naturalmente, a empresa atue como agente facilitador para que tais produtos alcancem o nosso mercado o quanto antes possível. É claro que não depende exclusivamente da MediaTek: parceiros e outros fornecedores de componentes acabam influenciando nesse processo.

A MediaTek conta hoje com parcerias dentro dos segmentos que abraçam a ‘era pós-mobile’ com Acer, Polar, Amazon, Google, entre outros. Os assistentes inteligentes da empresa de Jeff Bezos e da gigante de Mountain View utilizam hardware da MediaTek. Sem falar que a empresa ainda concentra esforços na área automotiva, principalmente nos recursos de direção autônoma e semi-autônoma. A empresa tem consciência que a eficiência dos processadores nesse segmento é sempre colocada em prova, já que toda tecnologia de carros autônomos envolve uma elevada quantidade de cálculos e comandos simultâneos. E os investimentos em pesquisa e desenvolvimento são benéficos na entrega dos produtos finais que atendem esse setor, e para outros tipos de produtos que a empresa pode abraçar no futuro.

Também é importante lembrar que, hoje, a MediaTek concentra 80% do mercado de chipsets para Smart TVs, segmento esse que ainda se expande pela necessidade do usuário em obter o melhor produto possível para o entretenimento doméstico. Aqui, temos mais uma margem de expansão de mercado para os asiáticos, não apenas pelo desenvolvimento de novas soluções ou pelas vendas das TVs, mas especialmente por abraçar outros produtos que, hoje, estão relacionados ao mundo do entretenimento. Samir cita como exemplo o fato dos chips da marca também se fazerem presentes nos roteadores domésticos, que também são pensados na melhor transmissão de conteúdos por streaming, expandindo assim as áreas de atuação para uma melhor oferta de experiência multimídia otimizada.

E por falar em fornecimento de componentes, Samir também esclarece uma dúvida de alguns leitores: o processo de produção e distribuição dos chipsets nos diferentes mercados globais, incluindo o Brasil.

Não há planos para a MediaTek utilizar uma das fábricas ativas no Brasil para o desenvolvimento de chips, ou mesmo de inaugurar uma fábrica em nosso territória para essa finalidade. A empresa manterá seus planos de fabricar os chips em mercados internacionais (com custos de produção menores) e redistribuir os chips para os fabricantes ao redor do planeta.

Questionado se a crise das memórias na Ásia afetou de alguma forma os negócios da empresa, Samir responde que, de forma direta, o problema não causou efeitos imediatos, mas indiretamente, essa crise afetou todos os fabricantes de componentes para dispositivos eletrônicos, uma vez que todos sofrem o impacto nas quedas de vendas dos dispositivos. É um mercado integrado de tal forma, que o prejuízo de um determinado parceiro ou fabricante pode representar queda nos lucros de todos que estão envolvidos no processo de alguma forma.

Questionamos sobre o recente movimento da Qualcomm em formalizar uma parceria da Microsoft para a oferta de um chip móvel (Snapdragon 835) em uma plataforma de PC ARM, com Windows 10 S, rodando aplicativos via emulação e prometendo notebooks com autonomia de bateira de longa duração (até 22 horas de uso).

Samir respondeu que a MediaTek não comenta ações dos concorrentes diretos, mas observa os movimentos do mercado. Também deixa claro que o objetivo da empresa é oferecer produtos para escala global, em um amplo campo de atuação, para atender setores do mercado já consolidados. Sendo assim, dificilmente veremos os chips da empresa em projetos considerados embrionários.

Por fim, Samir desta que, para 2018, a MediaTek tem como objetivos investir cada vez mais no mercado de super linha média de smartphones, por entender que será nesse segmento o maior volume de vendas. Pretende manter as parcerias globais e regionais, pensando na manutenção da primeira posição na América Latina e no Brasil, além de estimular o lançamento de produtos inovadores para essas regiões.

Agradecemos ao tempo oferecido por Samir Vani para conversar com o TargetHD.net, e à assessoria de imprensa da MediaTek no Brasil por essa oportunidade.

P.S.: MediaTek = ‘tecnologia para mídia’.