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O superintendente de competição da Anatel, Carlos Baigorri, entende que os assinantes que acessam a internet esporadicamente financiam a banda larga de quem baixa grandes quantidades de dados. Com isso em mente, a estratégia de limitar a banda larga fixa é algo considerado “benéfico” (na opinião de Carlos, que fique bem claro).

“Não existe um único consumidor, então para quem está abaixo da média, consome menos, o limite é melhor. E pior para quem consome muito”, afirmou o superintendente, que ainda exemplifica a seleção adversa como mais um argumento para defender os limites de consumo, onde muitas vezes é feito o preço médio pelo perfil de consumo, onde (na opinião dele) quem consome menos paga por quem consome mais.

Entendo a questão de forma diferente. Em um formato de internet ilimitada, entendo que o serviço está disponível para todo mundo usar do jeito que quiser. Não há prejuízo de quem usa menos porque ele opta por usar menos. Ele paga pelo serviço prestado, e não pela quantidade de uso. Até porque o volume de consumo é um problema de cada um. O usuário que consome mais não pode ser penalizado por conta da liberdade de quem usa menos tem para usar menos porque quer.

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Recentemente, a Vivo alterou os seus contratos do Vivo Internet Fixa, onde existe um limite de até 130 GB/mês para download, dependendo do plano contratado. “Promocionalmente”, a internet será ilimitada até 31 de dezembro de 2016 para todos os clientes. Depois disso, os novos clientes terão esse limite. Ao ultrapassar o limite, a conexão será bloqueada ou terá velocidade reduzida até o final do mês.

A NET e a Oi adotam esse sistema a algum tempo, mas apenas em casos excepcionais adotam as punições. A Oi mesmo já confessou que não adota a suspensão do serviço de internet após o fim da franquia proposta. E isso seria uma burrice sem tamanho. Entendo que toda e qualquer operadora quer que o cliente continue a usar o seu serviço (e pagar por ele), no lugar de criar expedientes e problemas que podem fazer com que esse mesmo cliente migre para outra operadora.

Limitar o consumo de internet é burrice, ainda mais em tempos onde o usuário médio consome mais e mais conteúdos por streaming e armazena dados na nuvem. Curiosamente, as empresas que praticam ou pretendem praticar essa estratégia (Vivo, Oi e NET) também ofertam o serviço de TV por assinatura, e torcem o nariz para empresas como a Netflix, que oferecem conteúdos televisivos de qualidade a preços bem mais competitivos, sem falar no formato de consumo inovador e atraente.

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Por fim, no mês de abril, a GVT vai se transformar em Vivo, e os clientes antigos (eu, inclusive) que contam com internet ilimitada, deverão se ajustar ao sistema da nova empresa. A pergunta que fica é: teremos a nossa internet ilimitada com os limites adotados pela Vivo?

Se isso acontecer, mudo rápido para a concorrência que não adota essa prática.

Via Tecnoblog, Convergência Digital, TeleSíntese