O iPad Mini foi apresentado oficialmente por Phil Schiller (estranho como Tim Cook não se envolve com esses grandes momentos, não?), e não decepcionou a ninguém que acompanhou os principais veículos de tecnologia da internet. Praticamente tudo aquilo que foi rumorado ou especulado antes do seu lançamento, não deixando praticamente nenhuma surpresa para o lançamento do produto, incluindo o seu preço inicial, que é de US$ 349.

Um dos pontos altos do evento foi quando a Apple fez todo esforço do universo para provar que sua proposta, que é pelo menos US$ 130 mais cara que os seus principais concorrentes com Android (Google Nexus 7 e Amazon Kindle Fire HD), é melhor e mais eficiente que os produtos mais populares. Tim Cook quase conseguiu nos convencer que o Nexus 7 é um lixo completo, e que a Amazon não sabe o que está fazendo quando está se metendo nesse mercado.

Mas eu usei a palavra “quase”, não é mesmo?

Vamos fazer um comparativo justo entre o iPad Mini e alguns dos seus principais adversários dentro do seu segmento de produto, os tablets com telas de 7 polegadas (ou um pouco a mais que isso). Para esse estudo, vamos colocar no comparativo o Nexus 7, o Kindle Fire HD e o Nook HD (este último da Barnes & Noble), que também são modelos bem interessantes. Vale a pena dizer que a concorrência é intensa, e não existe um vencedor muito claro nas especificações técnicas, apesar do fato do iPad Mini contar com o mesmo processador do iPad 2, que naturalmente vai se comportar de forma mais “antiquada” em relação ao novo iPad de quarta geração, por exemplo, mas isso acaba sendo compensado pelo design externo renovado.

Dito isso, vamos aos resultados.

Em termos de potência bruta, pura e simples, o iPad Mini sai perdendo. E não só na sua capacidade de processamento, mas também com uma resolução menor em relação aos seus concorrentes, e principalmente, com uma densidade de píxels que beira ao ridículo, se comparado aos demais. E o tio Tim Cook não falou nada disso para nós durante a sua pregação anti-Android, não é mesmo?

Provo com números: o iPad Mini tem uma densidade de 163 ppi, contra 216 ppp do Nexus 7 e do Kindle Fire HD. Se compararmos com o Nook HD, os valores sobem para 243 ppp. Resumindo: até que, em algum momento, em um futuro que não precisa ser tão distante assim, a Apple coloque a tela Retina no iPad Mini, ela não vai alcançar os seus concorrentes em termos de resolução. E esse é um fator que deve ser levado em consideração para aqueles que querem a máxima qualidade na reprodução de vídeos no dispositivo.

Agora, o outro lado da moeda. Vamos ver onde o iPad Mini ganha de lavada. Comecemos pela câmera traseira, que no iPad parece ser algo absurdo (tem gente que acha que fotografar com um tablet é coisa de hipster), mas que no iPad Mini pode ter um pouco mais de sentido. A câmera do iPad Mini possui 5 megapixels de resolução, com tecnologia iSight e gravação de vídeos em 1080p. E esse conjunto não poderá ser superado pelos seus concorrentes.

Além disso, vale a pena destacar as conectividades HSPA, HSPA+ e DC-HSDPA. Apesar de não contar com o 4G LTE (e aí, já é pedir demais do iPad Mini), é uma multiplicidade de opções bem interessante, mesmo que você não utilize todas elas. Afinal, é sempre bom saber que ela está lá.

Mas todos esses pontos são menores quando falamos do item que realmente torna a Apple diferenciada: o seu design industrial. Os seus concorrentes oferecem produtos bem construídos, utilizando um material de elevada qualidade, nenhum tablet tem o tato e a firmeza que os tablets da Apple. Além disso, esse é o tablet mais leve e mais fino de todos, o que garante a máxima portabilidade para o usuário. Não que os outros modelos não sejam portáteis o suficiente.

Outro ponto a favor do iPad Mini está na sua tela, de 7.9 polegadas, que é 35% maior que a do Nexus 7. Aí, você vai ter que escolher: você prefere perder em resolução ou em área de trabalho?

Também é bom destacar como funciona cada sistema operacional, e quais as opções dos consumidores em cada ecossistema. Muitos vão argumentar que o Android 4.1 é superior ao iOS sobre as opções de personalização. Mas, no final das contas, um dispositivo como esses é adquirido para que essencialmente o usuário compre aplicativos, e por enquanto, a Apple é imbatível nesse aspecto.

Mas, no final das contas, tudo se resume ao fator preço, certo? Vamos pegar por base os valores adotados para a versão Wi-Fi de 16 GB de armazenamento de cada um dos fabricantes. O iPad Mini é o mais caro, com US$ 329, seguido do Nexus 7, com US$ 249, e do Kindle Fire, de US$ 149. O iPad Mini é o mais caro, mas com uma menor potência, em virtude do seu processador mais antigo. Por outro lado, é o modelo com melhor design e com uma quantidade maior de aplicativos. Tais elementos fazem com que o preço seja mais alto. A relação custo/benefício se paga? Na minha opinião, sim. Mas, para a maioria, o fator determinante é: esse faz o mesmo que aquele, custando US$ 130? E a resposta, por excelência, é “sim”.

E para você? São os outros que terão que competir com o iPad Mini? Ou é o iPad Mini que vai ter que encontrar o seu espaço contra os seus concorrentes?