Durante muito tempo eu cobicei em testar o Samsung Galaxy Nexus. Tudo bem, eu sei que o smartphone tem um bom tempo de mercado, e que todo mundo já tinha feito review dele. Mas, ainda assim, eu queria testar o “Googlephone” de perto, e ver como funciona “o Android que o Google sempre sonhou”. Então, faço aqui um dos reviews mais descontraídos de toda a história do TargetHD, passando minhas impressões pessoais sobre o produto. Nada muito técnico ou passando informações de “o aparelho tem câmera de 5 megapixels, flash LED, 1 GB de RAM, etc”. Algo mais pessoal, buscando contar para vocês as impressões e sensações que o aparelho me deu.

Mas antes de começar, vale aqui registrar algumas informações. O aparelho que testei é um Galaxy Nexus, e não o Galaxy X, vendido no Brasil. Tecnicamente, a única diferença está no nome, logo, ao ler essa análise, as informações contidas valem para o modelo comercializado em território nacional. Além disso, o aparelho que veio para mim é importado, e infelizmente, estava com uma ROM do Android 4.0.4 (Ice Cream Sandwich) customizada, e não com o Android 4.1 (Jelly Bean) puro. Estou procurando outro aparelho com o Jelly Bean que é oferecido pelo Google, e no último caso, vou recorrer ao mercado nacional para isso.

Logo, o que está em questão nesse review são as características físicas do produto e sua usabilidade como um todo. A experiência e performance do produto, e principalmente, a experiência de utilizar um dos melhores smartphones Android do mercado.

Duas coisas são muito bem definidas no Galaxy Nexus. A primeira é a sua baixa espessura. O smartphone é realmente fino. Não chega a ser um Galaxy S II em termos de espessura reduzida, mas é fino o suficiente para ser confortável no uso cotidiano e no transporte no bolso da calça. O segundo detalhe está na sua tela curvada, que é algo que se torna funcional e efetivo no uso durante as chamadas. Essa pequena curvatura torna o smartphone mais anatômico nas mãos, tornando o ato de segurar na orientação vertical algo mais confortável. Além disso, essa leve curvatura na tela torna a visualização das informações mais agradável, além de acompanhar anatomicamente o formato da cabeça/rosto do usuário. É como um telefone convencional, que tem uma curva para se ajustar melhor à boca e orelha. Mas não tão acentuado quanto se espera.

Na lateral esquerda, os botões de controle de volume, de fácil acesso para o usuário durante as chamadas.

Na parte superior… nada!

Na lateral direita, o botão de liga/desliga e para bloqueio de tela do aparelho.

Detalhe na lateral direita do Galaxy Nexus.

Na parte inferior do smartphone, ficam os conectores para fones de ouvido e cabo USB, além do microfone do smartphone.

Detalhe da câmera frontal do Nexus. É competente para videochamadas, mas com uma qualidade um pouco inferior em relação a outros modelos Android que testei. Mas esse é um detalhe que você pode viver bem com ele. Afinal, não conheço muita gente que realmente usa o recurso de videochamadas em smartphones.

Acho que uma das coisas que mais chamam a atenção no Galaxy Nexus é o seu design. Não há a presença de botões físicos na parte frontal do smartphone, deixando o produto como uma peça única. O resultado? Um dos smartphones mais elegantes do mercado. As teclas de comando para o Android estão devidamente “escondidas”, e os LEDs que indicam os comandos só aparecem quando você ativa a tela. Uma excelente escolha, pois deixa o smartphone realmente muito bonito.

Visão geral da parte traseira do Galaxy Nexus.

Sua câmera traseira de 5 megapixels é boa. Bom, é aquela velha relação que a grande maioria das câmeras de smartphones oferecem: boas fotos em ambientes bem iluminados, fotos fracas em ambientes com baixa luminosidade. O seu flash é uma ajuda para minimizar esse efeito, mas de forma efetiva, não resolve como se deseja. Porém, diferente de muitas análises que li por aí, eu não achei a câmera do Nexus uma decepção completa. Além de filmar em alta resolução, ela consegue registrar fotos com uma qualidade aceitável para os meus objetivos (envio por e-mail, postagens rápidas, atualização de redes sociais, etc). Ou seja, se não dá pra exigir muito das câmeras dos nossos dispositivos móveis, também não vamos achar que tudo não presta, e que sua câmera é uma completa perda de tempo. Mesmo porque não é.

Na parte inferior, temos o alto-falantes do smartphone. Segue a regra da Samsung para smartphones com essas características. Particularmente, achei o som nesse aparelho meio baixo em toques e no viva-voz. Durante as chamadas, o Galaxy Nexus tem um volume satisfatório, tornando a conversa audível em ambientes externos e/ou com alto nível de ruído. Porém, não pense em usar o viva-voz fora de casa, ou não ouça o seu iPod enquanto carrega ele no bolso. As chances de você não ouvir o Nexus tocando ao receber a chamada são grandes.

Visão geral da parte interna do Galaxy Nexus, com destaque para sua grande bateria. Falo sobre sua autonomia mais para frente nessa análise. Tudo o que eu posso adiantar é que ela varia de acordo com a versão do Android que está instalada no smartphone.

Destaque para o seu slot de cartão SIM (não micro-SIM), e para um espaço preenchido na sua lateral esquerda, que poderia muito bem ser para o slot de cartão de memória. Ainda me pergunto por que a Samsung/Google optaram por deixar o Nexus sem um cartão de memória. Tudo bem, a resposta está em um melhor desempenho (principalmente na sua inicialização, uma vez que sem ele o seu boot é mais rápido), mas mesmo assim. Em um smartphone com performance tão robusta, acho que caberia uma maior capacidade de armazenamento de fotos e vídeos. Bom, esse eu acho que é a grande carência do Galaxy Nexus/X. Você tem um espaço limitado para instalar aplicativos, armazenar fotos e vídeos, o que chega a ser contrastante com a própria proposta e gama de recursos do smartphone.

Lembrando novamente: nos testes, o aparelho estava com um Android 4.0.4 (Ice Cream Sandwich) customizado. Ainda estou procurando um modelo com o Android 4.1 (Jelly Bean) em estado puro, até mesmo para melhor comparar o desempenho das duas versões no smartphone. Logo, o que vem a seguir são as minhas impressões do desempenho do aparelho com a penúltima versão do Android. Assim que me deparar com um modelo com o Jelly Bean, contarei para vocês a minha experiência em mais um post no TargetHD.

O desempenho geral do Galaxy Nexus é muito bom. Mesmo. Independente do tipo de ROM que o aparelho vai receber, a sua performance será muito boa, com transições de telas fluídas e sem travamentos. O smartphone não travou comigo nenhuma vez, e todos os comandos da tela funcionam muito bem, respondendo de forma excelente aos toques. Tal como todos os smartphones Android, o seu nível de personalização é elevadíssimo, o que torna a sua experiência mais prazerosa para os “geeks fuçadores” (redundância da minha parte nessa última frase: todo geek de verdade é um fuçador autêntico).

Outro destaque vai para sua tela, que como vocês já perceberam, é parte importante do conjunto do smartphone. Não só por tornar o Galaxy Nexus um dos modelos Android mais bonitos do mercado, mas também por causa de sua qualidade final de exibição de imagens. A resolução da tela é muito boa, com gráficos bem definidos. Mas, como nem tudo é perfeito, um dos grandes problemas dessa tela é que ela vai engordurar com facilidade (reparem na foto). Aqui, recomendo uma película fosca, que dá um pouco de trabalho para ser encontrada, e mais cara que a película tradicional, mas pelo menos tira essa sensação que alguém sempre comeu frango frito e ficou vendo as atualizações do Twitter ao mesmo tempo.

Como disse lá atrás, os botões de comando do Android estão integrados à própria tela, fazendo com que o smartphone não conte com botões físicos na parte central. Pequenos, discretos e funcionais. Ponto positivo para o Nexus nesse sentido.

Ter os ícones organizados por ordem alfabética é uma mão na roda, não?

Bom, lembra que eu disse que ia falar de sua autonomia de bateria? E lembra que eu disse que o cenário era diferente nas diferentes versões do Android? Ok, chegou a hora de falar sobre isso.

Percebi que existem dois “padrões de consumo” para o Galaxy Nexus. Na verdade, eu percebi depois que isso acontece especificamente com os smartphones com Android Ice Cream Sandwich, que possuem um comportamento muito diferente do que o Jelly Bean em relação ao consumo de bateria. No Galaxy Nexus com o Android 4.0.x (e isso se confirma no Galaxy S II que está por aqui, mas esta é uma outra história), a autonomia de bateria do smartphone é muito baixa, com aproximadamente seis horas de uso intenso (WiFi e 3G ligados, sincronização, tela com ajuste automático, etc).

Mesmo instalando os tradicionais programas para moderar o consumo de bateria (Juice Defender Ultimate, Task Killers e ajustes para o modo de economia de bateria), o consumo da mesma com o ICS é algo que realmente decepciona. Amigos, a culpa não é do smartphone, e sim da versão do Android, que consome mais recursos que a anterior (2.3.7, Gingerbread, que no caso do Galaxy Nexus, nem é compatível).

Li diversos relatos na internet sobre o assunto, e consultei os amigos que sigo no Twitter que confirmaram tal comportamento, e também fui alertado que o desempenho geral da bateria do Nexus (assim como a sua performance como um todo) melhoram de forma sensível com a atualização para o Jelly Bean, tornando o smartphone uma poderosa ferramenta de comunicação e acesso à web. Isso me deixa bem otimista para procurar testar o Jelly Bean no Galaxy X.

O meu conselho nesse caso é: se você tem o Nexus/X com você, faça a atualização para o Jelly Bean o quanto antes. Ok, eu sei que a maioria das pessoas que possuem um smartphone como esse são usuários experientes, e já compraram esse modelo justamente pelo benefício de contar com uma atualização rápida para o modelo. Mas uma parcela dos leitores do blog ainda ficam receosos ao fato de atualizar os seus dispositivos, e eu compreendo isso. Afinal de contas, também fui vítima de atualizações que pioraram aquilo que estava bom. Mas, nesse caso, o Jelly Bean é uma ótima adição ao Galaxy Nexus. Logo, pode atualizar sem medo de ser feliz.

Outro detalhe interessante é o seu gerenciador de aplicativos abertos. Para você fechar um aplicativo ativo em segundo plano, é só você deslizar para a sua direita. Mais simples, impossível.

Tela para chamadas telefônicas. Botões gigantes, para não ter desculpa de discar um número errado.

Por fim, o Samsung Galaxy Nexus está APROVADO. É um smartphone para quem é geek de verdade. Se você busca ficar com um telefone com o que o Android oferece de mais recente em termos de recursos, essa é a escolha. Seu preço é paralelo com alguns smarts Android “tops”, e ele ficará atualizado por um bom tempo (isso é, até o Google inventar qualquer outra coisa que o impeça de receber novas versões do smartphone). Com o Jelly Bean, ele é uma das opções mais interessantes do mercado, e mesmo sendo um modelo limitado na hora de armazenar fotos, vídeos e músicas, é o típico smartphone para os fuçadores, fãs de tecnologia.

Preço: R$ 1.399,00