Lenovo N22

 

A Lenovo lançou no ano passado o Lenovo N22, um Chromebook por excelência que contava com algumas vantagens, como por exemplo 4 GB de RAM e a possibilidade de expandir o armazenamento via SSD M.2 SATA.

A Microsoft vê o mercado que hoje o Chrome OS triunfa (principalmente o educacional) como uma forma que expandir a participação do Windows 10 em um segmento que agrega valor ao software, além de garantir vendas sólidas e fidelidade pelo segmento investido.

Por isso, a mesma Lenovo lançou uma segunda versão desse notebook, o Lenovo N22 80S6, com o sistema operacional Windows 10 e com as mesmas características de hardware, para ser uma alternativa de baixo custo com o sistema da Microsoft, e que competisse diretamente com os Chromebooks.

O produto é bem credenciado lá fora, mas como sempre somos curiosos, decidimos adquirir uma unidade do notebook e testá-la para confirmar ou desmentir tais impressões. Além disso, decidimos realizar um teste adicional: adquirimos uma unidade SSD M.2 SATA de 128 GB de armazenamento, com o objetivo de verificar a possibilidade de fazê-la funcionar como o disco rígido principal do produto.

 

 

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Características Físicas

 

 

O Lenovo N22 lembra os antigos netbooks nas dimensões e características físicas, mas com algumas atualizações relevantes.

É um notebook muito bem construído, com partes sólidas e sem peças que deixam a impressão que vão se romper com o tempo. É mais espesso e mais pesado que o Samsung Chromebook 3, mas isso não pesa no seu uso e transporte diário.

 

Outro diferencial importante desse modelo é a sua webcam, que tem giro de 180 graus. Ou seja, você pode fazer transmissões ao vivo de você e daquilo que está diante de você.

 

 

Oferecendo a resistência exigida de um produto com aspirações para fins escolares, temos aqui um notebook muito bem construído, atendendo as necessidades de usuários com diferentes necessidades.

 

 

Tela

 

O Lenovo N22 possui uma tela de 11,6 polegadas, com resolução de 1336 x 768 pixels.

É uma tela boa o suficiente para a visualização dos conteúdos de forma mais básica, como interface do sistema operacional, vídeos por streaming em HD, jogos básicos, fotos e aplicativos.

 

 

Porém, como em vários produtos de baixo custo, o seu ângulo de visão não é dos mais favoráveis, o que é compreensível, levando em conta que a Lenovo precisava fazer algumas restrições técnicas para assim reduzir o valor final do produto.

Em compensação, aqui temos uma tela que pode ser aberta em ângulos de até 180 graus, o que oferece uma maior comodidade na hora de visualizar conteúdos por streaming, por exemplo. Para quem quer utilizar o notebook para outras finalidades, é sempre um adicional interessante.

Um detalhe importante: mesmo com um brilho a 25%, essa tela oferece uma boa visualização dos conteúdos, o que pode ajudar e muito na produtividade, sem falar que reflete na boa autonomia de bateria do notebook.

 

 

Hardware

 

O Lenovo N22 possui um processador Intel Celeron N3050 a 1.6 GHz-2.16 GHz (dual-core), 4 GB de RAM DDR3L SDRAM e 32/64 GB de armazenamento. O modelo que testamos é o que contém 32 GB em eMMC.

É o que se espera para um hardware que prioriza o baixo custo e a elevada autonomia de bateria. Em compensação, teremos naturais restrições no desempenho. Ou seja, se vai comprar esse modelo, já vá ciente de que ele não foi feito para tarefas mais complexas, mas sim para te oferecer uma conectividade e acesso à internet básico e em qualquer lugar.

Para o Windows 10, é o suficiente, pois o sistema operacional da Microsoft possui uma ótima otimização para diferentes tipos de hardware. Porém, ainda oferece algumas restrições e travamentos por conta do conjunto eMMC + processador. Mas falaremos sobre isso mais adiante.

 

 

Teclado e Touchpad

 

O teclado do Lenovo N22 é de tamanho completo, o que facilita e muito a vida daqueles que querem ser mais produtivos em qualquer lugar.

 

 

Aqui, a digitação é prática, com algum ruído das teclas, mas que entrega uma digitação relativamente tranquila. Seguindo a regra dos produtos dessa categoria, é um teclado funcional, que atende bem as necessidades.

 

 

O touchpad desse notebook segue a mesma regra. Tem um bom deslocamento, com uma boa sensibilidade, sendo muito funcional. Não registra toques acidentais e consegue entregar a produtividade necessária para as atividades diárias.

 

Desempenho

 

O Windows 10 até funciona bem com esse tipo de hardware, desde e quando apenas execute os aplicativos que já são do Windows 10. Talvez até por isso que a Microsoft lançou o Windows 10 S, totalmente fechado ao seu ecossistema, para garantir um desempenho mínimo para quem depende de uma relativa produtividade em qualquer lugar.

Voltamos aqui na questão do processador Intel Celeron N3050, que é de baixo consumo de bateria, mas também de baixa performance. Não é o mais recomendado para quem precisa trabalhar com aplicativos de fora da Windows Store. Quero dizer, ele executa, mas não com o mesmo desempenho que temos nos aplicativos nativos do sistema operacional da Microsoft.

Mas o caso mais crítico esta na unidade de armazenamento.

Definitivamente, o Windows 10 completo, tal e como conhecemos hoje, não foi concebido para trabalhar com uma unidade de armazenamento em eMMC, como temos com o Lenovo N22. Estamos basicamente falando de um cartão de memória que atua como uma unidade de inicialização, execução e armazenamento de um sistema operacional completo. É muita coisa.

Os 32 GB de armazenamento nem é algo tão crítico assim para o desempenho (pode ser um limitador na hora de instalar novos programas no equipamento, e esse problema poderia ser sanado com uma unidade de 64 GB), mas a estrutura física da unidade eMMC deixa tudo bem preocupante para um uso com rotina diária.

Mas isso pode ser remediado de forma relativamente simples.

 

 

A salvação: uma unidade SSD M.2 SATA

 

Adquirimos o Lenovo N22 por causa da possibilidade em expandir a capacidade de armazenamento e melhorar o desempenho geral em função disso. Alguns sites internacionais levantaram essa possibilidade, e decidimos arriscar para comprovar se os resultados entregam as melhorias esperadas.

Esse notebook não conta com parafusos em formato especial. Uma simples chave Philips permite que ele seja aberto sem maiores problemas.

O slot M2. SATA está lá, livre e disponível para ser utilizado. Talvez você precise prender com alguma fita isolante ou para componentes eletrônicos a SSD na placa-mãe, se a unidade SSD tiver dimensões menores do que o ponto do parafuso da peça. Mas isso não será um problema para a utilização do complemento que você vai instalar nesse notebook.

 

 

O próximo passo é configurar a unidade para que ela possa trabalhar com o Lenovo N22.

Esse notebook não usa o sistema MBR, mas sim o padrão GPT. É preciso preparar a SSD para esse padrão. Caso contrário, a BIOS do equipamento não vai identificá-la como uma unidade de inicialização para esse equipamento.

Com a unidade preparada, você pode configurar na BIOS para que o notebook faça a inicialização por ela, que passa a assumir a SSD de verdade (e não a eMMC) como unidade principal de armazenamento, ou unidade C:.

Você até pode fazer a clonagem dos dados armazenados na eMMC do equipamento para a SSD, mas a melhor decisão nesse caso é instalar o Windows 10 Pro (em inglês, que fique bem claro – depois você pode instalar o pacote de idiomas para português) do zero, e configurar a máquina item por item. Não está difícil identificar os drivers desconhecidos, pois o próprio sistema operacional é capaz de fazer isso.

Logo, faça o download da ISO do Windows 10 Pro, prepare um pendrive ou DVD como instalador, e faça a instalação do Windows 10 Pro e da sua atualização direta para o Creators Update (altamente recomendado em tempos de WannaCry).

Instale os seus programas mais utilizados. E sinta a diferença.

Desempenho (com uma SSD M.2 SATA como unidade principal)

 

A melhora é perceptível, apesar de não ser algo notável. Você pelo menos consegue executar melhor os programas de terceiros, além de oferecer uma maior agilidade na execução do Windows 10 como um todo.

Outra dica que pode ser adotada (e que considero bem válida) é utilizar a eMMC para a memória virtual do Windows. Aquela que normalmente desligamos quando não temos muito espaço de armazenamento em disco.

Nesse caso, como temos uma SSD de 128 GB como unidade principal, ficamos com 29 GB livres no eMMC. Utilizamos 20 GB como memória virtual do Windows, e isso ajudou a melhorar ainda mais o desempenho do notebook como um todo.

Em resumo: o Lenovo N22 só vai entregar um desempenho realmente útil para as necessidades propostas apenas e tão somente quando fazemos tais modificações nas suas configurações de hardware. Temo que, do jeito que ele é comercializado, nem mesmo para quem tem um uso mais básico com o produto ele vai servir. Quem sabe com o Windows 10 S ele possa ser realmente produtivo.

Aliás, um erro grosseiro que os fabricantes cometem (no Brasil ainda mais) é vender a unidade eMMC como uma SSD. Claramente são itens com características diferentes, propostas diferentes e desempenho bem diferentes.

O consumidor precisa ficar ciente disso antes de adquirir um produto com essas características. Sem falar que, de forma definitiva, o Chrome OS esta mais otimizado para o eMMC do que o Windows 10. Mas falarei mais sobre isso em outra oportunidade.

 

 

Bateria

 

Aqui está mais um dos motivos para você adquirir o Lenovo N22.

Sua autonomia prometida e de até 8 horas de uso, mas esse número só é alcançado com a tela com um nível de brilho de 25%, e no modo de economia de energia. Nesse modo, o desempenho é razoável, permitindo trabalhar bem com as tarefas mais básicas.

Com o brilho de tela em 50%, a autonomia de uso cai para 6h30, o que é mais que suficiente para quem trabalha em deslocamento (dois turnos de três horas de trabalho).

Outro detalhe importante e que esse notebook conta com um modo de recarga rápida de bateria, que alcança os 100% de recarga em pouco mais de duas horas. Ou seja, se eventualmente você ficar sem bateria pela manhã, pode recarregá-la na hora do almoço para trabalhar até o final da tarde, sem grandes dificuldades.

 

 

Conclusão

 

 

O Lenovo N22 só é recomendado para os usuários que se atreverem a instalar uma SSD de verdade nele. Com as modificações que fizemos, ele tem um desempenho aceitável para ser o seu segundo notebook, atendendo as necessidades dos usuários que precisam ter um computador para o trabalho ou estudo que seja leve e com boa autonomia de bateria.

Jamais ele deve ser visto como o computador principal de ninguém e, definitivamente, aconselho que você pense umas dez vezes antes de adquirí-lo tal e como ele foi concebido. O processador Intel Celeron N3050 pode ser insuficiente para o Windows 10 Pro (dependendo da finalidade que o usuário quer dar para o produto), sem falar que o sistema não foi feito para extrair o máximo de desempenho de uma eMMC.

Considere todos esses fatores antes de fazer um investimento em definitivo.