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Mais um review de produto de tecnologia. Desta vez, falo do mais novo membro da família de gadgets que pinta por aqui para ser esmiuçado e analisado: o smartphone Nokia E51. Por tudo o que foi falado dele, e por ele ser um dos mais baratos dentro de sua categoria, resolvi investir um tempo (e algum dinheiro) nele para ser uma das minhas principais ferramentas de meu trabalho. E, desde já, digo que não tenho do que me arrepender.

Ele vem em uma caixa bem maior do que os outros aparelhos convencionais (mesmo porque vem com mais itens). Teve muita gente que, em outros reviews, achou esta caixa meio desproporcional para um produto como esse, mas eu não achei. Talvez o pessoal poderia reclamar do tamanho do manual do aparelho. Tudo bem, vem todos os detalhes dos diversos recursos do smartphone, mas um manual com mais de 100 páginas? Bom, de qualquer modo, acho que a Nokia está aprendendo um pouco, lançando o manual em PDF (ou sendo mais concisa em suas descrições. Se bem que riqueza de detalhes nunca é demais.

Ok, vamos logo falar do aparelho. Já que falamos da caixa, o celular vem muito bem acondicionado, assim como todos os seus itens e acessórios.

Visto de longe, ele é um aparelho de estética simples, sem muitos chamativos, ideal mesmo para os usuários corporativos. Mais um smartphone para aqueles que não querem chamar muita atenção na rua, ou no restaurante, ou nas suas saídas para lazer. E, justamente por ter esta aparência simples é que ele agrada, pois quem o usa, sabe muito bem o poder que ele tem. Sua cor em black piano o deixa mais elegante ainda, e atrai menos marcas de dedo do que eu imaginava. Porém, é um chamariz de poeira, fios e derivados.

Ele possui teclas laterais de controle de volume (para as chamadas e para o player musical), além da tecla hold (de espera de chamas) e tecla para acionamento rápido do gravador de voz. Tenho que reconhecer que estas teclas de acesso são um bocado duras de se apertar (poderiam ser um pouco mais flexíveis), porém, isso acaba dificultando eventuais acidentes, como acionar estas teclas por engano. Se bem que, insisto, acho que se preocuparam demais com isso.

Sua câmera tem resolução de 2 MP. Mais uma vez, lembro aqui que, comparado à uma câmera de verdade, ela deixa a desejar, mas se seu objetivo é o registro de algo no momento, ou para coisas simples, como enviar fotos no Orkut/Flickr, ou postagens em blogs, esta câmera quebra bem o galho. Fotos à noite, nem pensar (neste caso, é melhor filmar do que fotografar) e, no que se refere à sua câmera de vídeo, ela filma em resolução de 320 x 240, com 15 FPS. Por incrível que pareça, eu achei a parte de filmagem dela melhor do que a do Nokia 6120c, com a parte de se lidar com a mudança de frames um pouco melhor do que a do 6120. Como o forte deste smartphone é sua versatilidade em se lidar com os dados, não é de se surpreender que, neste aspecto, ele possa decepcionar a alguns. A mim, não, e para muita gente que só quer mandar seus vídeos para o YouTube, está de bom tamanho.

Devo aqui lembrar que uma boa câmera de celular para gravação de vídeos é toda aquela que tenha, no mínimo, 640 x 480 píxels de resolução, com, pelo menos, 25 FPS. Um bom exemplo disso é a câmera do Nokia N95, que produz vídeos com uma qualidade muito boa (levando-se em conta que é uma câmera de um smartphone).

Outra coisa que merece um grande destaque: sua tampa traseira. Tá, pode parecer pouco usual falar disso, mas é meio que histórico que os usuários de aparelhos Nokia tenham os mais diversos problemas com a tampa traseira que, geralmente, possuem encaixes de plástico frágeis, que, pelo uso, acabam se desgastando, e deixando folgas ao quebrar (e aí a gente tem que apelar para o papelzinho entre o teclado e a bateria). Neste aqui, não. É a melhor tampa traseira que encontrei até hoje: é feita de metal inoxidável, com um acabamento em auto relevo, e com um encaixe perfeito. Um ponto meio desagradável é que o slot para cartão microSD não é hot-swap (ou seja, não é de troca rápida), pois fica na parte interna do aparelho, precisando remover sua tampa (e, em alguns casos, a bateria também) para se efetuar a troca do cartão.

Como estamos falando de um smartphone com sistema Symbian S60, recursos é o que não faltam para ele. No Nokia E51, o conceito de multi tarefa se faz bem mais presente e efetivo do que no Nokia 6120c, pois neste, quando você abre vários aplicativos, eles realmente ficam rodando em segundo plano, e o aplicativo só se encerra quando você executa o comando de saída em seu teclado (ou aperta o botão de encerrar chamada). Isso é bom, pois, em muitos casos, os usuários precisam se habituar ao aparelho, aprender como ele trabalha, ou simplesmente precisa adicionar itens novos na agenda de compromissos ou de contatos, e é desagradável que, apenas por apertar uma tecla errada, você acabe tendo que iniciar o aplicativo novamente para recomeçar o que estava fazendo.

Bom, programas não vão faltar para ele, e o que eu recomendo fazer, em particular, é que atualize quando for possível, a versão da firmware do aparelho. Por um simples motivo: estabilidade de execução dos programas. Tudo bem, você sempre tem a opção de hackear o aparelho? Claro que sim. Só não recomendo muito que o faça. Como já havia falado no review do 6120, programas gratuitos para esta versão de sistema Symbian é o que mais tem por aí, logo, não vejo muito o porquê de um hackeamento, que, se não for bem feito, pode sim comprometer a integridade de todo o sistema de arquivos do aparelho. É melhor deixá-lo atualizado e não tentar fazer loucuras com este smartphone. Apesar de ser um aparelho mais barato em relação aos seus concorrentes, ainda considero o Nokia E51 um produto “caro demais” pra fazer malabarismos com ele (isso, comparado ao Nokia 2660, ou Nokia 1100).

Seu teclado tem teclas emborrachadas e macias e de tamanho médio, o que facilita um bocado a digitação para aqueles que tem dedos mais grossos. É claro que você pode ter alguns problemas para adaptação, pois as duas teclas de atalho são um pouco pequenas demais comparadas a outros modelos, além do botão de backspace/cancelar, que está bem abaixo dos direcionais, que também pode atrapalhar um pouco ao usar o direcional para baixo e o número 2, mas isso não chega a ser um grande problema, pois, como disse antes, é uma simples questão de adaptação.

Uma grande vantagem que este aparelho tem são as teclas de atalho para os itens mais usados para a maioria dos usuários: calendário de compromissos, agenda de contatos e envio de mensagens (de texto, de MMS e e-mail), o que dá várias possibilidades do usuário colocar na tela principal atalhos para outros aplicativos igualmente importantes (isso para cada usuário).

Aqui devo também ressaltar a experiência com o WiFi. A recepção deste aparelho é muito boa, com uma ótima identificação de redes Wireless abertas e protegidas. Se conecta bem e permite uma boa navegação na internet. Aqui também segue aquela velha recomendação de se instalar o Opera Mini, e de alguns aplicativos que facilitem esta conexão nas redes sem fio, de forma automática (procurem pelo programa WeFi, pois ele pode ajudar bem a sua vida neste aspecto).

Por fim, minha opinião final sobre o Nokia E51: APROVADO. Um aparelho voltado sim para o público corporativo, mas discreto e funcional, tanto quanto os aparelhos convencionais. Para quem não pode pagar o mesmo valor de um Nokia E63, ou de um N95, mas quer ter os mesmos recursos, além de desfrutar das vantagens da rede sem fio, é uma excelente pedida.