Talvez este seja um dos reviews mais esperados pelos leitores do TargetHD.net, e até mesmo por mim, que esperava testar esse smartphone. Vendo de longe o Motorola RAZR i é uma proposta bem interessante: um smartphone Android, com processador Intel single core, mas que se comporta como um dual core, fazendo até com que o sistema operacional o identifique assim. Como será que isso tudo funciona junto? Será que ele é mesmo o melhor Android de linha média do mercado?

Nesse review, vou tentar nos focar nisso: na experiência geral do produto, e sobre suas possibilidades. Tentar responder essas e outras perguntas dos usuários, e passar o máximo de impressões possível sobre esse modelo, que chega ao mundo como a primeira real investida da Intel no mercado mobile. Devemos sempre lembrar que a própria Motorola o qualifica como um modelo de linha média, e é assim que vou considerá-lo durante toda a análise. Logo, não adianta perguntar se ele é melhor ou não que modelos como o Motorola RAZR HD, o Samsung Galaxy Nexus, o Samsung Galaxy S III ou o HTC One X, pois a resposta é “não”.

Estamos mais uma vez diante de um smartphone que não possui botões físicos na sua parte frontal. Isso vem sendo uma tendência entre os modelos de smarts Android, não apenas para se diferenciar do iPhone e derivados (modelos que “se inspiram” no iPhone em seu design), mas também para aproveitar melhor o tamanho da tela. No caso em especial do Motorola RAZR i, eles foram muito bem sucedidos nessa proposta, colocando uma tela de 4.3 polegadas em um telefone que não é tão grande assim, e com uma espessura que o deixa confortável na mão, oferecendo um bom agarre.

Na parte frontal do aparelho, seguindo a tendência dos outros modelos da linha RAZR, poucos detalhes, como a marca da Motorola adornando a parte superior, próxima ao alto-falantes, além da câmera frontal para videochamadas.

A parte frontal do smartphone só não é uma tela perfeita por causa da sua parte inferior, que protege o microfone do dispositivo. Se não fosse isso, poderíamos estar diante de um modelo como o Galaxy Nexus: uma tela única, como uma perfeita peça de tecnologia.

Estamos diante de mais um smartphone que não é tão espesso quanto se imagina. Ok, ele não é ultrafino como os modelos “top” do mercado, mas em compensação, cria menos volume no bolso do que modelos como o iPhone 4, que mais uma vez, serviu de parâmetro para nossa comparação de dimensões do telefone em análise. Abaixo, algumas imagens dos dois smartphones podem ilustrar melhor suas diferenças dimensionais.

Contando quase com a mesma espessura do iPhone, o RAZR i é mais leve (126 gramas), graças à sua estrutura externa e os materiais adotados para a fabricação do produto.

Outro bom benefício do RAZR i é que o seu tamanho é quase todo aproveitado no que realmente importa: a tela. Ou seja, ele é pouca coisa maior que o iPhone, e abrigando uma tela maior. Com isso, a impressão visual que temos é que o modelo da Motorola é menor que os seus equivalentes com a mesma tela, mas na prática, ele acaba não sendo. O que foi feito é uma otimização do espaço da estrutura do aparelho para que todos os seus componentes fiquem dispostos em uma área total de tamanho reduzido. E esse é um trunfo muito bem aplicado pela Motorola nesse modelo.

Na lateral superior direita, temos o botão de liga/desliga e bloqueio de tela do RAZR i, com acabamento metálico, além dos botões de controle de volume, feitos de um material plástico, acompanhando o acamamento da lateral do telefone.

Na parte inferior, temos o botão de acionamento da câmera do smartphone. Esse é um dos grandes destaques do aparelho, mesmo levando em consideração que é um modelo de linha média. É até um dos mais relevantes diferenciais do RAZR i para os seus concorrentes, mas eu falo disso mais para frente.

Na parte superior, temos apenas o conector para fones de ouvido, no padrão de 3.5 mm. Sem muitos detalhes de acabamento aqui.

Na lateral superior direita, temos os slots para os chips SIM e para o cartão microSD. Aqui, devidamente protegido pelo seu protetor…

… que uma vez aberto, tem essa aparência. Uma solução mais simples do que uma gavetinha de metal (como encontrada em outros modelos), mas tão funcional e eficiente quanto, além de preservar a estética do telefone, e a praticidade do usuário na hora de inserir esses elementos no telefone.

Na parte inferior, temos o conector para o cabo microUSB, para recarga de sua bateria e transmissão de conteúdos do smartphone para o PC.

Na parte inferior do RAZR i nós temos… não, não temos nada.

Visão geral da parte traseira do produto. Também seguindo a tendência dos lançamentos anteriores da linha RAZR, o RAZR i conta com a mesma proteção traseira em Kevlar, mas diferente de algumas versões, esse revestimento não está disposto exatamente na extremidade inferior do smartphone. Observem que na parte traseira do telefone, podemos notar que a borda lateral traseira possui um relevo, onde faz com que a área de contato com a palma da mão ao segurar no telefone não seja 100% no Kevlar. Pode ser apenas uma escolha estética, mas é uma diferença, que ao meu ver, foi adotada para reduzir a quantidade do material a ser utilizado na parte traseira do telefone, para reduzir os custos de produção do telefone. Mas isso é apenas uma teoria, ok?

Sua câmera de 8 megapixels está posicionada no centro do aparelho, o que ajuda na hora de registrar fotos e vídeos, uma vez que as chances do seu dedo ficar na frente da lente ou do flash LED diminui consideravelmente. É uma câmera mais simples que a encontrada no modelo RAZR HD, e isso é mais do que esperado. Mas, de novo, se comparado aos modelos com os quais ele concorre (smartphones Android de linha média), a câmera presente no RAZR i possui mais recursos e funcionalidades. Também abordaremos isso daqui a pouco.

Intel Inside… falemos desse detalhe em breve.

Aqui, a proteção em Kevlar do RAZR i, vista mais de perto. Algumas pessoas reclamaram que a parte traseira do smartphone esquenta demais depois de algum tempo. Nos meus testes, percebi que sua temperatura na parte traseira aumenta um pouco mais do que o desejado quando ele rodou por muito tempo jogos e vídeos em formatos mais pesados (H.264). Mas, mesmo assim, em níveis relativamente aceitáveis (de fato, algumas pessoas podem se incomodar com isso). Em um uso regular (acesso à web, leitura de e-mails, navegação nas redes sociais, etc), ele esquenta, mas não chega a ser algo insuportável.

Hora de ligar o smartphone.

A Motorola tomou a sábia decisão de manter a mesma interface Android do RAZR HD, mantendo o baixo índice de customizações. O resultado? Um Android praticamente puro, bem leve e funcional, que vai trabalhar bem com as características de hardware propostas no RAZR i.

Logo, não há muitas novidades para falar sobre essa interface. É exatamente tudo aquilo que já foi visto no review do RAZR HD. O que posso dizer é que ele está bem ajustado para o RAZR i, com uma boa performance e com uma funcionalidade bem aceitável para um modelo com processador single core.

O modelo mantém os HUBs de relógio, previsão de tempo e configurações em forma de disco…

… a tela de acesso às configurações rápidas, com acesso através de uma tela dedicada em slide (da esquerda para a direita)…

… e a tela para adição rápida de páginas de aplicativos.

Aqui, temos um dos detalhes mais discretos do Motorola RAZR i, mas ao mesmo tempo é um daqueles que mais chama a atenção no produto. A sua borda de tela é praticamente minúscula. Isso mostra como eles aproveitaram bem o espaço de tela, reduzindo assim as dimensões do smartphone de forma considerável. Isso faz com que o modelo pareça ser menor do que os seus concorrentes, mas mantendo o mesmo tamanho de tela de 4.3 polegadas.

A tela do RAZR i é de Super AMOLED Advanced qHD (540 x 960). Apesar de ser inferior aos modelos considerados “top” de linha, na maior parte dos casos, não se percebe imperfeições e serrilhamentos nos gráficos exibidos pelo smartphone. Bom, para a maioria dos usuários, isso não vai ser um problema. Os mais exigentes só vão buscar outras opções se realmente quiserem telas melhores ou com uma resolução HD. E isso só será encontrado em modelos com especificações mais elevadas.

Antes que eu me esqueça: mais uma vez, estamos falando de um smartphone com sistema operacional Android 4.0.4 (Ice Cream Sandwich). Apesar da interface de usuário contar com elementos gráficos semelhantes ao Android Jelly Bean, isso não quer dizer que a versão do sistema seja necessariamente a versão mais alta. Alerto isso, pois em reviews anteriores, muitos leitores caíram nesse erro de acreditar que estamos falando de uma versão que não a descrita em fotos ou vídeos.

Falando um pouco sobre o desempenho geral do smartphone. O Motorola RAZR i conta com um processador Intel Atom de 2 GHz, com apenas um núcleo de processamento. Mesmo assim, por causa de sua arquitetura, o Android o identifica como um processador de dois núcleos, tornando assim o telefone compatível com recursos e funções avançadas. É claro que isso não foi feito por acaso: Motorola, Intel e Google trabalharam em conjunto para alcançar um denominador comum, produzindo um smartphone com um desempenho muito bom, levando em conta que ele não possui um processador dual core.

Sendo mais objetivo: o RAZR i, em termos de desempenho, não deve nada aos modelos que a Motorola o posiciona como concorrentes (como o Samsung Galaxy S II Lite, o Sony Xperia U, entre outros), e oferecendo até algumas vantagens em termos de performance. Esse processador Intel Atom permite que o usuário faça melhor algumas atividades que os seus concorrentes, principalmente na parte de entretenimento, outro fator considerado importante pelos consumidores.

Uma dessas vantagens está nas propriedades de sua câmera. Nem tanto pelo sensor de 8 megapixels, que tem como principal problema produzir fotos razoáveis para momentos casuais, mas que contam com considerável quantidade de ruído em cenários com baixa luminosidade. Mas sim, pela gama de recursos oferecidos. É sempre bom lembrar que essa câmera é capaz de gravar vídeos a 1080p @ 30 FPS no formato H.264 e áudio AAC, o que é uma vantagem deveras considerável em relação aos adversários. Pouquíssimos smartphones de linha média contam com um conjunto tão completo nesse aspecto.

Além disso, essa câmera possui recursos fotográficos encontrados em modelos avançados, como o próprio RAZR HD, como o recurso de HDR, que oferece uma melhor foto através da comparação de imagens capturadas, e o modo de captura “várias fotos”, que consegue fazer o disparo de até 10 imagens em menos de um segundo. No vídeo review que fizemos do RAZR i (no final desse post), você poderá ver esse recurso em ação, que é algo muito bem vindo para quem quer capturar cenas em movimento.

É claro que nem tudo são flores. Como estamos falando de um telefone da linha intermediária, a câmera frontal do RAZR i possui resolução VGA. Ou seja, é um “quebra galho” para suas chamadas em vídeo. É mais para dizer que você tem o recurso ao seu dispor.

O RAZR i já conta com todos os principais aplicativos do Google pré instalados, facilitando a vida dos usuários novatos no mundo dos smartphones. Também, não é pra ser diferente: afinal de contas, a Motorola Mobility é uma empresa do Google. Além disso, durante os testes, não percebi nenhum tipo de incompatibilidade com os aplicativos que mais utilizo no Android no dia a dia (entre mais de 50 aplicativos instalados). Já ouvi relatos de apps que não rodaram com esse processador Intel Atom, mas acredito que, com o passar do tempo, os programadores vão adaptando esses aplicativos para que rodem de forma adequada no RAZR i. Mas posso dizer que o índice de incompatibilidade é, por enquanto, relativamente pequeno (mas, é claro, o resultado pode variar, de acordo com o seu perfil de uso).

Na parte de vídeos, ele é capaz de reproduzir vídeos em HD com a tela cheia, e nos testes feitos com vídeos de diferentes formatos (MP4 e H.264), a sua performance na reprodução foi bem satisfatória e fluída, sem travamentos percebidos. Além disso, pelas dimensões do aparelho, o dispositivo é de agradável agarre para ver vídeos por várias horas. sem causar cansaço nas mãos.

Por fim, algo que me foi solicitado lá no canal de vídeos do TargetHD no YouTube: como o RAZR i se comporta com jogos?

Para esse teste, utilizei o jogo “Shrek Kart”, que veio pré-instalado na unidade que recebemos para testes. É um jogo com gráficos tridimensionais, e que exigem uma certa demanda de hardware, o que já dá para ter uma boa impressão de como ele desempenha essa função. E o RAZR i não decepcionou nesse aspecto.

Podemos dizer que sua performance com o jogo foi melhor que o esperado. Não dá para comparar com um modelo com processador dual core ou quad core, mas se podemos ilustrar melhor como é o seu desempenho, ele é melhor do que muitos jogos que executei em testes com o Xperia Play, que “teoricamente” é pensado nos games. Logo, acredito que os usuários mais casuais vão poder se divertir de forma satisfatória com os jogos no smartphone da Motorola. Se você é um gamer mais exigente, é melhor procurar um modelo mais potente.

Assim como na parte de vídeos, os jogos também são reproduzidos em tela cheia (desde que eles sejam desenvolvidos com essa resolução de tela, é claro).

Como o jogo funciona com o auxílio do acelerômetro do smartphone, posso dizer que a resposta foi dentro do esperado, com uma resposta boa na maioria dos casos. Na reprodução de frames, ainda é possível perceber pequenos intervalos na exibição dos gráficos. Mas, como disse antes, ele possui uma melhor performance que o Xperia Play, e eu já considero esse detalhe como um saldo positivo.

No vídeo review do RAZR i, você vai poder ver melhor como é esse desempenho em jogos, e do smartphone como um todo.

Conclusão

O Motorola RAZR i está APROVADO. É o melhor smartphone Android de linha média que o seu dinheiro pode comprar. Mesmo sendo relativamente mais caro que alguns de seus concorrentes (preço oficial de R$ 1.299, mas pode ser encontrado por R$ 1.169, se adquirido via boleto bancário), oferece vantagens que justificam o seu preço: Android 4.0.4 (com grandes chances de receber ao menos o Android 4.1 Jelly Bean – nada oficial, mas pelo menos a Motorola estuda o assunto), câmera de 8 megapixels com recursos avançados, uma boa tela qHD de 4.3 polegadas e um processador eficiente para as atividades mais comuns. Para quem não pode adquirir um Android top de linha, essa é a escolha a ser feita.

Abaixo, o review em vídeo do Motorola RAZR i.