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Um dos modelos mais procurados pelos leitores do TargetHD nesse final de 2013, e uma das melhores relações custo/benefício do mercado brasileiro. Essas são as credenciais do Motorola Moto G, o último lançamento da Motorola no seu portfólio de smartphones. Um modelo de linha média, com características de produto top de linha. E é o smartphone que vamos analisar nesse post.

A assessoria de imprensa da Motorola Brasil enviou para nós uma unidade da versão de 8 GB dual SIM do Moto G para testes e reviews. Exceto pela diferença de capacidade de armazenamento, entendo que o comportamento geral e as características desse modelo são similares em todas as suas versões. Logo, se você pretende comprar o modelo com 16 GB de armazenamento (Colors Edition ou Music Edition), você terá a mesma experiência de uso e características da versão que será analisada nesse post.

Mas, antes desse review começar, lançarei a pergunta: será que o Moto G é mesmo o melhor smartphone de linha média que o seu dinheiro pode comprar? Guardem essa pergunta. Você mesmo vai respondê-la depois de ler na íntegra esse review.

Características Físicas

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Vendo de longe, você não é capaz de dizer se esse smartphone é o Moto G ou o Moto X. Esteticamente, os dois são realmente muito parecidos, o que é um ponto muito positivo para o produto. Afinal de contas, o design do Moto X é muito elogiado pelos seus usuários, por ser simples, elegante e de agarre agradável. Logo, o Moto G herda todas esses aspectos naturalmente. Da mesma forma, a maioria dos elementos físicos do dispositivo são os mesmos do Moto X.

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A disposição dos botões físicos na lateral direita (botão de liga/desliga e bloqueio de tela, e botões de controle de volume), deixando a lateral esquerda livre. Assim como o conector para fones de ouvido na parte superior…

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…e a porta microUSB, na parte inferior.

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As diferenças físicas entre os dois smartphones começam a ficar visíveis quando olhamos para a parte traseira do smartphone. O Moto G possui uma carcaça traseira de plástico removível, que dependendo da cor escolhida, pode sim deixar algumas marcas de dedos decorrentes do uso. Obviamente, não testei as capas da versão Colors Edition (já que não foi a versão que recebi para testes), mas já li relatos na internet que tal característica fica mais clara na capa na cor preta.

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Além disso, você vai precisar de uma boa dose de paciência para retirar a capa traseira do Moto G. É um processo realmente complicado e até doloroso. Se as suas unhas estão bem cortadas, vai ser bem difícil retirar essa tampa traseira. Sem falar que o esforço dispensado para tal tarefa pode resultar em eventuais quebras nas linguetas internas da tampa, o que pode causar problemas futuros na hora de manter o encaixe dessa tampa no dispositivo.

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Mas aqui, temos duas boas notícias: 1) você sempre pode comprar uma nova tampa traseira para o telefone; 2) você não vai ficar colocando e retirando essa tampa traseira constantemente.

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Outra diferença visual do Moto G para o Moto X é que o primeiro possui o alto-falante traseiro posicionado do lado esquerdo do usuário, enquanto que o segundo possui o alto-falante à direta da câmera. Além disso, o Moto G possui o LED de notificação (já que sua tela não é inteligente) e a câmera frontal à esquerda do usuário, enquanto que o Moto X posiciona a câmera do lado direito do dispositivo.

De um modo geral, o dispositivo é muito bem construído, com uma aparência de solidez para o usuário. Foi um belo trabalho da Motorola nesse aspecto. É um produto que não é tão pesado para se levar no bolso (130 gramas), e possui um agarre muito bom para os diferentes tipos de uso.

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Tela

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O Motorola Moto G possui uma tela de 4.5 polegadas, com resolução HD (1280 x 720 pixels, 329 pixels por polegada). Segundo a Motorola, é uma tela “com resolução melhor que a do iPhone”. De fato, tecnicamente, é: é uma tela maior, com maior resolução, e maior densidade de pixels. E o resultado na prática é muito positivo.

A tela do Moto G é realmente muito boa. Os gráficos são exibidos de forma plena, sem deformações de ícones ou serrilhados. Para quem deseja utilizar o smartphone para o entretenimento (vídeos, jogos, etc), vai ficar bem satisfeito com a capacidade de exibição das imagens. Tudo bem que é mais uma tela que atrai rapidamente as marcas de dedo com um uso constante, mas nesse caso, é seu dever você instalar uma película protetora, não mesmo pela proteção contra riscos (é preciso, mesmo com a presença da película Corining Gorilla Glass), mas também para evitar que a tela do seu dispositivo fique engordurada.

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Aparentemente, a tela do Moto G apresenta cores menos saturadas que o Moto X, e isso se dá por conta do material adotado na tela do modelo de linha média da Motorola. Enquanto a tela do Moto X usa o AMOLED como material, o Moto G possui uma tela LCD, o que resulta nessa menor saturação e, por tabela, cores menos fiéis, mais frias e com menor contraste.

Por outro lado, tais diferenças só serão percebidas se você colocar os dois dispositivos lado a lado.Para quem nunca se deparou com um Moto X na vida, ou não considera esses detalhes relevantes o suficiente na escolha, essas características da tela LCD passam completamente desapercebidas, e não são fatores determinantes para descartar o Moto G. A tela do smartphone continua sendo excelente.

Bem melhor do que qualquer um de seus concorrentes de preço.

Sistema Operacional e Interface de Usuário

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O Motorola Moto G conta com o sistema operacional Android 4.3 Jelly Bean, e já tem a atualização para a versão 4.4 KitKat prometida para janeiro de 2014. A interface de usuário do smartphone é aquela que chamamos de “Android (quase) puro”, com poucas adições e modificações da Motorola.

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Nesse sentido, a experiência que o usuário vai receber no aparelho é muito similar ao que encontramos no Moto X, com a diferença que no Moto G você não vai encontrar os recursos inteligentes do Moto X (tela inteligente, comandos de voz, comandos por movimento, etc).

Logo, posso dizer que o usuário vai encontrar um smartphone com uma usabilidade plena, com transições suaves, sem engasgos ou lags. O conjunto hardware + software do Moto G está muito bem ajustado para o uso diário, com uma performance praticamente impecável, o que é um ponto muito positivo para o dispositivo.

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Uma das principais diferenças na interface de uso do Moto G está no menu para os dois slots para SIM cards. Ele fica acessível ao usuário no atalho de abas de notificações, e possui uma área única para gerenciamento das suas configurações. Através dessa tela, você pode ajustar não só o funcionamento das linhas, mas também o controle de chamadas e mensagens por cada chip, além do controle de dados e do tipo de conexão de cada linha.

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Fora isso, não há maiores destaques a serem assinalados nesse quesito. Para os usuários que desejam obter uma experiência Android próxima daquela que o Google entende como ser a ideal (muito próxima do Android puro, nesse caso), o Moto G é a sua escolha.

Qualidade de Áudio e Chamadas

A qualidade de reprodução de áudio do alto-falante traseiro do Motorola Moto G é mediana. Não é tão alto no seu volume quando alguns desejam, mas é em um volume audível, dependendo do toque adotado pelo usuário para chamadas e alarmes. Entendo que o volume é (e não surpreende esse aspecto) tão audível quanto o do Moto X, o que deve ser considerado algo satisfatório para a maioria dos usuários.

O mesmo acontece com o alto-falantes para chamadas. O volume é considerado o ideal para a maioria dos usuários compreenderem a pessoa que está do outro lado da linha, até mesmo em ambientes com relativo volume de ruído. O microfone integrado no smartphone aparentemente é competente o suficiente para que a pessoa do outro lado ouça a sua voz sem maiores problemas.

O modelo enviado para testes foi o dual SIM de 8 GB de armazenamento. Pelo menos no modelo enviado para testes, as duas linhas funcionaram sem maiores problemas, com boa qualidade de sinal e conectividade.

Internet

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O Moto G se vale das conectividades WiFi e 3G para acesso à web, algo mais do que esperado para um dispositivo desse porte. Com alguma sorte (e dependendo do plano de internet que você utiliza), é possível obter alguma conectividade em HSPA+ (ou 3G Plus, dependendo da operadora), que já dá uma bela ajuda na exibição de páginas e acesso às redes sociais.

De um modo geral, não foram registrados problemas de navegação, queda de sinal de rede ou dificuldades no acesso aos recursos conectados. Nesse aspecto, tudo aconteceu dentro do esperado, levando em consideração as características do produto.

GPS

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Mais uma vez, a Motorola repetiu o bom trabalho do Moto X com o GPS do Moto G. Por contar com os sistemas GLONASS e A-GPS, o posicionamento do GPS é mais rápido e preciso, produzindo ótimos resultados.

De forma nativa, o Moto G não traz o aplicativo de navegação pré-instalado, mas isso não impede que o usuário instale aquele aplicativo que melhor atenda as suas necessidades. De qualquer forma, durante os testes com recursos como Foursquare e Google Mapas, o sistema de localização funcionou de forma perfeita. Para quem precisa transformar o smartphone em um GPS em algumas ocasiões, não deve ficar decepcionado com o Moto G nesse aspecto.

Câmera

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O Moto G possui uma câmera traseira de 5 megapixels, que é considerada “OK”. Se pensarmos que nenhum smartphone na sua faixa de preço possui uma câmera que vai além do mediano, podemos dizer que a câmera do novo smartphone da Motorola está na média. É claro que poderíamos esperar um pouco mais (uma vez que todo mundo está tirando fotos a qualquer momento, em qualquer lugar), mas ainda não chegamos nesse ponto.

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A interface de software é a mesma do Moto X, com algumas pequenas modificações. A transição do modo câmera para o álbum de fotos está mais rápida, e o recurso de foco com o deslizar de um dedo está presente. Essas são duas características que colocamos na conta do Android 4.3 Jelly Bean, e que também estão presentes no Android 4.4 KitKat, que oferecem uma experiência de fotos mais prazerosa e eficiente.

De novo, tenho que ressaltar que as fotos produzidas pelo seu sensor são medianas. Para quem não coloca a câmera como prioridade, isso não será um grande problema. Logo, leve em consideração que é uma típica câmera de um smartphone de linha média.

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O mesmo se aplica à câmera frontal de 1.3 MP. Ela se faz mais eficiente para eventuais videochamadas, e até alguns “selfies” (essa palavra está na moda) sem compromisso. Mas não espere uma qualidade de imagem elevada. Talvez ela ainda seja um pouco melhor do que as câmeras frontais de alguns de seus concorrentes, que possuem uma resolução menor e uma qualidade de imagem pior do que essa demonstrada pelo produto da Motorola.

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Games

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De forma quase surpreendente (ou não, se levarmos em conta as suas características de hardware), o Motorola Moto G foi muito bem nos jogos. Para começar, a sua tela de 4.5 polegadas em HD (1280 x 720 pixels) garante uma reprodução dos gráficos com alta qualidade. Sua GPU Adreno 305 não é a mais potente do mercado, mas também não faz feio, e oferece um desempenho muito bom mesmo em jogos com gráficos complexos. E a presença de um processador quad-core Qualcomm Snapdragon 400 é decisivo em um desempenho que considero excelente para um produto do seu porte.

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Nos testes realizados, o Moto G conseguiu reproduzir jogos com gráficos pesados sem maiores dificuldades. Tudo bem que em alguns títulos, os gráficos foram automaticamente simplificados (como no caso de Real Racing 3, onde o próprio jogo detecta as especificações do dispositivo, e ajusta a exibição gráfica de acordo com os recursos de hardware disponíveis, para garantir o melhor desempenho possível). Mesmo assim, a experiência de jogo é plena.

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Sem lags, sem engasgos, sem comprometer o desempenho do jogador durante as partidas. Para um smartphone com preço inicial sugerido de R$ 649 (ou até menos, dependendo da promoção dos e-commerces nacionais), é uma excelente notícia. E, sem medo de errar: para quem quer jogar no smartphone, o Moto G é aquele que vai entregar a melhor experiência nos games, dentro da sua faixa de preço.

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Multimídia

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O Moto G oferece os mesmos aplicativos padrão do Android para vídeos e músicas (Google Play Filmes e Google Play Música), obrigando o usuário a buscar soluções em outros softwares para atender essas necessidades em específico. Ou seja, não há muito o que dizer nesse aspecto.

O desempenho do smartphone para essas tarefas fica dentro do esperado. De novo, ter um hardware robusto e uma tela em HD ajuda e muito na hora da reprodução de vídeos em alta definição. Nesse aspecto, o smartphone oferece bons resultados, sem problemas de travamentos ou engasgos.

Talvez o único ponto negativo desse aspecto está no fone de ouvido que acompanha o pacote de venda do smartphone. São fones padrão, com baixa qualidade de áudio, e que obriga automaticamente um investimento na aquisição de fones de melhor qualidade. Por outro lado, temos sempre que lembrar que estamos diante de um smartphone de baixo custo, logo, não é surpresa encontrar um fone com essa característica. Mesmo assim…

Também entendo que outro fator que prejudica e muito os fãs de vídeos e músicas nos smartphones está no restrito espaço para armazenamento. Mesmo no modelo com 16 GB, o Moto G não possui slot para cartões microSD, limitando o armazenamento do dispositivo. Ou seja, ou você escolhe muito bem o que será armazenado no smartphone, ou começa a pensar seriamente em consumir músicas e vídeos em serviços de streaming.

Bateria

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Aqui está mais um trunfo do Moto G. A sua autonomia de bateria é realmente muito boa, com uma administração de consumo e recursos muito competente. Um dos motivos para isso é a presença do Android 4.3 Jelly Bean, que consegue gerenciar melhor as funcionalidades do Android, corrigindo alguns problemas presentes na versão 4.2.2.

O resultado é que a bateria de 2.070 mAh consegue sobreviver tranquilamente ao dia completo de uso intenso, com WiFi ativo o tempo todo, 3G em momentos ocasionais, tela ativa com redes sociais e e-mails, músicas e alguns vídeos. Em standby, o Moto G é um monstro, o que reforça a tese de sua autonomia de bateria ser excelente.

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É claro que o consumo da bateria é acentuado quando atividades que exigem mais do processador, GPU e RAM são executadas, como vídeos em HD armazenados no smartphone e games. E, mesmo assim, essa autonomia ainda pode ser satisfatória para quem vive jogando no dispositivo.

De um modo geral, a bateria do Moto G vai atender as necessidades da maioria dos usuários. Ou pelo menos uma das mais importantes: não ficar sem bateria no smartphone antes que o dia acabe.

Desempenho

Usar o Motorola Moto G por duas semanas foi uma experiência excelente. A Motorola acertou de novo em oferecer um produto com preço competitivo, com especificações técnicas interessantes, e um desempenho final muito bom. Levando em consideração a sua faixa de preço, o Moto G é, hoje, a melhor relação custo/benefício no mercado de smartphones de linha média. Nenhum modelo disponível entre os concorrentes em sua faixa de preço consegue oferecer um conjunto tão equilibrado, com performance e experiência de uso otimizada.

Alguns podem alegar “o Nexus 4 é bem melhor que o Moto G, e custa quase a mesma coisa”. Ok. Porém, essas mesmas pessoas se esquecem de analisar questões pontuais. Para começar, são produtos diferentes, com públicos diferentes e características diferentes.

Vale lembrar que o Moto G possui algumas vantagens em relação ao Nexus 4, que são importantes para alguns consumidores, como os recursos personalizados da Motorola (Migração Motorola, Assist, Moto Care, etc), é um aparelho com dois slots para SIM cards (muita gente quer e precisa disso), uma autonomia de bateria melhor que a do Nexus 4, alto-falantes com melhor qualidade, tela com maior densidade de pixels, entre outros fatores.

E tudo isso se converte em uma excelente experiência de uso para quem busca alguns itens específicos em um smartphone. Aliás, faz muito tempo que especificações de hardware não são os fatores mais decisivos para dizer se esse ou aquele produto é melhor que o outro. O que realmente importa é se o dispositivo em questão é competente o suficiente para oferecer uma experiência de uso competente e prazerosa. Nesse sentido, reforço a minha afirmação: entre os modelos de linha média, o Moto G é o melhor produto disponível no mercado nesse momento.

Conclusão

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O Motorola Moto G está APROVADO, com louvor. É um modelo que surpreende pelo ótimo desempenho, por manter a proposta estabelecida pelo Moto X, oferecendo um design e experiência de uso similares, e entregando ao usuário um resultado final melhor do que os seus principais concorrentes de preço. Os itens negativos do dispositivo são compensados com uma qualidade superior na construção do aparelho, e principalmente, na performance do conjunto hardware + software.

Com o Moto G, a Motorola estabelece o padrão a ser seguido pelos demais fabricantes no segmento de linha média. É o aparelho que recomendo dentro da sua faixa de preço. E cria uma perspectiva muito interessante do que está por vir em 2014.

Review em Vídeo

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