Antes de mais nada, vale um esclarecimento aos leitores do blog. Normalmente você veria um review sobre o aparelho, com fotos e vídeos detalhados, como é peculiar no TargetHD.net. Porém, infelizmente, perdemos as fotos tiradas do aparelho para esse review, e como isso aconteceu após a devolução do aparelho para a HTC, ficou impossível ter qualquer tipo de registro fotográfico desses testes. De qualquer modo, queremos aqui registrar nossas impressões sobre o HTC Legend, pois entendemos que as opiniões aqui expressadas podem ser importantes para consumidor e empresa, além do compromisso que temos com os leitores do blog em oferecer o máximo de informações possível em relação ao produto e/ou serviço testado.

Recebemos da HTC para testes o HTC Legend, aparelho que já está disponível lá fora, mas que ainda não tem previsão de chegada no Brasil de forma oficial. Testamos o aparelho durante o mês de outubro de 2010, onde ele pode ser analisado nas suas mais diversas funcionalidades. O kit que recebemos continha apenas o aparelho e um cabo USB, que teoricamente era o suficiente para deixar o aparelho funcionando nos dias dos testes, já que ele carrega pela conexão com o computador. Acredito que tenha mais itens que componham o kit original do aparelho, principalmente um carregador para rede elétrica. Na primeira vista ao aparelho, ele passa um ar de sobriedade e elegância, com um corpo metalizado, que teoricamente é menos suscetível a riscos em caso de queda. O aparelho quase não possui partes de plástico, tendo uma estrutura externa bem resistente. A tela também parece ser mais resistente a acidentes diversos, mas é sempre bom ter um certo cuidado para evitar que sua tela seja esmigalhada pelo seu peso (cuidado ao colocar qualquer tipo de smartphone no bolso traseiro da calça).

Um detalhe a ser observado é a sua tampa de proteção de bateria e cartões microSD e SIM card (a parte preta que você vai ver nas fotos). Eles resolveram utilizar um material emborrachado, ao invés de usar o plástico tradicional. Pouco acaba interferindo no agarre do aparelho, mas ao menos tende a deixar essa parte interna do aparelho mais protegida (teoricamente). Removendo esta proteção, você tem uma pequena proteção plástica, como se fosse uma pequena porta, que protege o acesso aos slots e a bateria. Resumindo: o acesso de sua bateria é relativamente simples, e caso o celular acabe travando por algum motivo (comigo aconteceu pelo menos uma vez), você pode simplesmente remover a bateria, colocar novamente e o Legend funcionará normalmente, sem maiores problemas.

Outro destaque que dou para o HTC Legend é para os seus alto-falantes, que são bem potentes, me dando alguns sustos quando o celular tocava durante a noite. Seu áudio dos falantes é alto o suficiente para que você ouça o aparelho tocando mesmo estando dentro da mochila ou da bolsa. Porém, o que eles colocaram nos falantes externos, retiraram nos falantes internos. Para mim, o volume de áudio para comunicação do aparelho é baixo, e fica difícil ouvir o interlocutor do outro lado se você estiver em um local com um grande volume de pessoas e/ou muito barulho (metrô lotado, no meio do engarrafamento, show de rock, etc). Com certeza, para os ouvidos mais exigentes, será uma dificuldade compreender o que a pessoa do outro lado está falando.

Mais um detalhe a ser observado é que, seguindo a tendência dos aparelhos touchscreen com Android,ele conta com apenas quatro botões físicos: Home, Menu, Voltar e Pesquisar. Mas, no caso do Legend, todos eles dispostos de forma bem elegante, condizendo com o design elegante do aparelho. Sem contar que ele conta com o trackpad (esse disco metálico que você vê no corpo do aparelho). Ele funciona bem na hora de fazer as transições entre as telas ativas do sistema, mas é mais útil quando utilizado para posicionar o cursor durante uma edição de texto. Está presente mais por ser um item “tradicional” da HTC pois, na prática, você quase não vai utilizar esta função no smartphone.

Um detalhe que particularmente me incomodou um pouco foi sobre sua bateria. Não pela autonomia em si, pois apesar de ser um pouco abaixo do que se tem na média (com uso intensivo, ele conseguiu trabalhar por pelo menos um dia e meio), nós bem sabemos que isso é normal nos smartphones, pela quantidade de recursos integrados no aparelho. O que me incomodou de fato foi o tempo que ele leva para fazer a recarga completa dessa bateria através da porta USB, que é acima das 4 horas, que é o que eu considero dentro do limite do aceitável. Talvez isso tenha acontecido justamente pela carga ser feita pela USB do notebook, e não pelo seu adaptador elétrico, mas se você vai precisar de uma carga mais rápida, recomendo que não conte com o seu computador para isso.

Ao ligar o aparelho, nos deparamos com sua interface Sense por cima do Android 2.1 que o Legend recebe. Muita gente pode achar que estas interfaces personalizadas podem descaracterizar o sistema operacional como um todo, deixando o Android sem uma cara “padrão”. Eu penso diferente: as interfaces são criadas para apresentar ao usuário uma experiência simplificada de uso, aumentando as chances de que pessoas que nunca trabalharam com um aparelho desse tipo de interessem a ponto de adquirir um. E, no caso específico do Legend, ele é um aparelho que realmente conquista pela facilidade de uso.Tudo muito fácil, prático e de acesso rápido, sem complicações. Com 7 telas de interface e aplicativos, você pode ter acesso aos recursos mais comuns e usados no dia-a-dia, como fotos, redes sociais, e-mail, previsão do tempo, mapas, entre outros. Tudo isso com um simples deslizar de dedos na tela. Aliás, a resposta ao toque na tela é muito boa (e o que tenho reparado cada vez mais é que a combinação tela AMOLED + tela capacitiva é realmente a melhor possível), tornando o acesso aos programas simples e prático, além de facilitar a digitação de textos diversos (apesar de achar, particularmente, que está sendo mais fácil a adaptação ao teclado do N8, mesmo sendo menor).

Outro ponto que merece destaque é o seu desempenho. E até difícil de se acreditar que o processador desse smartphone conte com um processador de apenas 600 MHz, 512 MB de ROM e 384 MB de RAM. E, nesse ponto, cai um mito: nem todo sistema operacional móvel exige um processador de 1 GHz. É claro que quanto maior a capacidade de processamento, melhor para o usuário, pois aumentam as possibilidades de uso. Mas o fato é que a maioria dos usuários não são usuários avançados, a ponto de ter que usar vários programas ao mesmo tempo, e explorar ao máximo os recursos do equipamento. Logo, o Legend tem mais do que suficiente para rodar o Android limpo, sem travamentos. E, caso o usuário precise de recursos um pouco mais avançados, pode contar com uma sobra técnica razoável.

O acesso à internet do aparelho é simples e prático, e seu navegador vai bem nas principais tarefas na web. Não encontrei a necessidade de buscar outro navegador, nem mesmo outros aplicativos para redes sociais. Os aplicativos nativos de Twitter e Facebook quebram bem o galho para você utilizar para tarefas simples, e para os usuários que não contam com muita intimidade com a tarefa de instalar aplicativos, podem ser utilizados os programas já nativos do aparelho. Porém, os usuários mais exigentes e experientes vão utilizar programas como o Twittdroid e o Tweetdeck, pela quantidade de recursos avançados que são encontrados nestes programas.

Outros destaques: seus sensores estão bem ajustados, principalmente o acelerômetro e o sensor de luminosidade, que aumenta ou reduz o brilho da tela de acordo com a luz do ambiente onde o usuário se encontra. Com isso, fica entendido que, quando o aparelho está no seu bolso (ou bolsa), ou no seu rosto, enquanto você está telefonando, a tela fica permanentemente apagada (e não piscando, como vi em alguns aparelhos iPhone 4). Seu WiFi funciona bem, com identificação de rede, mas com uma leve dificuldade para identificar a rede inicialmente, mas mais por erro meu do que por culpa do aparelho. Sua câmera de 5 MP tira fotos de boa qualidade durante o dia, mas no período noturno, e como as demais, deixa um pouco a desejar nas fotos noturnas, mas menos do que se espera. Ela grava vídeos também com boa qualidade (aliás, melhor do que a média da maioria dos celulares que temos hoje no mercado).

Por fim, meu veredito para o HTC Legend é: APROVADO. É um aparelho que deve agradar mais ao público feminino, pelas suas linhas arredondadas, mas que deve agradar ao público em geral pelo seu desempenho como um todo. Caso a HTC algum dia pretenda trazer o Legend para o Brasil, pode ser uma excelente opção para quem quer um aparelho leve, discreto, elegante, mas com uma fluidez de software exemplar, e recursos simples e diretos.