virus

 

Hoje, mais e mais gadgets estão conectados na internet, incluindo vários dispositivos médicos. Porém um marcapasso ou uma bomba de insulina não é um eletrodoméstico.

Um problema de segurança informática pode custar uma vida, ou comprometê-la seriamente. O que acontece com a segurança dos dispositivos médicos? Estamos nos esquecendo da medicina do futuro?

 

 

Um argumento no meio do caminho entre um filme de terror e outro de ficção científica

 

 

Woodruff Walton não acreditou quando recebeu um e-mail que dizia: “Tomamos o controle de sua bomba de insulina. Se você não transferir agora mesmo 20 mil euros para este número de conta, vamos provocar um choque hipoglicêmico em você, e você vai morrer. Estamos te observando, não tente nada absurdo”.

Eram poucas as pessoas que sabiam que Walton tinha uma bomba de insulina. Seus familiares mais próximos, seus médicos e alguns outros pacientes diabéticos em um grupo de ajuda. Logo… que brincadeira macabra é essa?

E isso tudo não era ficção científica. Em 2011, Jay Radcliffe, especialista em segurança informática e diabético, programou um sistema que controlava uma bomba de insulina à distância. Anos mais tarde, Jack Barnaby fez o mesmo com um marcapasso.

Logo, pode ser sim uma rede de fraude e extorsão.

Um simples vírus informático pode afetar seriamente determinados dispositivos. Criar arritmias, parar um respirador em uma UTI ou produzir falhas sistêmicas em órgãos robóticos podem mesmo acontecer. Os avanços tecnológicos no campo de atenção ao paciente são significativos, mas podem ser um risco por conta das violações de cibersegurança, que podem afetar o desempenho e a funcionalidade de um dispositivo.

 

 

Temos que começar a falar sobre a segurança desses dispositivos

 

Este é um tema crucial.

A FDA, agência norte-americana que supervisiona esses dispositivos, colocava foco na segurança informática desses dispositivos, e acabou de aprovar novas diretrizes sobre a cibersegurança médica.

Em 2014 essas diretrizes foram preparadas, mas como se demonstrou no caso do Centro Médico Presbiteriano de Hollywood no começo do ano, entrar na rede de um hospital e sequestrar essa rede não é algo difícil. Nos últimos anos, 160 hospitais nos Estados Unidos foram vítimas de um ciber ataque dos mais diversos tipos.

O futuro da medicina passa pela integração do conhecimento científico-médico, pela conectividade e pela inteligência artificial. Mas se não colocamos no centro da questão a cibersegurança, estamos violando o primeiro grande mandamento da medicina:

“Primun non nocere”. Primeiro, não causar danos.

E este deve ser um dos grandes temas de 2017.