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A adolescência é uma época difícil do ser humano, onde ele entende que ser rebelde é a solução de tudo. Na verdade, ele só é chato mesmo. E isso se reflete de forma mais evidente no seu comportamento com o smartphone. Por exemplo: os alunos que ficam se entretendo com o dispositivo em plena sala de aula. Desagradável, não?

Mas os adolescentes ainda contam com uma ‘desculpa’. Os adultos? Não! Por exemplo: adultos utilizando o WhatsApp no meio de uma peça de teatro.

Isso aconteceu com Patti LuPone, no último dia 7 de julho, em Nova York. Durante a apresentação de sua peça, a atriz se viu obrigada a confiscar o smartphone de uma das pessoas na plateia durante o segundo ato. Obviamente o dispositivo foi devolvido para a espectadora, mas isso nunca aconteceu antes, ou pelo menos até que a peça chegasse ao fim.

Ou seja, um comportamento parecido com o dos adolescentes, mas no contexto adulto, isso pode ser considerado até uma doença. Nos dois casos, um ponto comum se estabelece: a ofensa com aquele que merecia a atenção o tempo todo naquele momento.

 

Uma questão de limites

Esse incidente específico foi a gota d’água para a atriz, que perdeu a paciência. No mesmo dia, ela já tinha confiscado quatro smartphones durante um ensaio, e de acordo com o Daily News, a atitude da espectadora a impactou por ser evidente e descarada. Ela mesma fala que isso é um problema crescente, e em tom de brincadeira, diz que se dedica a ser uma ‘polícia dos smartphones’, e se tivesse recebido US$ 100 para cada telefone confiscado, teria o suficiente para comprar o seu.

A atriz está tão saturada que se declara derrotada pela persistência dessa situação, e não mais vai apresentar a sua peça. Explica que teria que mudar de alguma forma, mas acredita que se o fizer, o problema se tornará mais crescente, já que ela afirma que isso não acontece apenas dentro do âmbito teatral, mas em escala global. Ela conclui afirmando que os smartphones controlam a sociedade atual, e que no ‘microcosmo do teatro’, o problema se agrava.

 

Também em espaços abertos

O incômodo causado pelos smartphones (ou por seus proprietários) não acontece apenas em locais fechados. Durante uma corrida de 10 quilômetros, a triatleta Joyce Cheung Ting-yan tropeçou com uma corredora que parrou para tirar uma foto com o smartphone. E a queda foi bem séria (mesmo assim ela conseguiu terminar a corrida).

Longe de ser um incidente isolado, os organizadores das maratonas e demais corridas se preocupam a algum tempo de lembrar os participantes que tenham o bom senso de não realizar tais ações. E a situação piorou com a massificação dos famigerados ‘paus de selfie’, que está proibido em certas competições, como no torneio de tênis de Wimbledon. Afinal de contas, ninguém merece ter a sua partida atrapalhada por um imbecil com um bastão tentanto tirar uma foto.

 

Novos tempos, novos excessos, novas normas

O incidente com Patti LuPone não pode ser definido como ‘habitual’, e nem todos reagem da mesma forma diante uma ofensa ou situação similar. Porém, com um mínimo de empatia, é possível entender o momento atual. É um cenário comum: a dependência das pessoas ao smartphone faz com que elas sobrepassem os limites, ou esses limites se tornaram muito mais amplos.

Recentemente, comentamos no blog sobre as medidas tomadas pelo governo russo, advertindo sobre os riscos de registro de selfies em locais como torres de alta tensão e linhas de trem. Algumas situações podem ser bem descabidas, mas eram baseadas em casos já ocorridos.

Talvez o uso abusivo dos smartphones ao ponto de não ser algo civilizado não seja o mais comum, mas é o que mais incomoda, podendo resultar em situações lamentáveis. Infelizmente, os usuários não usam a tecnologia, mas são utilizados por ela. Será necessário com o tempo uma regulação específica para os casos extremos?

Talvez o uso massivo dos smartphones já nos obrigue para um efeito no estilo ‘é melhor prevenir do que remediar’.