Quando o Nokia 1020 veio com sua câmera de 41 MP, muita gente perguntou “pra quê tudo isso?”. A resposta foi ver o dispositivo virar um microscópio e um sequenciador de DNA. Agora, vivemos a febre das múltiplas câmeras, com a câmera dupla devidamente assentada e a câmera tripla começando a virar tendência.

Agora, a nova loucura está nos projetos e protótipos de smartphones com até nove câmeras. E a pergunta volta: “pra quê tudo isso?”

A Light é a empresa por trás do L16, câmera compacta com 16 lentes. Cinco de 28 mm (f/2.0), outras cinco de 70 mm (f/2.0) e mais seis de 150 mm (f/2.4). O seu equivalente no mundo dos smartphones está chegando, pelas mãos da Foxconn, com apresentação prevista para o final de 2018.

 

 

Quais resultados podemos obter com tantos sensores? Para começar, imagens de até 64 MP com vários efeitos de profundidade. Com o modo retrato em moda, contar com várias lentes entregam um efeito melhor, apesar da inteligência artificial conseguir resultados similares com uma única lente, como acontece com o Pixel 2 XL.

Além de combinar imagens e gerar efeitos de profundidade várias lentes de diferentes tamanhos permite um melhor ajuste a cada situação, resolvendo o problema das lentes fixas nos smartphones. Os smartphones modulares até que podem resolver a questão, mas nada de forma integrada ao design do dispositivo.

Em 2018, o Huawei P20 Pro apresentou uma câmera principal de 40 MP, um sensor secundário de 20 MP monocromático, e um terceiro sensor de 8 MP de teleobjetiva.

 

 

Esse é um ótimo exemplo de como é positivo ter várias câmeras em um smartphone, pois cada uma cumpre com uma função específica, e assim o Huawei P20 Pro se destaca em aspectos específicos, onde normalmente as câmeras dos smartphones não trabalha muito bem.

A proposta do Huawei P20 Pro bate de frente com a ideia de abertura variável do Galaxy S9. São duas opções viáveis, mas a maioria entende que ter três câmeras é melhor do que ajustar a abertura da lente principal.

No passado, outros fabricantes tentaram conceito semelhante. A Amazon, com o seu Fire Phone fracassou na tentativa, e contaria com seis câmeras que ajudavam a rastrear os olhos e mostrar imagens em 3D. Algo viável: ter várias câmeras ajuda ao smartphone a captar melhor o seu entorno, oferecendo uma experiência de realidade aumentada mais precisa.

O auge da realidade aumentada e virtual fez com que projetos pensados nos profissionais aparecessem, como a câmera de oito lentes Nokia OZO VR, dispositivo que morreu porque a realidade virtual avançada era muito lenta.

 

 

Projetos à frente do seu tempo, que mostram como esse conceito de múltiplas câmeras não é novo. Resta ver se os usuários de 2018 dão valor às possibilidades que oferece.

Além do protótipo do Light, outros fabricantes também apostam nas múltiplas câmeras. O LG V40 poderá receber até cinco câmeras, mas com duas delas na frontal do dispositivo.

Há rumores que o futuro iPhone 11 pode apostar na câmera tripla, e até o especulado Galaxy S10+ de 2019 também receberia três câmeras.

Não dá para saber se a tendência vai se impor, mas o que fica claro é que muitos fabricantes a consideram com seriedade.