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Ir ao show dos Rolling Stones é uma experiência única para muita gente. E, pelo visto, para as pessoas que registram essa experiência em fotos e vídeos.

Sem falar na multidão emocionada, erguendo seus smartphones para registrar uma foto borrada do Mick Jagger… enfim, todos querem guardar o momento, mas quase ninguém quer revisar essas milhares de fotos e vídeos.

E, dessa forma, estamos nos tornando verdadeiros Diógenes da era digital.

 

 

Discos rígidos maiores, serviços de armazenamento na nuvem, cartões de memória maiores e câmeras de smartphones com qualidade superior. Tudo incentiva a um maior tempo capturando fotos e vídeos.

A miséria ficou para o passado. Não importa qual o modelo do smartphone ou o tipo de câmera que você tem. O céu é o limite, e tudo o que você quer é capturar aquele momento da sua vida em que você foi feliz. E sem precisar esperar dias para ver se tudo valeu a pena.

Se bem que tem um detalhe: quando todo mundo tinha apenas 36 chances para registrar os seus momentos, todo mundo era bem mais seletivo, e não registrava qualquer bobagem.

 

 

A culpa de tudo isso é nossa.

Exigimos da indústria de tecnologia todas as ferramentas para registrar (quase) qualquer coisa que aconteceu em nossas vidas. Mesmo que a gente nunca mais queira ver aquele momento novamente.

Nossa voracidade pelas redes sociais pode se transformar em perigosa aliada de nossa memória. Os serviços de armazenamento na nuvem quase ilimitados também contribui no processo.

Sem falar que as empresas facilitam as coisas, organizando as imagens em histórias e datas, tornando a revisão mais prática e divertida. O reconhecimento facial, de formas ou de objetos chamam a atenção, com o objetivo de fazer com que o usuário não se preocupe com mais nada. Com um investimento pequeno por mês, você tem tudo salvo.

 

 

A tecnologia nos tornou gulosos, impacientes, mas cuidadosos. Viramos escravos do “eu estive aí”, onde fotografamos sem pensar, sem refletir no que estamos registrando, quando a melhor imagem, em regra, é registrada pela retina. Sem sensores de 12 MP como intermediário. Onde tudo fica armazenado na nossa memória.

O ideal é que a gente não tente registrar 300 fotos e gravar duas horas de vídeos que provavelmente nunca vamos rever. Hoje, registramos tantas fotos e vídeos que rever tudo seria algo inviável. É uma viagem ao passado totalmente desperdiçada.

Voltamos à Síndrome de Diógenes digital. Será que alguém tem a solução? Será que alguém ainda consegue deixar o smartphone no bolso para aproveitar o show dos Rolling Stones?

Muito provavelmente não. Infelizmente.