A nova família de produtos Nexus do Google é um dos destaques entre as novidades do mercado de tecnologia em 2012. Os novos Nexus 4, Nexus 7 e Nexus 10 chamam a atenção dos fãs da plataforma Android ao redor do planeta, e falando mais especificamente do smartphone Nexus 4, temos um smartphone com uma tela fantástica, um dos processadores mais potentes do mercado, um ótimo design e as mais elevadas especificações técnicas que você pode encontrar no mundo Android. E tudo isso, por apenas US$ 299. Como eles conseguiram? É o que vamos tentar descobrir nesse post.

O conteúdo antes do dispositivo

Estamos diante de um smartphone top de linha. Isso é fato. Mesmo assim, o Nexus 4 tem um preço ridiculamente baixo, se comparado aos seus concorrentes diretos. Podemos dizer aqui que Google e LG estão perdendo dinheiro ao vendê-lo com um preço abaixo do custo de produção. Porém, isso é possível por causa da estratégia de mercado do próprio Google, que opta por obter lucros atrelados ao conteúdo do que ao dispositivo em si. Em outras palavras, eles ganham mais por aquilo que o usuário acessa pelo seu dispositivo (que é preparado para isso, que fique bem claro), clicando em links patrocinados e outros recursos que geram dinheiro para a empresa de Mountain View, deixando os lucros das vendas dos aparelhos como algo secundário.

A grande maioria dos lucros do Google vem da publicidade. E eles sabem que ter um smartphone rápido e poderoso se converte em mais pessoas clicando em seus links. E em muito mais links com um menor tempo. Todo mundo acha que o Google é generoso demais por oferecer serviços como o GMail, YouTube, Google Search ou até mesmo o Android “de graça. Na verdade, não é tão de graça assim.

Se você olhar de forma mais atenta, vai perceber que os serviços do Google bombardeiam o usuário de todo o tipo de publicidade, e é aí que eles obtém os seus lucros. O Google oferece a maioria dos seus serviços de forma gratuita, porque é interessante para eles que esses serviços sejam usados, para assim oferecer uma publicidade para empresas que estão dispostas a gastar muito dinheiro nos serviços online mais utilizados do mundo. Simples assim.

Mais que publicidade: o Google agora oferece conteúdo

O Google oferece ao longo dos últimos anos aplicativos e diferentes serviços através do Android. Hoje, a família Nexus está pronta para oferecer todos os serviços da Google Play Store, como livros, filmes, episódios de séries de TV, músicas, álbuns musicais completos, revistas e outros serviços online. E certamente isso vai trazer mais dinheiro para a empresa de Eric Schmidt.

Nesse quesito, o principal adversário do Google é a Amazon, e não a Apple, como muitos imaginam. O Google passou a se preocupar com o conteúdo de sua loja virtual, pois sabe o quanto isso agrega valor aos seus produtos, além de fazer o dinheiro girar de forma mais efetiva, com conteúdos que os usuários estão consumindo cada vez mais em seus tablets e smartphones (e pagando por isso de forma legal, o que é o mais importante). Isso explica porque o Kindle Fire custa US$ 199, e porque rapidamente o Google lançou o Nexus 7, que é mais potente que o tablet da Amazon, custando os mesmos US$ 199.

A estratégia foi tão impactante, que fez a Apple lançar um iPad Mini, se focando na mesma proposta dos dois primeiros, atrelando os serviços do iTunes e iCloud ao produto. Lentamente, um novo mercado aparece no mundo da tecnologia: o mercado de quem vende mais conteúdo online. Por enquanto, Amazon e iTunes brigam cabeça a cabeça pela liderança, mas o Google se aproxima perigosamente, uma vez que mais de 500 milhões de dispositivos Android estão no mercado, prontos para usar a Google Play Store. E isso se reforça com os rumores dos planos de expansão da loja online de conteúdos do Google para a América Latina.

Quem paga a conta de um Nexus 4 tão barato?

Agora que você sabe dos motivos que levou o Google a lançar dispositivos tão baratos, a pergunta persiste: como eles conseguiram? E essa pergunta se soma a outras, como: quem paga a diferença? Como a LG topou esse acordo? E a mais curiosa de todas… por que eles não produziram esses novos dispositivos com a Motorola?

Não existe uma resposta oficial para essas perguntas, mas podemos tirar nossas próprias conclusões, baseadas em estudos de mercado e analistas do meio de tecnologia. Para começar, a Motorola não é a fabricante do Nexus 4 porque o Google não queria assumir sozinha todos os prejuízos que eles vão ter com a produção do dispositivo. Parte desse prejuízo vai ficar com a LG, que em compensação, tem o seu nome valorizado com um produto espetacular, dando assim uma maior relevância para a sua marca no segmento de mobilidade.

Além disso, a LG pode e deve assumir tal risco. Precisa contra-atacar em relação ao seu principal concorrente na Ásia (Samsung), e não existe melhor forma de chamar a atenção com um smartphone que praticamente grita a frase “a LG pode fazer smartphones fantásticos, e o Nexus 4 é a prova que o Google confia na gente para isso”. A mesma regra vale para a Samsung, com o tablet Nexus 10. A Samsung reforça a sua mensagem de “somos bons nisso”, enquanto que o Google reforça a sua ideia de que “os melhores tablets Android do mercado são do Google”.

Seja como for, a linha Nexus reforça a popularidade e a cota de mercado de qualquer fabricante de tecnologia, fazendo esse parceiro se destacar dos demais. Se o preço do Nexus 4 é tão baixo, é porque a LG aceitou isso, e porque aposta que as vendas do produto serão realmente expressivas. Essa é uma estratégia de mercado para os fabricantes, ainda que nesse caso, quem sai ganhando financeiramente é o Google. E o consumidor, que paga menos por uma tecnologia de ponta.

Só espero que o Nexus 4 não chegue ao Brasil com o “preço padrão” de R$ 1.999. Se isso acontecer, será uma piada. E de mau gosto.