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A principal notícia dessa tarde, que ocupou todos os grandes sites de tecnologia, está ligada à suposta negociação entre WhatsApp e Google, onde a empresa dona do aplicativo de comunicação instantânea via internet pode ser vendida para a gigante de buscas a qualquer momento. Além de mais uma vez agregar valor de mercado, se tornando uma empresa ainda mais valiosa, a pergunta que devemos fazer nesse momento é: o que o Google realmente quer nessa compra?

Primeiro, os fatos: o que existe no momento é a informação vinda “de uma fonte próxima ao assunto”, que informa que as duas empresas estão mesmo em negociação. A fonte também informa que o WhatsApp está jogando duro com a gigante de Redmond, e pede um valor “próximo a US$ 1 bilhão” para mudar de dono. Se a negociação for legítima, e se concretizar, será a segunda negociação da história da internet de um serviço de comunicação ou rede social a ser adquirida por um valor bilionário (o Facebook pagou esse valor para ser dona do Instagram).

O WhatsApp parece ser um negócio lucrativo. Afinal de contas, é um aplicativo pago em mais de 100 países, com uma grande base de usuários que querem fugir dos preços cobrados por mais de 750 operadoras de telefonia móvel ao redor do mundo. Até porque é muito mais barato pagar US$ 0,99 por ano do que R$ 0,05 por mensagem. Dizem as fontes da Digital Trends (que é quem originalmente divulgou a notícia da negociação) que o WhatsApp consegue lucrar aproximadamente US$ 100 milhões anuais com essa estratégia.

Para o Google (como para toda empresa que quer prosperar), vale a pena investir dinheiro em algo que dá lucros. Porém, uma questão se faz pertinente nesse momento: por que o Google quer o WhatsApp, sendo que eles já contam com aplicativos demais para seus usuários se comunicarem? Eles já contam com o GTalk, o Google Voice, o Google+… por que mais um?

Além disso, rumores recentes dão conta que, em breve, o Google vai combinar todos esses serviços para lançar o Google Babel, que seria um grande competidor dos demais serviços de comunicação e mensagens instantâneas na internet. Logo, mais uma vez, perguntamos: o que quer o Google com o WhatsApp?

O primeiro motivo, já citei um pouco acima nesse texto: agregar valor ao Google. Você vale mais quando você tem no seu portfólio de produtos alguns itens que são de grande apelo popular, ou que podem lhe render lucros. O WhatsApp é muito utilizado ao redor do mundo, e como seus usuários já estão habituados a pagar por ele (mais do iOS), eles podem continuar cobrando, que não haverá nenhum impacto na visibilidade do serviço. Desde que eles não piorem ou encerrem o WhatsApp depois da compra.

O segundo motivo (e talvez o que realmente estimula o investimento): patentes. O Google já mostrou que adora patentes, e que quer se proteger de todas as formas para que, no futuro, eles não sejam vítimas das armadilhas legais de empresas poderosas de tecnologia. Logo, comprar o WhatsApp e os seus segredos por tabela pode ser algo não só lucrativo, mas também o início do desenvolvimento de novos produtos e serviços.

Por enquanto, só especulações. Mas temos que ficar atentos sobre os reais objetivos dessa compra. Inicialmente, não vejo com bons negócios. Não digo que eles farão a mesma coisa que a Microsoft fez com o Skype (tomar como seu o serviço e piorá-lo), mas não dá pra ver com bons olhos essa iniciativa de compra. Quero ver essa ideia se desenvolver um pouco melhor, antes de tecer opiniões mais conclusivas se essa transação vai beneficiar ou prejudicar os usuários do WhatsApp. Pelo histórico, não é algo de se animar. Mas é sempre bom esperar.