fake news

Donald Trump é famoso pelas fake news, e provavelmente tudo o que sabemos delas veio depois que ele se tornou presidente dos EUA.

Mas… o que acontece quando as fake news são ditas ou afirmadas pela classe política? Tal informação pode influenciar na decisão dos cidadãos no seu direito ao voto?

A chamada “pós-verdade” (palavra do ano em 2016) é quando certos grupos reclamam o direito de disputar feitos que supostamente estão estabelecidos, como vacinas, pessoas que não acreditam na mudança climática, ou que a Terra é redonda.

Um dos motivos para isso acontecer está relacionado com os grupos em que pertencemos dentro da sociedade. Se um fato reafirma seu sistema de crenças, independente de qual seja, assumimos esse fato como verdade, independente se é um fato falso ou não.

Esse é um mecanismo evolutivo que assumimos ao longo da história da humanidade. Nossos ancestrais assumem isso como um mecanismo adaptativo: é melhor acreditar naquilo que toda a comunidade acredita, ainda que isso seja falso, pois dessa forma estamos seguros no nosso sistema de crença.

As notícias falsas não necessariamente mudam o que acreditamos ou os aspectos de crenças que assumimos. Elas normalmente reforçam aquilo que já acreditamos, independente do fato da informação ser falsa ou não.

Quando os políticos lançam as fake news, não reinventam a roda da mentira, mas seu alcance é diferente. A sua falta de ética em querer vencer a todo custo é o que torna a prática ainda mais prejudicial.

Hoje, discursos são feitos em redes sociais, para milhões. Um político emitir uma notícia falsa e não se retificar apenas mostra uma fibra ética danosa.

Além disso, o modelo de negócios dos meios de comunicação é baseado no tráfego de visitas, que se transforma em publicidade dirigida ao grupo que interage com uma mídia, fazendo com que essas páginas melhorem o seu SEO (Search Engine Optimization), para obter maiores visitas vindas de buscadores online. Os algoritmos das redes sociais selecionam o que queremos ler, se lembrando do que buscamos ou lemos em algum momento.

Provavelmente não vamos conseguir escapar das fake news, porque se nos damos conta de que algo que acreditamos era falso, podemos simplesmente seguir acreditando que aquilo é verdade, por sermos humanos e por ser algo conveniente.

Mas o problema é que tal prática pode sim afetar na decisão do voto.

Em uma eleição, muitos fatores influenciam a escolha. Entre elas, a informação disponível sobre o candidato e seu projeto. Se grande parte dessa informação é falsa e gera reações emocionais fortes, o mais provável é que a influência sobre o voto seja muito alta.

O conselho aqui é o mesmo para qualquer coisa que vamos receber como notícia ou verdade na internet ao longo da vida: verifique as fontes e busque respaldo adicional da notícia em veículos de confiança. Além disso, procure ser questionador quando receber notícias que são compartilhadas por fotos sem link em redes como WhatsApp, Facebook ou Twitter. Se você não pode acessar a origem da notícia, descarte completamente e não compartilhe.

Regular o conteúdo está bem longe de ser a solução. As notícias falsas não devem ser combatidas com o controle de conteúdo A solução deve permitir mais expressão das pessoas, oferecendo transparência na forma em que os conteúdos são apresentados através das redes sociais e de comunicação.