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A resposta “porque não precisava” poderia ser algo muito simplório, e dispensaria até mesmo a produção desse post. Pensando de forma mais elaborada, e procurando expandir a discussão sobre o assunto, cito aqui três itens decisivos para a Apple não ter alterado a densidade de pixels do novo iPhone 5s.

1) O olho humano não consegue distinguir os pixels em uma densidade acima dos 300 ppp.
2) Uma maior densidade de pixels nas telas faz com que o dispositivo fique mais caro.
3) A concorrência aumenta a densidade de pixels de suas telas, mas faz isso sem sentido algum.

A qualidade das telas dos dispositivos eletrônicos segue em constante evolução, e a densidade dos pixels é um item considerado fundamental. Em pouco tempo, telas com 1080p passaram a ser uma exigência básica para deixar um dispositivo dentro da categoria dos tops de linha. Porém, nem sempre aumentar a densidade de pixels é algo necessário.

Uma das coisas que é preciso ter em mente para explicar a decisão da Apple e que o tamanho da tela e o uso que damos à essa tela é algo fundamental para determinar a sua quantidade de pixels. Não podemos comparar um televisor com um ultrabook, mas sim um tablet com um phablet ou smartphone. Nossa forma de interagir com a TV ou o ultrabook é bem diferente em relação aos dispositivos móveis, principalmente quando pensamos na distância visual dos tablets e smartphnes a partir dos nossos olhos. Aliás, nossa forma de interagir com os dispositivos móveis é muito mais próxima do que as TVs e os computadores portáteis.

Nunca é demais lembrar as palavras de Steve Jobs durante a apresentação do iPhone 4 com tela Retina, quando explicou a ciência por trás dessas telas?

Existe um número mágico, em torno de 300 ppp, que nos telefones da Apple com uma interação a uma distância de 30 centímetros, que fazem com que nossos olhos não sejam capazes de perceber mais pixels.

Por trás das palavras de Jobs se escondia um rigoroso estudo sobre a capacidade de visão humana. De forma resumida, podemos exemplificar a situação da pessoa que está em uma rodovia, que vê lá na linha do horizonte um ponto de luz, que não consegue distinguir se são faróis de um carro, moto ou caminhão. Conforme o veículo vai se aproximando do motorista, o ângulo que separa os pontos se torna maior, permitindo que o veículo seja visualmente reconhecido.

Ou seja, quanto melhor a nossa visão, mais facilmente podemos distinguir objetos com um ângulo de separação ínfimo. Outro bom exemplo disso é o telescópio Hubble, que é capaz de separar objetos com um ângulo de 0.00003 graus.

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De um modo geral, a visão humana considerada normal (exceto as poucas pessoas do mundo que contam com aquela chamada “visão de falcão”) é capaz de diferenciar pixels a 30 centímetros de distância, com um tamanho de 0.008 centímetros. Se os pixels do iPhone 5s fossem menores que essa quantidade, de fato não faria sentido algum aumentar a densidade de pixels nas telas. O único efeito prático de uma eventual mudança seria deixar o produto mais caro.

Matematicamente falando, para conhecer o tamanho dos pixels do iPhone 5s é necessário dividir 1 por 326, sendo que 326 é a densidade de pixels por polegadas do novo smartphone da Apple. Tal como acontece com o novo iPad mini com tela Retina. Coincidência? Estou duvidando.

1 dividido por 326 é igual a 0.0031. O tamanho das polegadas dos pixels do iPhone 5s convertidas em centímetros são de 0.007. Ou seja, o tamanho dos pixels do iPhone 5s é menor do que aquilo que os nosso olhos podem ver.

Logo, fica a pergunta: por que os fabricantes lançam smartphones ou tablets com densidades de pixels superiores a 400 ppp?

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A resposta dessa pergunta pode estar no desejo de atrair a atenção do consumidor com uma informação que muita gente não conhece. E, é claro, explorar o desconhecimento amplo da realidade científica por trás das resoluções das telas. Obviamente, quanto maior a densidade de pixels, melhor será a visão da tela (e isso é inegável). Se nossa visão não é algo excelente (e isso é algo bem mais comum do que pensamos), ou somos mais apegados aos nossos dispositivos do que o habitual, a história muda de figura.

Particularmente, entendo que a Apple não vai mudar a sua filosofia nesse aspecto. Eles deixaram isso bem claro no último evento da empresa. As telas Retina já estão com densidades de pixels um pouco acima daquilo que o olho humano é capaz de distinguir, e isso não foi feito por obra do mero acaso.

Os consumidores da Apple estão muito fidelizados, e a não ser que os futuros lançamentos dos concorrentes mostrem que mais densidades na tela podem ser úteis de forma mais específica e prática no nosso dia a dia, a Apple não se verá obrigada a aumentar de forma considerável a densidade das telas dos seus dispositivos móveis.