iPhone X

Vocês repararam que, no evento realizado pela Apple na semana passada (onde a empresa apresentou os novos iPhone 8/8Plus, iPhone X, Apple Watch Series 3 e Apple TV 4K), em nenhum momento foi mencionado o Android?

Por que?

Vários produtos foram apresentados. Alguns com inovações legítimas, e outros com cópias de soluções já existentes. Mas não rolou nenhuma alfinetada à Samsung, ao Android ou à Google, quebrando assim uma tradição.

Por um lado, não havia muito espaço para isso.

 

 

A Apple é a maior vendedora de relógios no mundo nesse momento (mesmo sem apresentar números), e mencionar o Android Wear era basicamente dar publicidade para a concorrência.

O Android TV é outro que não merece menção, e sequer a Apple citou o Chromecast, já que este é muito mais popular que a Apple TV. Também evitou-se fazer a comparação da porcentagem de atualização do iOS contra o Android, e as receitas da App Store e da Google Play Store também não foram comparadas.

E olha que a Apple tinha um prato cheio: o Android Nougat chegou a 15% de mercado depois de um ano, e não é a mais recente versão do Android.

O iPhone X foi o destaque da apresentação, mas vários smartphones Android contam com telas semelhantes ao desse modelo. E até mesmo o uso dos termos “mágico, revolucionário e novo” teve uso comedido, já que a Super Retina Display não é o suficiente para usar tais termos.

A tela do iPhone X é uma Super AMOLED fornecida pela Samsung, e está presente em milhões de smartphones Android. O termo Super é mal aplicado pela Apple. E o motivo de colocar um Retina no nome é só para não dar mais créditos para a Samsung.

Fora isso, é a Samsung que fabrica as telas do iPhone X, do jeito que a Apple encomenda. E ponto.

 

 

O carregador sem fio é outro ponto polêmico. É uma tecnologia que está nos smartphones Android há anos, mas jamais a Apple faria referência sobre isso.

O fato da Apple utilizar o padrão de recarga sem fio Qi é algo louvável. É o padrão mais popular do mundo, e os elogios que a turma de Cupertino fez ao padrão deve ajudar a popularizar esse sistema de recarga.

Também seria importável que a Apple mencionasse os esforços da Google em eliminar os botões físicos, desde o Android Ice Cream Sandwiach, lançado em 2011. Ou as notificações e atalhos rápidos na parte superior da tela, algo que existe desde 2012.

Nos dois casos, a solução encontrada pela Google é até mais intuitiva que a presente no iPhone X. Um botão Home virtual é mais rápido de utilizar e menos suscetível a gestos que podem fazer o smartphone escorregar da mão, com um deslizar obrigatório que antes cabiam a um único botão central.

 

 

A Apple dedicou muito tempo de sua apresentação ao Face ID, e todas as preocupações com a segurança foram mencionadas depois do evento.

Se tudo funcionar, a Apple marcou um gol de placa. Pegar uma tecnologia alternativa e fazer dela uma opção viável e popular para a segurança do dispositivo é sim uma grande inovação.

Porém, o Face ID não é tão intuitivo e prático para o dia a dia (na minha opinião) quanto colocar uma simples impressão digital em um sensor.

E o momento de apresentação do Face ID era perfeito para a Apple destacar todos os defeitos do Android nesse aspecto. Se fosse na era Steve Jobs, essa chance jamais teria sido desperdiçada. Vide a Samsung, que tinha um sistema de desbloqueio facial tão débil, que até uma simples foto do usuário em outro smartphone poderia realizar o desbloqueio.

Porém, por um motivo que desconheço, a Apple se absteve de sequer mencionar o Android, a Google ou qualquer rival para enaltecer o Face ID.

Será que a Apple está com medo do Android?

Muito improvável.

 

 

Mesmo com o público detonar a remoção do conector de 3.5 mm em 2016, duvido que a Apple está com medo da concorrência.

A Apple só teve mais cuidado em não afirmar que inventou todas as tecnologias, mesmo com o erro grosseiro de Phil Schiller afirmar que o iPhone X e o iPhone 8 Plus foram os primeiros smartphones concebidos especificamente com essas tecnologias em mente.

O Lenovo Phab 2 Pro, com a tecnologia do Google Tango, é a prova que Schiller está bem errado.

A Apple quis mostrar que tinha confiança no iPhone X, e falar nos rivais pode demonstrar sinal de fraqueza. Tim Cook deve ter orquestrado o evento para ser o mais positivo possível, como uma homenagem para Steve Jobs e um ato de confiança para que o iPhone X seja visto como uma vitória indiscutível à concorrência.

É melhor ver tudo dessa forma, do que apostar em uma Apple com medinho. Sinceramente.