Pokémon GO

Eu estava lá.

Eu vi as pessoas com comportamentos estranhos, andando de cabeça baixa, olhando para o smartphone. Não que elas já não fizessem isso todos os dias, se comunicando pelos aplicativos de mensagens instantâneas ou vasculhando nas redes sociais como estavam as vidas dos seus amigos. Mas dessa vez, o comportamento era estranho mesmo. Atípico.

Movimentos de braços com o smartphone na mão, com as pessoas procurando algo que só elas poderiam ver, em qualquer lugar. Desde uma igreja até na cabeça da sua avó. Era um frenesi silencioso que eu não conseguia entender.

Mais: pessoas sedentárias, que jamais eu vi fazendo exercício na vida, estavam agora caminhando. Isso mesmo… caminhando! Algo que achei que seria muito difícil de ver. Ainda mais de gamers que estavam muito mais acostumados com os jogos sentado ou deitado no sofá.

Enfim… eu estava lá quando Pokémon GO chegou ao mundo.

 

 

Acompanhei essa história de perto

 

O TargetHD.net foi um dos blogs brasileiros que mais escreveu sobre o assunto. Confesso que me chamou a atenção o fenômeno que o jogo causou. O game pegou em cheio o seu público-alvo, e soube trabalhar muito bem com o legado dos personagens (algo que perdura por 20 anos) com as novas tecnologias, já que soube trabalhar com o sistema de realidade aumentada como ninguém conseguiu fazer antes.

A Niantic foi muito além de oferecer um megahit para o mundo dos games. Conseguiu fazer o que muitos consideravam como algo impossível: fazer a Nintendo finalmente investir no mundo dos games a sério. Precisou uma verdadeira revolução para que a gigante japonesa finalmente se tocasse de que valia a pena investir em um mercado que dava sinais claros de que é promissor e, porque não dizer, dominante.

O medo de canibalizar o seu negócio de games tradicional fez com que a Nintendo perdesse tempo e dinheiro. Quem sabe se ela tivesse começado antes ela já teria corrigido os erros do presente, incluindo aqueles que vemos em Super Mario Run.

Nunca saberemos.

 

 

 

Um megahit de 15 minutos que entrou para a história

 

De qualquer forma, eu vejo também que Pokémon GO foi um megahit de 15 minutos.

Hoje, o impacto do jogo é bem menor do que já foi no ano passado. Pouco escrevo sobre o game no TargetHD, e as pessoas voltaram a ter um comportamento “normal”, sem comportamentos muito anormais. Quero dizer, ainda tem muita gente jogando Pokémon GO por aí, mas o jogo não chega nem perto de fazer o mesmo barulho que já fez no passado.

Alguns motivos ajudam a explicar essa queda de hype. O elevado consumo de bateria nos dispositivos (já que exigia o uso do GPS o tempo todo, sem falar na tela ligada do smartphone, o que consome naturalmente muita bateria), algumas mudanças de regras por parte da Niantic e a demora na oferta de novidades relevantes aos jogadores.

Mesmo assim, não podemos negar a importância do jogo para o mundo da tecnologia móvel, e que apenas um ano de vida foi suficiente para colocar o game na história de forma definitiva.

Um ano depois, Pokémon GO é o jogo que deu uma bela sacudida no mundo dos games móveis, e seu impacto poderá ser visto e sentido ao longo de muitos anos.

Mesmo que as pessoas não saiam mais tanto de casa para caçar pokémons.