O iPad da Apple segue sendo o tablet dominante do seu segmento, e deve continuar assim por algum tempo. A pergunta é: até quando? Sim, porque, mesmo considerando que o iPad Mini (que deve ser lançado em outubro) seja mais um sucesso de vendas da gigante de Cupertino, os modelos Android potentes e com preço competitivo – nesse caso, o Google Nexus 7 e o Amazon Kindle Fire/Kindle Fire HD – estão aí, conquistando mais e mais consumidores. E, para complicar, a partir de outubro, uma verdadeira avalanche de novos tablets com o Windows 8 estão chegando ao mercado, o que pode mudar a forma do consumidor ver o tablet apenas como produto para entretenimento.

Não vamos falar agora do Surface. Mesmo porque a proposta da Microsoft é algo bem específico. Vamos falar do fato que os seus parceiros comerciais, que apostam no sucesso do Windows 8, mostraram claramente na última IFA 2012 que os consumidores não vão se limitar a ter apenas um tablet para diversão, ou apenas um laptop para trabalhar. A palavra de ordem é “híbrido”. Quem melhor combinar o melhor dos dois produtos vai sair na frente nessa disputa.

Muitos fabricantes como Motorola, Sony, Huawei, Samsung e Amazon promoveram melhorias nos seus tablets, e alguns desses mesmos fabricantes vão aproveitar o momento do lançamento do Windows 8 para apresentar suas propostas híbridas aos usuários, com o objetivo de seduzir o usuário com uma proposta do “pague um, leve dois”. O fator de economia certamente é um diferencial no mercado de tecnologia, e nem precisa de uma nova leva de produtos para se comprovar isso (Amazon e Google estão com os seus tablets para provar isso). Com esses novos produtos, isso se torna ainda mais acentuada, e para muitos que sempre quiseram ter um tablet, mas acha um desperdício levar dois produtos dentro da mochila.

Além disso, esses novos tablets contarão com um diferencial relevante: oferecer um sistema operacional completo ao usuário, que vai funcionar da mesma forma que o desktop que você tem em casa ou no escritório. Isso faz com que o seu futuro tablet com o Windows 8 conte com um relevante valor agregado, que pode ser uma pequena pedra no sapato do iPad, uma vez que pode quebrar o paradigma de que “os tablets só servem para o entretenimento”.

Por outro lado, é difícil tirar o reinado do iPad nesse momento. Primeiro, porque é um tablet bonito. Segundo, porque o produto é funcional o suficiente para a maioria das necessidades dos usuários para este tipo de produto. Terceiro, porque possui a chancela da Apple, ou seja, oferece a experiência de uso já aprovada pelos usuários da Apple. E estamos falando de um produto que domina quase 70% do mercado mundial de tablets. Por incrível que pareça, a Apple se beneficia da grande oferta de tablets Android, e como a quantidade de produtos com o Windows 8 será consideravelmente menor, a tendência é que, se esses modelos com o sistema da Microsoft cair no gosto do consumidor, esse market share pode cair.

Fato é que, pelo menos em um momento inicial, os tablets com Windows 8 respondem a pergunta: “o que vou comprar? Um tablet? ou um laptop?”. A partir de agora, quem quiser ter os dois compra um laptop híbrido, por um preço muito próximo ao que é cobrado por um portátil hoje. De forma imediata, o cenário não vai mudar, e o iPad vai seguir sendo o tablet dominante. Mas, com o tempo, se o Windows 8 for realmente aprovado pelos usuários, a venda de laptops/tablets vai subir, para que todos tenham a mesma usabilidade em qualquer lugar. E aí sim, poderemos ter uma competição. Mas vai demorar um tempinho…