Imagine se algum dia você, que armazena todos os seus dados em serviços online e acredita que esse é o lugar mais seguro do mundo para mantê-los a salvo de quedas de discos rígidos, maremotos, ou sua empregada que vai jogar fora aquele pendrive velho, se depara com a perda de todos os seus dados mais valiosos armazenados na nuvem. Além do caos gerado e da tentativa de suicídio, as perdas podem ser consideradas incalculáveis, dependendo do valor que esses dados podem ter para você.

Sem nos darmos conta, nós confiamos e guardamos diversos tipos de conteúdo em servidores que não sabemos nem onde estão direito, mas que imaginamos que estão bem protegidos por empresas gigantescas. Antes, tudo o que a gente precisava estava em nossa casa: as cartas armazenadas em caixas, os álbuns de fotos organizados pelas estantes… o conceito de armazenamento em nuvem era algo considerado utópico, ou coisa de filme futurista.

Com o passar do tempo, começamos a armazenar nossos dados na rede. As redes sociais facilitaram esse processo, e nos incentivaram a compartilhar mais e mais conteúdo com os nossos amigos e familiares. Os CDs de música foram convertidos em faixas de MP3, e foram enviados para a rede, para que qualquer um de nós consiga ouvir a nossa música preferida, em qualquer lugar do mundo. As fotos da última viagem do final de semana podem ser enviadas para o Facebook ao longo do final de semana da própria viagem, para que os nossos amigos possam ver o que estamos fazendo em nosso descanso o mais depressa possível. Isso, quando não enviamos a foto na hora que o evento acontece, via Instagram.

Tudo o que enviamos para a nuvem é criação nossa. Parte da nossa existência está sendo enviada para a rede. Compartilhar é uma forma de mostrar ao mundo que estamos vivos. Imagine se, de repente, tudo isso desaparece, por qualquer motivo. Nossa vida online seria eliminada em uma fração de segundo. Perderíamos quase tudo: fotos, arquivos armazenados, músicas, aplicativos… parte da nossa vida pessoal (e a prova que um dia trabalhamos com a internet) simplesmente cairia no esquecimento do tempo.

Mudando um pouco de perspectiva, e apresentando um cenário mais drástico, vamos pensar exatamente no contrário. Pense no dia que você deixar esse mundo (não que eu deseja isso para você; espero que você tenha uma vida longa, repleta de saúde e felicidades). Todos os dados que você salvou durante toda a sua existência se manterão ali, intactos, uma vez que eles só podem ser removidos com sua autorização. Nossas conversas privadas, nosso conteúdo audiovisual, e até mesmo o nosso trabalho realizado ao longo de toda uma vida.

Quem é o herdeiro legal desses dados? Se toda essa informação era privada, ela deveria mesmo ser apagada, para que ninguém tenha acesso ao seu conteúdo?

Sem nos darmos conta, como se fosse um processo natural, estamos exteriorizando tudo o que antes era algo muito mais íntimo e privado. Mas… e você? Já guarda toda a sua vida na internet? Ou continua gravando CDs de fotos para que só os seus parentes possam ver o que você fez naquele fim de semana de férias? Segue revelando fotos? Ou já aderiu de vez ao álbum de fotos do Facebook?

Você vai morrer no modo analógico ou digital?