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Bill Gates decidiu tomar partido a favor do FBI e do governo norte-americano, afirmando em entrevista ao Financial Times que a Apple deveria desbloquear o iPhone utilizado por um dos assaltantes no massacre de San Bernardino em dezembro de 2015.

O presidente de honra e co-fundador da Microsoft vai contra a corrente geral das gigantes tecnológicas, a União de Liberdades Civis e o grupo de direitos digitais Electronic Frontier Foundation, que expressaram o seu apoio à recusa da Apple ao pedido de desbloquear o iPhone.

Ainda que Gates siga tendo uma grande peso em sua empresa, a opinião oficial da Microsoft é outra. Satya Nadella não expressou uma opinião em particular, mas a Microsoft, através de um comunicado, declarou apoio à Apple pelo grupo Reform Government Surveillance (RGS), que inclui além da gigante de Redmond empresas de tecnologia como AOL, Dropbox, Evernote, Facebook, Google, Apple, LinkedIn, Twitter, Yahoo e outras.

O argumento de Gates é o mesmo já comentado pela internet, por algumas pessoas ao lerem a notícia: “Este é um caso particular em que o governo pede o acesso à informação. Eles não estão pedindo coisas gerais, estão pedindo para que seja feito nesse caso em particular”.

O problema é que para acessar essa informação, seria necessário criar um backdoor. Logo, a Apple iria burlar as suas próprias medidas de segurança para desbloquear o iPhone. A empresa de Cupertino já disse que, apesar do governo argumentar que o seu uso estaria limitado a esse caso, não há nenhuma forma de garantir tal controle.

Na semana passada foi revelado que existe pelo menos uma dezena de casos judiciais pendentes com a mesma polêmica. Não ficou claro sobre quais, mas nenhum deles estão relacionados com o terrorismo.

O caso vai muito além de desbloquear esse iPhone em particular. Nos Estados Unidos, ocorre nesse momento uma guerra brutal diante da exigência de alguns legisladores para obrigar os fabricantes de smartphones e os provedores de sistemas operacionais sobre o desbloqueio e descodificação por padrão de qualquer dispositivo comercializado no país.

Com a desculpa de “aumentar a segurança” contra o terrorismo e a delinquência, superar essas barreiras de codificação pode significar o regresso à idade da pedra tecnológica.