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Esse é o lançamento de um smartphone Android mais esperado e comentado até hoje. O Motorola Moto X conseguiu fazer mais barulho que o HTC One, e olha que o modelo da HTC é superior em alguns aspectos importantes. Mas uma pergunta feita por George Tinari, do IntoMobile, me deixou intrigado: seria o Moto X o “iPhone” dos smartphones Android?

Para George, dar essa definição de “iPhone dos Androids” quer dizer que o Moto X é o primeiro smartphone Android que consegue reproduzir o conceito daquilo que a Apple fez com o iPhone durante anos, ou seja, apresentar especificações técnicas boas o suficiente para garantir uma ótima experiência de uso. Escrevi um texto em meu blog falando sobre isso, e repito aqui: o Moto X não foi necessariamente feito para os geeks hardcores, que esperavam mais do smartphone, mas sim, para a maioria dos usuários, que desejam um telefone competente para redes sociais, fotos, música e e-mails.

Boa parte dos fabricantes de smartphones Android estão oferecendo produtos com especificações incríveis, até mesmo com o objetivo de fazer com que o iPhone seja cada vez menos potente aos olhos da maioria dos usuários. A Samsung mesmo é mestre em fazer isso, e é bem sucedida com isso. Os modelos top da linha Galaxy são sucesso absoluto de vendas.

Até a Motorola usa essa estratégia com a nova linha de smartphones Droid (Droid Ultra e Droid MAXX, principalmente). Porém, a linha Droid está mais próxima dos usuários hardcores, com especificações técnicas que realmente deixam o iPhone para trás.

O Moto X faz o caminho inverso. Ele não oferece as especificações mais avançadas do mercado, principalmente no seu processador de dois núcleos. Porém, é um processador que trabalha bem (na teoria), e que não deve trazer maiores problemas para a maioria dos usuários “normais”. E, enquanto o hardware é limitado em alguns aspectos, o seu software compensa em alguns diferenciais.

O aplicativo de câmera do Moto X, por exemplo, oferece algumas funcionalidades a mais em relação ao Android “puro”, como o “tap-to-focus”. O seu design é limpo e simples, e suas especificações de hardware prometem uma excelente autonomia de bateria de até 24 horas de uso, algo que você não encontra em outros smartphones Android.

Mas… o que torna o Motorola Moto X o “iPhone dos smartphones Android”? 

Agora, olhe para o iPhone.

O iPhone é um smartphone com um design limpo e simples, com especificações de hardware medianas, com uma autonomia de bateria relativamente maior que a concorrência (os resultados podem variar de acordo com o perfil do usuário) e o seu software é simples, eficiente e poderoso. O iPhone em si não tem nada que hoje possamos dizer “nossa, que smartphone espetacular, minha cabeça explodiu…”, mas ele funciona, e funciona muito bem.

Percebe as semelhanças?

Talvez o Moto X seja aquele dispositivo que, de tão diferente dos demais, e com um preço mais acessível (a partir de US$ 199 nos EUA), ele pode vingar no mercado. De novo: ele foi o modelo mais esperado do ano. Mais que HTC One, Galaxy S4 ou qualquer outro Android especulado no mercado. É óbvio que toda essa expectativa pode colocar mais combustível na briga iOS/Android e iPhone/qualquer Android top, mas não uma disputa tão acirrada quanto é hoje Apple vs Samsung.

Justamente pela Motorola ir na contramão do que é considerado tendência hoje.

Seria o Moto X o Anti-iPhone?

Roger Cheng, editor do CNET, acredita que sim. Afinal de contas, oferece coisas que o iPhone (e a Apple) não oferece, como customização de cores e materiais, boas especificações de hardware, um sistema operacional aberto e estável e um preço competitivo. São pontos interessantes, principalmente a parte de customização, que é algo que é hoje muito procurado entre os usuários de dispositivos de tecnologia.

Porém, será que é o suficiente?

Eu ainda entendo que, para um usuário comum (a maioria), quem tem um iPhone hoje não vai mudar para o Android. A não ser que se canse dele, ou por questões econômicas. Comparado com o Moto X, o iPhone 5 ainda é um smartphone que não podemos desprezar: o iOS 6 é altamente customizado para o seu processador A6 dual-core, o que oferece uma experiência de uso muito ajustada.

Já no caso do Moto X, temos um smartphone com um sistema “que é feito para centenas de outros smartphones”, ou seja, ele pode cair na regra de não ter um diferencial (nesse aspecto) para ser chamado de “anti-iPhone”. Logo, temos apenas a customização do aparelho como principal diferencial entre os dois modelos. Chamar um telefone de “seu”, e dizer que ele tem a sua cara pode ser uma vantagem para o Moto X. Mas é apenas UMA vantagem.

E essa vantagem pode não estar disponível no Brasil. Motivo: tanto a Motorola Brasil quanto alguns e-commerces nacionais (Ponto Frio, por exemplo) já divulgam o Moto X. E, se ele já é ofertado no comércio eletrônico brasileiro, onde em teoria a opção de customização do aparelho não existe, é bem provável que o modelo chegue ao Brasil sem o recurso do Moto Maker, que permite a customização do dispositivo, deixando esse recurso exclusivo para o mercado norte-americano.

Logo, não acredito que o Moto X vai roubar a audiência de quem tem hoje um iPhone. Ele vai conquistar um público completamente novo. Na verdade, pode roubar a audiência de quem pensa em comprar um Galaxy S3 ou S4 hoje. Por mais absurdo que isso possa parecer para você, usuário avançado que lê esse post.

Então… o Moto X foi feito para quem? 

Tanto o Motorola Moto X quanto o iPhone são pensados nos usuários que querem um smartphone que funcione, e funcione bem. Para usuários que não se preocupam com especificações top de linha, que não ligam necessariamente para ecossistemas abertos, e que não dão a mínima para recursos que eles nunca vão usar. A Apple compreendeu em 2007 que a maioria das pessoas pensam assim. Em 2013, a Motorola repete essa fórmula.

Com informações do site IntoMobile, CNET