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A gente bem se lembra como tudo aconteceu. O keynote da Apple chegou ao fim, com Tim Cook apresentando o iPhone 5s, um smartphone que foi presentado com o mesmo entusiasmo que um produto que acabara de chegar de outro planeta. É o efeito que as apresentações da Apple produzem em algumas pessoas: os mais empolgados se beliscam para saber que ainda seguem acordados, e que o futuro só está a 16 dígitos de distância, impressos em um pedaço de plástico com o logo da VISA. Ou, no caso da Apple, quando a própria empresa tiver a boa vontade de lançar o produto no Brasil.

Mas superado esse efeito quase alucinógeno que a gigante de Cupertino domina tão bem, começamos a revisar os lançamentos com mais calma e frieza, algo que é necessário na hora de analisar um produto. Aí, nos perguntamos: o que a Apple realmente apresentou? Aquele diabinho que mora dentro da mente de cada um nos convence que o iPhone 5s nada mais é do que um iPhone 5 com um leitor de digitais, e um processador turbinado. Nada além disso.

Algumas pessoas mais detratoras da marca simplesmente caem na porrada, principalmente no caso do iPhone 5c. Afinal de conta, uma empresa que lucra tanto, e que conta com tanto dinheiro em caixa, agora vai economizar no emprego de materiais e no desenvolvimento de produtos.

Mas com o passar dos anos escrevendo sobre esse assunto (no meu caso, mais de cinco anos com o TargetHD), você aprende que “nem tudo é o que parece”. Aqueles que simplesmente decretam que a Apple apresentou um “mais do mesmo” com os novos iPhones tem muitos pontos para se aborrecer com a marca, porém, para os fãs da empresa da maçã, os novos smartphones são os resultados de esforços da empresa para melhorar um smartphone que é considerado excelente – o iPhone 5.

E, de fato, foi isso o que aconteceu com o lançamento do iPhone 5s.

Vamos aos fatos: o iPhone 5s é um iPhone 5 vitaminado. Colocando lado a lado, é difícil dizer qual é qual. Só os olhos mais atentos vão perceber a borda metálica do botão Home do 5s. E eu concordo que tem muita gente que afirmou a estagnação do desenvolvimento do produto, e um eventual início de colapso criativo na Apple. Porém, também devo lembrar que o iPhone 5s pode ter pulverizado todos os recordes de vendas da empresa no seu lançamento.

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Falar dos números de vendas de uma marca como a Apple é algo muito complicado, uma vez que temos que levar em consideração outros elementos, como as expectativas depositadas, e o fato da própria Apple “turbinar” alguns números apresentados em seus eventos. Porém, o pessoal do site VentureBeat recorre às estimativas do banco de investimentos Cantor Fitzgerald, que em seu “Apple Barometer”, afirma que as vendas da empresa cresceram 20% no mês de novembro.

Sim… foi isso mesmo que você leu: 20% de aumento nas vendas da Apple em relação ao mês de outubro, relacionadas às vendas dos seus dois produtos considerados principais: o iPhone 5s (o iPhone 5c teve vendas bem mais baixas, mas não é o modelo top da empresa) e o iPad Air.

Estamos falando de taxas de crescimento de vendas mais alinhadas a uma start-up do que de uma empresa consolidada. E, diante dos números surpreendentes, vemos que o valor de mercado da Apple na bolsa de valores comprova esse momento positivo da empresa. Mesmo sem saltos expressivos, as ações da empresa gerenciada por Tim Cook segue em consistente elevação ao longo do ano, chegando ao seu ápice (até agora) na Black Friday.

É fato que os dados da Cantor são apenas resultados de previsões baseadas nas vendas de componentes para cadeias de montagem localizadas na Ásia, mas algo me diz que os números oficiais não serão muito diferentes. A Apple pode voltar a fazer um estrago na concorrência, com vendas arrasadoras através de uma nova leva de vendas do iPhone 5. Até porque estamos falando de um smartphone que, tal como já registrei antes nesse texto, tem as mesmas características do modelo atualizado. De novo: a maioria das pessoas jamais vão perceber se o seu iPhone é um 5 ou 5s. E bem sabemos que a aparência de um smartphone é (quase) tudo nesse mundo.

Então… como é possível que um fabricante consiga superar a si mesmo nas vendas em um mercado tão dinâmico. Ainda mais repetindo a aparência externa do dispositivo.

Ok, tem gente que não gosta de comparações, mas… alguém imagina a Samsung apresentando um Galaxy S5 com a mesma aparência do Galaxy S4? Se fizerem isso, além dos fanboys da Apple caírem na porrada em cima dos coreanos, a decepção gerada seria gigante, certo?

Algo não se encaixa muito bem nesse jogo de números e percepções dos executivos da Apple, mas ainda assim, aprece que são eles os únicos que pisam em terreno seguro em relação ao tema.

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É difícil compreender essa estratégia, mas a empresa fundada por Steve Jobs mantém uma espécie de “relação masoquista” com os seus clientes. Algo que não é percebido pelo resto do mercado.

Eu já utilizei o iPhone (modelos 3GS e 4), e ainda pretendo comprar o iPhone 5 quando o dinheiro deixar. Hoje, estou feliz com o Android. Porém, antes da troca, eu me perguntava: por que não mudar de plataforma? Qual é o real vínculo que une o proprietário do iPhone à Apple?

Deixemos de lado os aspectos “emocionais” da questão (cada um tem as suas crenças e fobias): indo para o lado prático da questão, o usuário de um smartphone da Apple se encontra em um ecossistema fechado, onde tudo simplesmente funciona. E de primeira, o que é algo mais interessante. Passa a ter certeza que, quando algo novo chega, seja em forma de aplicativo ou periférico, também vai funcionar de primeira, sem problemas.

Já os usuários de outras plataformas poderão defender (e com razão) que a sua plataforma faz a mesma coisa que a plataforma da Apple faz, mas aqui o mérito deve ser reconhecido para a turma de Tim Cook: o logotipo da empresa está vinculado de forma inequivocável com a simplicidade. Tudo na Apple é muito fácil, e simplesmente funciona.

É chato? Sim. É meio tolo? Sim. Engessado ao extremo, sem apresentar novidades há tempos? Com certeza. Mas funciona.

No final, o que as pessoas querem é que a tecnologia que lhe rodeia simplesmente funcione. Seja eficiente, e pronto. O iPhone pode ser limitado em muitos aspectos, e exige em alguns casos muito mais passos para resolver uma determinada tarefa do que os sistemas rivais. E pode até ser que o iOS comece a acusar o pesar da idade, e se torne um sistema de presença menor no mercado. Porém, o fato é que a experiência de uso segue sendo algo homogêneo, e tem a constância de oferecer no final o resultado desejado.

Esta eficácia se estende ao terreno dos periféricos, onde a grande rede de acessórios disponíveis abraça o conceito do “conectou ao produto, está pronto para uso”, sem muito o que fazer depois. Esse cenário para o usuário pouco íntimo das tecnologias e sem o desejo de complicar muito a sua vida é o ideal. Fechado? Sim. Mas do jeito que o usuário quer e precisa.

E a Apple sabe disso. Tanto, que realiza festas de lançamento todos os anos. Mas faz questão de usar a mesma roupa, sem vergonha alguma.

Para mais informações, acesse: VenturaBeatTUAWMercuryNewsYahoo Finance

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