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Dizem que o pior que pode acontecer com um produto no mercado é que não falem nem bem, nem mal desse produto. Passar completamente desapercebido em um mercado onde qualquer rumor, vazamento ou mesmo post do Twitter vira notícia é um pesadelo completo. Pior: quando falamo de você, não é para te criticar, e sim, que você está à beira do fim.

Esse é o mundo da BlackBerry nesse exato momento. O fabricante, que foi considerado o melhor do mundo no segmento de telefonia móvel, agora luta de forma desesperada para ter cinco minutos de atenção nos sites de tecnologia. Ou melhor, não ficar como uma opção marginal no mercado de telefonia móvel. A empresa de Waterloo vive uma situação muito incerta, e hoje, busca (literalmente) qualquer tipo de solução que faça com que a empresa recupere o terreno perdido e, acima de tudo, o prestígio junto aos analistas de mercado e consumidores.

Nesse exato momento, o mercado é dominado entre (nessa ordem) Android e iOS. Porém, a disputa mais acirrada é pela terceira posição desse mercado. Não sabemos exatamente quais são os números financeiros que Nokia e Microsoft estão gerando para aumentar a fatia de mercado do Windows Phone, mas sabemos que finalmente esses esforços começam a gerar resultados. Tanto, que agora as duas empresas estão mais unidas do que nunca. Melhor: são agora uma só empresa.

O Windows Phone finalmente alcançou a terceira posição isolada no mercado global de sistemas operacionais móveis em vendas, com um índice de satisfação que começa a aumentar de forma considerável. Isso foi possível graças aos inegáveis esforços da Nokia, que apresentou novos produtos com o sistema operacional, assim como a parceria fechada com a operadora Telefónica (no Brasil, Telefonica/Vivo), que vale para diversos mercados onde os espanhóis estão presentes.

Com tudo isso, começa a surgir um futuro promissor para a plataforma da Microsoft, e muitos usuários estão atentos para ver como esse movimento de crescimento pode lhe favorecer a curto prazo.

Também é preciso entender que tanto o Windows Phone como o BlackBerry chegaram ao mercado mobile muito tarde. Na realidade, quando tudo já estava mais ou menos repartido, e dessa forma, para conquistar o consumidor, as duas empresas (Microsoft e BlackBerry) foram obrigadas a apresentar algo superior ao que já existia no mercado. É necessário considerar que, chegando com ANOS de atraso, é necessário realizar um esforço econômico muito grande para conseguir chamar a atenção dos usuários. E esse é um processo que, salvo a empresa em questão esteja esbanjando dinheiro, não vau sobreviver por muito tempo no gasto de milhões em marketing.

Este dado é importante porque é um dos fatores que determinam a diferença hoje entre a BlackBerry e a Microsoft. A empresa de Steve Ballmer conta hoje com vários e vários talões de cheques em branco, assinados pelo próprio Ballmer, para realizar qualquer tipo de sonho absurdo de uma agência dona da conta da Microsoft ou da Nokia. Já a BlackBerry precisam obter resultados a curto prazo para colocar as próprias finanças da empresa em ordem, e principalmente, recuperar a credibilidade perdida na última fase da gestão de Mike Lazaridis na empresa.

Enquanto isso, a (agora) Microsoft Nokia não perde um segundo sequer, e coloca toda a carga no desenvolvimento de novos produtos. Os últimos lançamentos da dupla quase fizeram com que muitos se esquecessem que Samsung, HTC e Apple apresentaram novos produtos nos últimos 12 meses. Até porque todo mundo sabe que a Nokia é uma excelente fabricante de produtos (hardware), e que pode hoje se dar ao luxo de arriscar em novas propostas de tecnologia, como é o caso da PureView. E esses esforços dos finlandeses são notados pelo mercado em geral.

Os últimos smartphones da linha Lumia não só chamaram a atenção dos usuários e dos veículos de tecnologia, mas também estão superando outros modelos em um item muito importante para um mercado já em ponto de saturação: a inovação.

O Nokia Lumia 1020 é um claro exemplo disso. É um smartphone tão promissor, que todos agora esperam vê-lo mais de perto, e cogitam o produto como a sua próxima escolha futura. É a primeira vez em anos que a Nokia ameaçou roubar os holofotes que antes estavam fixos nos lançamentos da Samsung e da Apple.

Além desse casamento bem sucedido entre Nokia e Microsoft (principalmente se levarmos em conta que essa parceria completa o terceiro ano agora, no final de 2013), a BlackBerry não mostra sinais de recuperação à curto prazo (algo que ela precisa, desesperadamente). Com medidas que vão de tornar o BBM (BlackBerry Messenger) uma empresa subsidiária da BlackBerry até reduzir projeções de vendas, a empresa de Waterloo está se vendo cada vez mais perdida e enfraquecida no mercado mobile.

O pior é que a BlackBerry se reestruturou para “voltar mais forte”. E isso não aconteceu. É fato que muitos acontecimentos no meio do caminho explicam esse cenário atual da empresa, mas uma palavra sempre vai rondar a cabeça dos executivos da BlackBerry quando eles olham os relatórios trimestrais de vendas: tarde.

A BlackBerry demorou para perceber que não era mais hegemônica no segmento corporativo, demorou para perceber que os seus smartphones ficaram ultrapassados, demorou para mudar o corpo diretivo da empresa, demorou para lançar um tablet, demorou par lançar o sistema BlackBerry 10, demorou para lançar um novo produto com esse novo sistema… tudo isso se conecta diretamente à palavra “tarde”.

Tarde, não. Muito tarde. Tarde a ponto de dizer que “é tarde demais” para a própria BlackBerry.