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A minha vida no mundo tech basicamente começou aqui, nesse aparelho, o Nokia 6120. Tá, antes eu tive um Atari e um Pense Bem (o segundo nem era um computador; era um brinquedo, mas bem legal). Mas eu posso afirmar que o meu primeiro celular foi um Nokia. E isso, em 1994. Depois disso, foi uma série de modelos que passaram dos básicos aos mais avançados. Um dos meus primeiros reviews no TargetHD foi de um Nokia (2630). E até então foi uma jornada muito prazerosa.

Hoje, alguns fanboys xiitas da Nokia acreditam cegamente que eu odeio a empresa. Tolos. Julgam pessoas sem conhecer a sua origem, e ficam cegos pela cólera apenas porque criticamos algo que eles amam muito. Eu apenas segui em frente. Eu fui um Nokia Fanboy até entender que poderia seguir em frente com outras marcas/fabricantes. Mas até o amor acabar, eu tive ótimas recordações dos produtos da empresa. E não falo só no quesito consumo. Falo de momentos que essa marca fez parte da minha vida, como cidadão comum.

O primeiro celular Nokia que entrou em casa chegou a dar briga entre eu e minha irmã mais velha. Aliás, foi ela quem comprou o celular para poder falar com quem quisesse (em uma época onde a ligação do celular era muito cara). De qualquer forma, meses depois, vieram as linhas pré-pagas, e eu comprei esse primeiro modelo. Também foi por causa de um celular Nokia que meu pai ficou sabendo que meu avô faleceu, e pode se comunicar de forma mais ágil com meus parentes distantes.

A Nokia foi a primeira a me chamar para um evento de imprensa (Nokia Ovi, em 2009). Foi com a Nokia que ganhei o meu primeiro smartphone pelo ofício de blogueiro (Nokia N8, via Ovi Expedition II). Foi através de um celular da Nokia que, por horas e horas, conversava pelas madrugadas com aquela que hoje eu posso chamar de minha esposa. Através de celulares da Nokia, eu conheci melhor alguns dos bons amigos de tenho hoje.

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Falando um pouco de tecnologia, o que mais me chama a atenção até hoje da Nokia é a proposta dos seus produtos. Um design que, na maioria das vezes, chamava a atenção pela sobriedade e praticidade no uso diário. eram telefones que remetiam à modernidade, com um certo ar industrial, e com recursos que, na sua época, efetivamente tornavam a vida do usuário mais produtiva.

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Mesmo quando a Nokia “não acertou tanto”, como por exemplo com a tentativa de tornar o Symbian um sistema touch, a empresa apresentava propostas de dispositivos que eram atraentes no seu conceito geral. Tá, não vou me focar nos erros (e esse post não é para isso). Quero apenas destacar o quanto foi bom ter acompanhado essa trajetória de produtos de forma próxima. Escrever sobre isso. Testar isso. Utilizar os produtos como um usuário comum. Como um amante de tecnologia.

Ao mesmo tempo que a notícia da compra da Nokia por parte da Microsoft é uma espécie de “eu já sabia” coletivo (e, por conta disso, tem até toques de humor por parte de muita gente), é inegável não carregar esse sentimento nostálgico. Pensar nos tempos onde os lançamentos da Nokia eram os mais esperados, ou eram apostas quase seguras de sucesso. Os smartphones da empresa (como é o caso do Nokia E71 abaixo) eram considerados sedutores, objetos de desejo por parte dos usuários de diferentes segmentos.

E isso porque eu nem estou falando das baterias longa-vida que esses smartphones contavam.

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Eu sinto falta DESSA Nokia. Mas, como amo mais a tecnologia do que a Nokia em si, eu decidi seguir em frente.

Ser “promíscuo” no mundo da tecnologia é fundamental para que você não fique preso a conceitos atrasados e ultrapassados. Infelizmente, a Nokia foi vítima da prepotência e arrogância de seus executivos, que não só não olharam para os lados para perceberem que a concorrência ultrapassou, mas que também só acreditaram nos fãs incondicionais da marca, que diziam que a Nokia era “o máximo”, mesmo já não sendo.

Mas isso também não importa. Hoje, a Nokia como conhecemos um dia não existe mais. Agora, é uma empresa da Microsoft. Que, curiosamente, leva a marca Lumia, mas não a marca Nokia. Isso ainda será explicado. Mas sabemos que é o fim da Nokia de Espoo. Agora, tudo acontece em Redmond. E com o Windows Phone como sistema operacional.

Sempre me lembrarei da Nokia como a empresa que me fez entrar no mundo da tecnologia de forma efetiva. Sempre lembrarei da Nokia como a empresa responsável por me tornar um amante do mundo da tecnologia. Por me fazer gostar da inovação, de novos produtos, de lançamentos. Se hoje o TargetHD.net existe, muito em parte é por gostar da Nokia. E sou grato à empresa por isso. Afinal de contas, o blog hoje paga as minhas contas, e eu escrevo sobre tecnologia todos os dias através dele.

Por isso, não fica a tristeza pela compra. Aliás, ficar triste por causa disso é coisa de fanboy xiita. Mas me passa pela cabeça tudo aquilo de positivo que passei com produtos da empresa.

Que a Microsoft saiba o que fazer com a nova Nokia daqui para frente.