A TIM Brasil foi a operadora mais afetada pela decisão anunciada ontem (18) pela Anatel, que proíbe a venda de novos chips da operadora em 19 estados brasileiros a partir da próxima segunda-feira (23). E a TIM resolveu contar a sua versão da história.

Vale lembrar que a decisão da Anatel foi tomada com base na má prestação de serviços. O retorno das vendas das linhas por parte das operadoras atingidas (TIM, Oi e Claro) está condicionada a cada uma delas apresentarem um plano de investimento em melhorias na infraestrutura da rede, o que deve ser feito nos próximos 30 dias.

Para se defender, a TIM apresenta o gráfico que você vê acima, que está em posse da Anatel, e que mostra os indicadores de qualidade da rede, comprovando assim que a operadora está em posição de destaque. Ainda baseado em dados que também estão em poder da Anatel, no quesito “Índice de Desempenho no Atendimento”, os resultados alegados pela TIM são “excelentes” (palavras da nota de imprensa emitida pela operadora), e que saiu da última posição do último estudo realizado para ocupar a vice-liderança na análise mais recente.

A TIM também informa que a taxa de reclamação dos usuários caiu em 36%, e se os dados forem comparados com aqueles avaliados no primeiro trimestre de 2011, a operadora foi a única que apresentou uma redução na taxa de reclamações, e crescimento no Índice de Desempenho de Qualidade.

A operadora aproveitou a nota de imprensa para atacar a Anatel, declarando que a medida é “desproporcional”, e que “certamente afetará a competição no setor de telecomunicações (…), em benefício de alguns concorrentes”. A TIM afirma também que investiu aproximadamente R$ 3 bilhões por ano para melhorar a capacidade de sua rede, expansão do backbone, cobertura e instalação de hotspots WiFi.

A Claro também se pronunciou, mas foi menos enfática. Esclareceu que o critério estabelecido para a decisão da Anatel é relacionado a problemas pontuais de atendimento do call center nos estados onde a proibição foi decretada, e que as medidas de melhorias no atendimento já estão em prática, apresentando os resultados nos indicadores de junho. A operadora afirma ter investido R$ 3.5 bilhões apenas em 2012, e afirmam ter “o melhor serviço de banda larga em vários estados, inclusive em São Paulo”. A Claro já informou que vai apresentar os seu plano de investimento à Anatel em breve.

Por fim, a Oi informa que já investiu R$ 6 bilhões em melhorias do serviço em 2012, que já é um montante maior do que o investido em 2011 (R$ 4.959 bilhões) e 2010 (R$ 3.09 bilhões), e que em quatro anos (entre 2012 e 2015), eles pretendem investir até R$ 24 bilhões. Vai manter o diálogo com a agência, uma vez que entende que o parâmetro que fundamenta a análise da Anatel não “não reflete os investimentos maciços realizados em melhorias de rede”, e afirma que, na opinião da operadora, a análise está “defasada em relação à evolução recente percebida na prestação de serviços”, alegando que os dados revelados não consideram a concentração de investimentos em 12 meses.

Fato é que nunca vimos uma decisão tão incisiva da Anatel contra as operadoras de telefonia móvel. Por outro lado, a decisão é mais que necessária. O serviço no Brasil é caro, e a qualidade entregue ao consumidor brasileiro está muito abaixo daquela que é considerada o ideal. Quem sabe com tais atitudes as coisas mudam um pouco, e a qualidade melhore. Torcemos.

Via ITWeb