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Eu atualizei um de meus notebooks para o Windows 8, e admito que estou satisfeito com o novo sistema. Porém, reconheço que sou exceção da regra. Muitos usuários estão descontentes, e muitos outros sequer cogitam migrar para o novo sistema operacional. Mais: a rejeição em relação à nova versão do software operacional da Microsoft é tão grande, que isso causou uma estagnação nas vendas de novos PCs.

Quem informa esse cenário de crise é Jung Dong-soo, responsável pela área de chips da Samsung. Em recente entrevista para a imprensa sul-coreana, o executivo afirmou que não só a rejeição ao Windows 8 é grande, mas que os usuários estão preferindo investir o seu dinheiro em um smartphone do que em um novo computador. Aqui, a explicação é muito simples: nos dias de hoje um smartphone atende as necessidades mais básicas da maioria dos usuários (é claro que cada um sabe o quanto precisa de um ou de outro, ou seja, você não pode dizer que essa afirmação é incorreta só porque você precisa de um computador), e em muitos casos, um bom smartphone ou tablet custa consideravelmente menos que um notebook ou PC de médio porte. Sem falar no fator mobilidade, que é cada vez mais levado em consideração.

Jung vai além na sua avaliação. Afirmou que toda a indústria de computadores esperava que o Windows 8 fosse um sucesso imediato, mas na prática, aconteceu exatamente o contrário. Muitas críticas à nova versão foram feitas, e a maioria decidiu ficar com o Windows 7. O executivo faz até uma previsão que já foi comentada algumas vezes no TargetHD Podcast: “a era do PC está chegando ao fim”, uma vez que tanto o mercado quanto os consumidores estão mais e mais propensos a buscarem as soluções móveis.

Os argumentos do executivo da Samsung se provam com números. Segundo o Net Applications, o Windows 8 está em apenas 3% de todos os computadores com sistema Windows no planeta, após quatro meses de vida. A rejeição da nova versão consegue ser maior que a do Windows Vista, um dos piores sistemas já lançados pela Microsoft, que em 2007, contava com 4% de penetração de mercado depois dos mesmos quatro meses de lançamento.

A missão do Windows 8 se torna cada vez mais complicada com o passar do tempo. 44% dos computadores com Windows ainda rodam o Windows 7, enquanto que 39% dos PCs ainda contam com o Windows XP, que foi lançado há 11 anos, e já tem o fim do seu suporte anunciado. A resistência dos usuários é grande principalmente por causa da mudança radical da interface do sistema operacional, que eliminou o botão Iniciar do sistema, e aproximou a sua usabilidade daquilo que encontramos no Windows Phone e na UI do Xbox 360.

Particularmente, não tive muitos problemas com o Windows 8. A curva de aprendizado foi muito pequena, e gosto do desempenho geral do sistema. Porém, isso é no meu caso. Compreendo que, para a maioria dos usuários, a mudança foi muito grande, e está cada vez mais difícil a adoção do novo sistema. As perspectivas não são das mais otimistas, e aquilo que a Microsoft previa como uma revolução no mundo da informática (ou uma nova forma de interagir com o computador) pode na verdade ser o início do fim da era dos PCs junto ao grande público.