Eu amo a tecnologia, principalmente os smartphones. Lá atrás quando eu ainda usava um Palm para organizar os meus compromissos, eu já achava isso incrível. Hoje então, com uma ferramenta que faz isso e me permite a comunicação com outras pessoas ao redor do planeta, com uma simples mensagem de texto, é algo simplesmente sensacional. Mas um artigo publicado pelo The New York Times sugere que eu e você estamos nos tornando “mal-educados digitais”, justamente por causa dos smartphones que tanto amamos.

Não perdemos os nossos valores morais. E, se não os temos, nem adianta então fazer muito esforço para conquistá-los. Porém, o que a matéria afirma é que estamos cada vez mais nos esquivando de compromissos sociais através de pequenas mensagens de texto via SMS, WhatsApp e Twitter, sem sequer ter a consideração de telefonar para a pessoa e dar um argumento mais plausível e atencioso para quem está tomando o bolo. Ok, eu sei que ninguém mais usa o telefone para chamadas de voz, pois isso é algo obsoleto. Mas, mesmo assim… o buraco é mais embaixo.

Ficou fácil para as pessoas digitarem em uma frase com 140 caracteres “desculpe, meu joanete está doendo, e eu não posso andar”, clicar em “enviar” e seguir com suas vidas, como se nada estivesse acontecendo. De fato, a matéria do NYT defende que a maioria de nós (não vou generalizar, pois toda regra tem sua exceção) está se comportando como adolescentes de 14 anos de idade, que podem dar qualquer desculpa estapafúrdia para a outra pessoa, sem nenhum tipo de responsabilidade ou consideração, apenas porque contam com a tecnologia ao seu lado.

Na verdade, penso um pouco diferente. Não é a tecnologia que tornam as pessoas rudes e sem compromisso. Elas já são assim antes da tecnologia oferecerem um meio mais prático de contarem suas mentiras. Os smartphones apenas permitem que, de forma mais rápida, as pessoas de má índole se mostrem como elas realmente são: seres miseravelmente egoístas, que buscam desesperadamente por uma aprovação social em momentos específicos.

Normalmente, é melhor você cancelar um compromisso, mesmo que seja no último minuto, no lugar de fingir, mentir, ou tentar usar alguma desculpa esfarrapada ou desesperada (vou exagerar na frase, mas tem gente que tenta algo do tipo: “estou cruzando o Atlântico amanhã em uma canoa; preciso dormir mais um pouco…”) no lugar de sair mais cedo de casa para o seu compromisso? Desse modo, as coisas ficam mais palatáveis. É melhor isso, do que ter o seu receptor recebendo uma mensagem de texto mentirosa, não é mesmo?

A matéria do NYT vai além. Afirma que algumas pessoas são tão arrogantes que acreditam que as pessoas ficam o tempo todo coladas aos seus smartphones, e que uma mensagem enviada será imediatamente lida. Vale ressaltar que o jornal fica em Nova York, onde o egocentrismo é tão sagrado, que aqueles que não contam com um dispositivo inteligente (smartphone, tablet, notebook) são considerados caipiras ou deficientes mentais. E eu não estou brincando. É mais ou menos isso o que acontece.

Por fim, vamos ver a situação por outro prisma. O que antes era considerado “mascaramento social através do mundo digital” hoje é visto como fator de libertação e de mostra de caráter das pessoas. A tecnologia está, aos poucos, mostrando “quem é quem” no nosso dia a dia, e em alguns casos, mostrando quais são as pessoas que gostam da gente pelo o que realmente somos, ou quais são aquelas que se aproximam por interesses diversos.

Devemos agradecer por isso. De alguma forma.