Algumas coisas muito bizarras só acontecem na China. Motivo: ditadura. Eu sempre achei toda ditadura essencialmente burra e não funcional. E o caso desse post é mais um exemplo. Você acredita que, depois de anos do seu lançamento, só agora o PlayStation 3 pode ser vendido de forma legal no país?

Pois é. Há mais de uma década, o governo chinês decidiu “frear a decadência de sua juventude”, combatendo essa “ameaça capitalista”, o videogame. O governo de Pequim não poderia permitir que as futuras gerações fossem corrompidas na sua mais tenra infância pela mácula do produto vindo do Japão e/ou do imperialismo ocidental, de modo que em 2000, o governo impôs a proibição dos videogames na China. Isso mesmo. Nenhum videogame poderia ser comercializado no território chinês.

Agora, imagine você, gamer convicto, vivendo essa realidade. Terrível, não?

A consequência mais direta dessa “inteligente” medida para os chineses é que os consumidores fizeram a mesma coisa que outros países do mundo fazem quando os fabricantes demoram para lançar os seus produtos em um determinado mercado: importou os consoles por sua conta e risco. Dessa forma, um enorme mercado cinza (a.k.a. pirata) se estabeleceu no país. Quando o governo viu, não tinha mais jeito, e a solução foi liberar os videogames novamente no território chinês.

Resumindo: depois de seis anos de seu lançamento, e com a nova versão do console a caminho, o PlayStation 3 finalmente recebeu a certificação CCC (China Compulsory Certificate) no mês de de julho, o que dá à Sony local o direito de vender o videogame no país, de forma oficial.

Na prática, nesse exato momento, nenhum dos três principais consoles de videogames do mercado mundial (PS3, Xbox 360 e Nintendo Wii) são comercializados de forma oficial na China. Os portáteis da Nintendo (linha 3DS e seus outros consoles portáteis) ainda estão no mercado, graças à uma joint-venture com a empresa iQue, que driblou as proibições legais para ser lançado. A Lenovo também lançou recentemente o seu próprio console de videogames no pais, mas legalmente, o produto não é um videogame, e sim “um dispositivo de entretenimento doméstico”, ou uma espécie de Blu-ray player mais inteligente.

Se vamos ver o fim do veto na China aos videogames, é cedo para dizer. O PlayStation 3 é o primeiro que recebe essa certificação do governo chinês, e sabe-se lá o que foi que eles disseram para conseguir tal aprovação. O fato é que as portas agora estão abertas para a Sony comercializar o seu produto por lá, e nada impede que a Microsoft e a Nintendo façam o mesmo. Agora, até mesmo eu, que não jogo mais tanto quanto eu gostaria, não consigo imaginar um mundo onde eu estaria proibido de jogar videogames eventualmente. Ainda mais na era da internet.

Se bem que estamos falando da China, onde até a internet tem as suas restrições.