Agora, ainda mais rápido e “resolucionário”. Bom, segundo informa a própria Apple.

Para surpresa de todos, e indignação de alguns recentes compradores do agora extinto iPad 3, um novo iPad de 9.7 polegadas foi apresentado no evento de hoje (23). Poucas mudanças foram adicionadas no novo tablet, mas são melhorias que considero importantes o suficiente para dizer que o iPad 3, lançado no primeiro semestre de 2012, ainda funciona, mas ficou para trás.

Esteticamente, o iPad de quarta geração não recebeu mudanças. Suas dimensões e seu peso permanecem os mesmos. Talvez a principal mudança do novo iPad  esteja no seu novo processador A6X dual-core, com quatro núcleos gráficos. Segundo a própria Apple, esse processador promete o dobro de desempenho do finado iPad 3, além de uma capacidade de reprodução gráfica que está, no mínimo, dobrada.

Sua tela Retina é outro destaque, deixando assim os gráficos mais nítidos para fotos, vídeos, textos e jogos. São 3.1 milhões de píxels disponíveis para que os usuários possam aproveitar melhor aquilo que está sendo exibido na tela do dispositivo. Considerando o seu tamanho e suas possibilidades de uso, esse novo iPad com Retina Display é destinada aos usuários que querem uma melhor qualidade de imagem em um dispositivo com tela de menos de 10 polegadas, para diferentes atividades de entretenimento ou até mesmo em atividades profissionais.

Mesmo com as atualizações de hardware, que oferecem um maior desempenho no processamento e nos gráficos, o iPad de quarta geração segue a mesma regra de autonomia de bateria de 10 horas de uso. Segue o padrão que a Apple entende ser aquele que atende bem a maioria dos usuários. Levando em conta que o iPad é um produto menos “mobile” que o novo iPad Mini apresentado hoje, creio que essa autonomia de 10 horas seja suficiente para atender até mesmo aos mais exigentes. E, se existe um ponto positivo nesse lançamento é justamente a adição de novos recursos, mas pelo menos mantendo a autonomia de bateria do modelo anterior.

As demais características técnicas não foram alteradas, ou sofreram mudanças que quase não afetam as suas especificações técnicas já conhecidas: câmera frontal com FaceTime em HD (720p), câmera traseira de 5 megapixels com iSight e gravação de vídeos em Full HD (1080p), conectividade Wi-Fi 802.11 e 4G LTE, entre outras. Isso, sem falar na nova porta Lightining, que desde o lançamento do iPhone 5, virou a porta de conexão padrão dos dispositivos Apple.

A atualização do iPad de 9.7 polegadas só tem uma explicação racional. Como bem disse o internauta @BrunoTadashi no Twitter, a Apple só fez essa atualização do iPad para bater de frente com o Silverlight da Microsoft, que já era de conhecimento público de lançamento no segundo semestre, e que poderia comer mercado da empresa da maçã, com um tablet com um sistema operacional completo e “de verdade”, contra uma versão mobile, o iOS. Além disso, a solução da Microsoft oferece o mesmo preço, com um hardware melhor, e com o novo Windows RT, que será integrado a maioria dos computadores do planeta.

Porém, hardware não é tudo, e a Apple sabe disso. Enquanto que o Surface chega ao mercado com pouco mais de 5 mil aplicativos disponíveis na Windows Store, o iPad de quarta geração conta ao seu favor com um acervo de mais de 275 mil aplicativos exclusivos para a sua solução, o que pode garantir que uma nova clientela se mantenha com a sua solução.

Por outro lado, particularmente, a Apple deu mais um belo tiro no pé ao lançar um novo iPad hoje. O iPad 3 foi lançado no primeiro semestre de 2012, e esse lançamento de hoje me parece uma atitude desesperada da gigante de Cupertino. O pior não é a atualização em si, e sim o fato deles terem “matado” o iPad 3, que teve apenas seis meses de vida. Isso mesmo, o iPad de terceira geração está oficialmente substituído por esse novo iPad, mais potente, mais rápido nos gráficos, mas que fez muita gente que comprou a atual geração ficar para trás.

Muitos levantam a desculpa do “o seu iPad atual ainda funciona”. Aliás, fanboy da Apple acha desculpa para tudo. Porém, eu penso diferente. Para mim, a compra de um produto de tecnologia é um investimento, ainda mais no Brasil. As pessoas pagam caro por esses produtos, e muitos usuários não querem ficar para trás em relação aos lançamentos. Muitos de nós nos convencionamos com a janela de 1 ano de diferença para cada atualização de um dispositivo, e isso faz com que o ciclo mercadológico fique girando constantemente.

Agora, lançar uma atualização em apenas seis meses, e retirar do mercado a versão anterior é simplesmente um descaso para quem ficou horas na fila para comprar o iPad 3, ou para quem ainda está pagando pelo produto. Por outro lado, vem sempre aquela frase: paga quem quer.

Assim como o iPad Mini, o novo iPad de quarta geração tem a sua pré-venda iniciando na próxima sexta-feira (26), com as vendas iniciando no dia 2 de novembro. Sem previsão de chegada no Brasil, por enquanto.

Preços:

Wi-Fi:

16 GB, por US$ 499
32 GB, por US$ 599
64 GB, por US$ 699

Wi-Fi + 4G

16 GB, por US$ 629
32 GB, por US$ 729
64 GB, por US$ 829

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