O mercado de netbooks apresentou declínios significativos nos últimos meses. E agora, o seu fim é decretado de forma definitiva, uma vez que as duas únicas fabricantes de produtos dessa categoria (Asus e Acer) já anunciaram que vão esgotar os seus atuais inventários desses produtos nas primeiras semanas de 2013, segundo informa o jornal britânico The Guardian.

A maior parte dos estoques dos últimos netbooks da história estão destinados principalmente para os mercados da Ásia e da América do Sul, mas mesmo nesses mercados as vendas simplesmente despencaram, com a ascensão das vendas dos smartphones e dos tablets de baixo custo. Mesmo assim, se você é um daqueles que quer guardar um netbook como uma relíquia tecnológica, a hora de comprar é agora.

Com essa mudança na preferência de mercado, a Acer será a fabricante que terá que fazer os maiores sacrifícios, já que em setembro eles seguiram insistindo na teoria que os netbooks seriam parte do futuro para os usuários. Vale a pena observar que empresas como a Lenovo ou a Dell eliminaram o produto de suas linhas de montagem há meses, pensando exatamente o contrário.

Mesmo com essas mudanças, a Intel, que criou o processador Atom com o objetivo de abastecer o mercado de computadores de baixo custo, consumo energético e maior duração de bateria, seguirá trabalhando em novas versões do produto para adicioná-lo em novos mercados.

O fim definitivo dos netbooks foi provocado por vários fatores, entre eles um mal início no mercado, a chegada dos ultrabooks, o cenário econômico mundial e o crescente mercado dos tablets. Em 2009, quando os netbooks estavam no mercado a apenas dois anos, e o iPad não era nada mais que um rumor, as vendas desses dispositivos já estavam em queda.

Um elemento chave desse início deficiente foi o completo domínio que a Microsoft tinha na demanda de computadores, mas só oferecendo o Windows XP como opção de sistema operacional, deixando os usuários que utilizavam o Linux sem uma opção. O netbook clássico era mais barato que um notebook, uma vez que contava com uma tela de 7 polegadas, uma pequena unidade flash e um processador Intel Atom, que trabalhava com um software Linux (Ubuntu ou derivados). Porém, o aumento das especificações e a adoção do Windows por parte dos fabricantes fez com que os preços subissem consideravelmente.

O principal argumento dos netbooks além do seu preço era a promessa de dispositivos portáteis de fácil transporte e com uma elevada autonomia de bateria. Mas nos últimos anos, assistimos a chegada de dispositivos de mais fácil transporte, com melhorias na bateria e que oferecem ao consumidor um rendimento muito melhor que os netbooks.

Mas o que realmente colocou um ponto final no ciclo dos netbooks foi a chegada dos tablets, como o iPad. Na metade de 2010, as empresas começaram a apostar na fabricação de seus próprios tablets com o sistema Android, com o objetivo de competir em um mercado emergente, dominado pelo tablet da Apple. E esse foi o início do fim dos netbooks.

É uma pena. Quando começamos o TargetHD.net, em 2008, os netbooks eram os mais cobiçados daquela época. E ver que eles só duraram aproximadamente seis anos no mercado de tecnologia é a prova cabal que esse mundo tecnológico se movimenta de forma muito rápida. E não sabemos o que virá a seguir.