A maioria dos geeks mais “veteranos” (para não chamar de velhos mesmo… e eu me incluo na turma) que eu conheço ou tiveram um BlackBerry, ou sonharam em ter um BlackBerry. Eu mesmo tive a felicidade de trabalhar com um BlackBerry Bold 9780 durante um ano, e fui feliz com ele. Só passei o smartphone para frente porque o sistema da RIM ficou muito para trás em relação aos demais concorrentes do mercado, e tudo o que eu precisava em dispositivos corporativos, eu poderia fazer com um iPhone ou um Android. É uma pena, pois o BlackBerry é um smartphone que me fascina até hoje.

Porém é fato que o BlackBerry OS como conhecemos hoje é um sistema morto, travado, desatualizado e, principalmente, velho. Não progride mais. Por isso, a iniciativa da fabricante canadense em repaginar completamente a proposta do seu sistema operacional é vital para a sua própria sobrevivência. Até porque eles correm o risco de caírem na mesma sina do Symbian, que perdeu o seu tempo de se renovar, e praticamente morreu. Isso, sem falar no exemplo de outros sistemas operacionais do mercado, que falharam no meio do caminho, na iniciativa de ser uma alternativa aos gigantes do mercado, mas não evoluíram como os principais sistemas operacionais.

Porém, a RIM ainda tem uma alternativa: ser um produto cult, de um nicho específico. Para os fãs incondicionais do BlackBerry. Um dos grandes pontos positivos desses smartphones é a sua funcionalidade, principalmente para aqueles usuários que tinham a necessidade de escrever muito no smartphone. Com o passar dos anos, os BlackBerrys se tornaram boas ferramentas de comunicação simples, como em redes sociais (Twitter, Facebook), mensagens de texto e mensageiros instantâneos (como o BBM). Essa estratégia converteu o BlackBerry de ferramenta corporativa para uma opção mais barata para os usuários que mais dão prioridades para as redes sociais. E essa estratégia até que deu certo em alguns países da Europa, principalmente no Reino Unido.

Com os modelos com BlackBerry OS 10, a nova versão do sistema operacional móvel da RIM, deve ser a mesma coisa. Apesar de contar com uma proposta totalmente reformulada, voltada para os telefones com telas sensíveis ao toque, um dos principais pontos positivos do BBOS 10 é justamente o seu teclado virtual, que segundo as primeiras análises internacionais, é uma das mais competentes do mercado. Ou seja, até mesmo a RIM já sacou que deve continuar investindo nesse segmento dos usuários de redes sociais. Mais precisamente, os fãs do mundo BlackBerry.

Até porque a RIM já sabe muito bem que não adianta mais investir no mercado corporativo. As grandes empresas já entenderam que podem utilizar iPhones e Androids com segurança para a comunicação e armazenamento de dados de grande relevância, pois entendem que esses sistemas já são maduros o suficiente para tal, e as soluções de segurança vindas de outros fabricantes especializados em segurança de dados mobile são mais competentes e de menor custo que aquelas oferecidas pela RIM.

Por isso, a RIM deve sim apostar nos seus fãs. Apostar naqueles que, apesar de tantas críticas e controvérsias, não abandonaram os seus BlackBerrys para adotar outra plataforma. Talvez o principal problema da fabricante canadense a essa altura do campeonato seja o fator tempo. Lançar o BlackBerry OS 10 apenas no primeiro trimestre de 2013 pode ser tarde demais para reter um mercado relevante o suficiente para sobreviver no mercado mobile. Em compensação, se o novo sistema for realmente muito bom, existe uma pequena chance dos sobreviventes da plataforma manterem uma taxa de mercado viva, para até começar a convencer os demais que o BlackBerry voltou a ser uma alternativa legal e interessante (particularmente, acho essa última parte difícil de acontecer).

Até porque, pelo menos até agora, o BlackBerry ainda está na frente do Windows Phone. E isso é alguma coisa que não pode ser desprezada. Principalmente pelos canadenses.