Linux

Aos poucos, os fabricantes de notebooks apostam mais na comercialização de notebooks com GNU/Linux como sistema operacional. Recentemente comentamos sobre um notebook da HP com Endless OS, mas a Dell também tem vários notebooks com Linux.

Mas parece que equipar um notebook com Linux é um apelo para os pequenos fabricantes abrirem um espaço entre as dezenas de empresas que lançam seus produtos. Mas… este é um argumento suficiente para um fabricante menor triunfar?

Até que ponto o Linux é o suficiente para convencer o consumidor?

A estratégia de focar diretamente nos usuários Linux pode fazer com que fabricantes menores se destaquem mediatamente (já que os grandes não fazem isso), mas isso não é garantia de sucesso ao longo prazo se outras coisas não estão em mente na hora de desenvolver seus produtos.

A primeira é, evidentemente, adaptar bem o sistema operacional. Não basta instalar o Linux e pronto: tem que garantir que o hardware não terá problemas de compatibilidade. Tudo tem que funcionar corretamente.

Ter modelos muito bem pensados e com o público alvo bem definido é algo fundamental. Isso agrega valor ao produto, e ajuda a destacar o mesmo dentro da própria concorrência.

A System76 é um bom exemplo do que estou falando. Esse fabricante norte-americano se tornou referência em notebooks com Linux. Não cair no truque dos notebooks clônicos que não agregam nada entre os diferentes modelos é algo muito importante.

Os custos de envio também são argumentos de peso na hora de promover um produto. Um fabricante que oferece envio grátis é visto mais fácil pelo consumidor.

Ter um teclado adaptado para o português pode também ser uma vantagem. Para os usuários avançados isso não é um problema, mas produtos como o Xiaomi Mi Notebook Air podem ir muito melhor no mercado se oferecesse suporte para múltiplos idiomas.

Também não podemos ignorar o fator preço. É possível instalar o Linux em praticamente qualquer notebook com Windows. É atraente comprar um notebook com sistema operacional adaptado e pré-instalado, mas se o preço é muito elevado, os usuários podem recorrer a outras alternativas, ainda que seja complicada a tarefa de trocar de sistema operacional.

Mas nada disso vai servir de longo prazo se o pós-venda não for eficiente.

Um notebook atraente nas fotos, no preço baixo e no sistema operacional pode convencer alguns a comprar o produto, mesmo sendo de uma marca nova. Mas se o acabamento final e os materiais não cumprirem com as expectativas, as críticas serão negativas, e este será um problema sério para os novo fabricantes.

Os usuários normalmente vão esperar pelas primeiras resenhas sobre os produtos de novos fabricantes, e elas precisam ser positivas para esses fabricantes terem alguma chance de seus produtos triunfarem.

E, se os primeiros problemas com o produto acontecerem, o fabricante não pode deixar o cliente à deriva. E isso vale para todas as marcas. Os fabricantes precisam se esforçar em dobro para ganhar a etiqueta de confiáveis nesse aspecto.

Por fim, respondendo a pergunta do título desse post: o Linux pode ajudar um pequeno fabricante a curto prazo, fazendo com que ele receba destaque rapidamente entre a concorrência. Mas a médio e longo prazo, para ter sucesso, é preciso cumprir com muitos outros requisitos para conquistar mercado e se transformar em um fabricante de referência.