Começo esse texto perguntando para você, amigo leitor do TargetHD: o que você é capaz de fazer em uma hora?

As respostas são muitas: ver um episódio de série (dois, se for de séries de comédia), almoçar de forma civilizada, escrever posts para um blog, ouvir um podcast, sexo, ver o noticiário… enfim, coisas de pessoas normais. A Apple, que não é normal, esgota um estoque inteiro de pré-venda online do iPhone 5. E gastou menos de uma hora para isso. Quem quiser um novo iPhone no dia 21 de setembro para poder fazer inveja aos amigos, vai ter que entrar na fila em uma das lojas da empresa. E olha que eu prevejo esse smartphone sendo disputado a tapa.

Não adianta você dizer “ele é mais do mesmo, só aumentou o tamanho, não tem nada de mágico e revolucionário, e é trouxa quem vai passar por isso”. Esse seu discurso é redundante e tolo. Fato é que, mesmo com reações um tanto quanto mistas de consumidores e especialistas de tecnologia (nem todo mundo gostou do que viu), o iPhone 5 já é um grande sucesso, e pelas previsões (e principalmente, pela amostra da voracidade dos consumidores online), o novo smartphone da Apple pode se tornar o maior sucesso de vendas da empresa, e alguns arriscam em dizer que o modelo será o smartphone que mais rápido se venderá na história.

As apostas são altas. Segundo o analista da Capital Markets, Amit Daryanani (e ele não é o único a afirmar isso), o iPhone 5 pode vender no primeiro final de semana (entre 21 e 23 de setembro), nos países onde a primeira leva do produto estará disponível, até 5.5 milhões de unidades, o que já tornaria o modelo mais vendido da história da Apple nesse curto período de tempo. Para o trimestre compreendido entre setembro e final de novembro, os números podem chegar entre 8 e 10 milhões de unidades, e para o período entre dezembro de 2012 e março de 2013, a estimativa é de mais de 50 milhões de unidades vendidas do iPhone 5.

São números realmente assustadores. Em seis meses, a Apple pode ter vendido mais de 60 milhões de unidades do novo iPhone no planeta, tornando esse o maior lançamento de sua história, o smartphone mais vendido de todos os tempos, e o produto de tecnologia de consumo que mais rápido se vendeu na história. E, de quebra, seria a resposta da própria Apple contra a Samsung, que se orgulha em afirmar que distribuiu em poucos meses 30 milhões de unidades do Galaxy S III. Lembrando: quando a Apple revela seus números, são de unidades vendidas e ativadas pelos usuários. A Samsung menciona os smartphones distribuídos, mas não necessariamente vendidos pelas lojas.

Um dos fatores observados pelos analistas é que, apesar de produtos da HTC, Sony e Samsung se aproximarem cada vez mais do iPhone com os seus produtos top de linha, a Apple consegue reter seu público melhorando aquilo que já funciona muito bem desde 2007, com o lançamento do primeiro iPhone. Logo, a empresa de Cupertino, na prática, não precisa mais trazer grandes inovações no seu smartphone, pois segura o seu público cativo com as novidades acrescentadas a cada atualização. E conquista novos consumidores mostrando que “aquilo que era bom, ficou ainda melhor”.

E, de fato, em alguns aspectos técnicos, o iPhone 5 está melhor: sua câmera recebeu um belo upgrade, temos um processador mais rápido, uma tela maior, um case de metal, conectividade 4G LTE (que não funciona no Brasil… #sad), um WiFi mais potente e o iOS 6. Na minha opinião, a grande decepção foi mesmo a autonomia de bateria, que é a mesma do modelo anterior, apesar de uma performance 40% maior. Ok, isso é uma vantagem, mas eu gostaria de ter um iPhone que durasse ainda mais na sua autonomia de uso. Isso é sim possível de ser feito. Afinal, bastava uma bateria maior para isso, e pronto. Porém, Tim Cook preferiu oferecer um smartphone mais fino e leve, algo que, particularmente, eu dispenso.

De qualquer forma, o iPhone 5 já é um sucesso antes mesmo de chegar aos usuários. Prevejo muito barulho na próxima semana com o lançamento do produto nas lojas. Pessoas ficando na fila durante uma semana, tomando chuva e frio, toda aquela badalação nas lojas da Apple, aquelas pessoas felizes porque foram os primeiros a ter o smartphone… enfim, tudo aquilo que já nos habituamos a ver todos os anos.