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É uma frase um tanto quanto forte, reconhecemos. Porém…

O império da Apple, considerado como algo intocável nos últimos anos, mostra sinais de desaceleração com o freio nas vendas de iPhones e uma queda nos lucros pela primeira vez em 13 anos. A confirmação que nem tudo é tão positivo como o marketing da empresa prega só foi agravada com a notícia da Alphabet (Google) ter superado a gigante de Cupertino em capitalização de mercado, algo que não acontecia desde 2010.

Neste cenário, vale a pena revisar o presente da Apple, para tentar projetar o seu futuro. Lembrando de novo que é um atrevimento da nossa parte falar em “queda” ou “desmoronamento” do império da Apple, que é uma empresa capaz de faturar US$ 75 bilhões por trimestre, com lucros de US$ 18.4 bilhões, acumulando uma reserva financeira de US$ 200 bilhões. Nenhuma empresa de tecnologia entrega números tão expressivos.

Mas isso tudo não isenta a Apple de problemas. Uma grande queda no seu valor na bolsa veio depois do anúncio dos seus resultados financeiros do quarto trimestre de 2015, resultando na perda de milhões de dólares em valor de mercado. O principal dos problemas (que não é o único) é a enorme dependência do iPhone, que representa hoje dois terços do faturamento total.

Ou seja, a queda de vendas de smartphones tem um efeito direto nos resultados. Algo que aconteceu pela queda no mercado chinês, o aumento no valor do dólar e a saturação do mercado ocidental. Nem os mais fiéis à Apple querem pagar US$ 700 para trocar de smartphone todos os anos, ainda mais quando o novo modelo não apresenta nenhuma novidade significativa.

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A queda brutal de vendas dos tablets iPad e a queda mais moderada nas vendas dos computadores Mac também merecem uma observação.

A Apple dominou o setor de tablets em 2015, mas com perdas de 25%. O Apple Watch alcançou a primeira posição no seu segmento de vendas, mas está com um desempenho muito abaixo do que o previsto pela empresa. E nenhum dos dois produtos pode hoje compensar a queda de faturamento do iPhone. As mudanças na cúpula executiva realizadas no final de 2015 podem ter influenciado também, já que foram as maiores mudanças desde que Tim Cook assumiu o posto de CEO. Essas mudanças vieram como preparação para os “novos tempos”, já se preparando para um período de estancamento.

Diante de uma empresa de smartphones como a Apple é hoje, com a venda do produto para o cliente real e a rentabilidade como único objetivo, alguns analistas a comparam com a estratégia da Alphabet, que além de fazer um grande negócio com os seus produtos mais conhecidos, ainda “perde” dinheiro com suas divisões de pesquisa e desenvolvimento. Porém, não abandona esses projetos pois os mesmos agregam valor indireto ao conglomerado.

Será que a Apple deve ir além da estratégia total de venda de produto e investir parte do seu efetivo nesse tipo de projetos, que são menos rentáveis a curto prazo, mas de grande futuro. Confiar tudo na venda de smartphones pode ser um problema. Afinal, quanto maior o gigante, maior a queda.

Nokia e Motorola deixam lições bem claras.