Por Eduardo Moreira, do TargetHD.net

Em 2010, eu fiz a minha primeira cobertura de imprensa “pra valer” de um evento na Campus Party Brasil. Minhas outras participações com eventos de tecnologia foram convites feitos pelos fabricantes, e eu não tinha a obrigação de escrever para outro veículo que não fosse o meu próprio blog. Porém, a Campus Party 2010 foi a minha prova de fogo para saber se estava no caminho certo. Foi uma semana muito corrida, de muitas atividades (como está sendo esta). Mas foi uma semana de aprendizado. E uma das mais valorosas aconteceu em uma das coletivas mais legais que participei, em todos os aspectos.

Mas antes, vamos falar um pouco de Fábio Barreto, responsável pelo SOS Hollywood e, por tabela, o SOSCast. Conheci o podcast dele por causa do polêmico Prêmio Podcast de 2009, onde por decisão da organização, colocaram o meu blog de séries, o Spin-Off na categoria Cinema/TV. Gostei do podcast dele, mas nunca mantive um contato mais formal antes dos resultados serem anunciados. André Zuil e Vana Medeiros já mantinham contato ao menos pelo Twitter.

Após a premiação, o “Barretão” (como normalmente os podcasters o chamam) me chamou no Skype, e conversamos sobre diversos temas. Foram quase duas horas de conversa online, e um detalhe que já havia observado nas edições do SOSCast que ouvi: a obstinação. Barreto é um obstinado, um batalhador. Ok, boa parte de nós, brasileiros, somos lutadores. Mas ele é aquele tipo de cara que se atira naquilo que faz, que busca os seus objetivos. Mas uma característica que observamos em alguém se torna mais evidente quando vemos isso ser aplicado em uma atividade prática. Mas falo disso daqui a pouco. Ao fim da conversa, ficou a promessa de um encontro na Campus Party 2010. E isso aconteceu.

Muitas piadas e trocas de informações depois, em um determinado momento, havia chegado a hora de ir fazer a coletiva do Kevin Mitnick, uma das mais esperadas da Campus Party do ano passado. Nisso, o Barretão me perguntou aonde seria, pois precisaria fazer algum conteúdo de imprensa por lá. E fomos juntos para a coletiva.

Porém, como vocês bem sabem (se não sabem, ficam sabendo agora), o SOS Hollywood não fala de tecnologia. É um site que fala essencialmente de cinema e TV, com cobertura do Barretão dos acontecimentos nessas duas áreas direto de Los Angeles. Nisso, ele me pergunta quem é o Kevin Mitnick, e o que ele faz. Digo de forma breve quais são os principais feitos do cara, o que ele faz hoje e qual a importância dele para o evento. E aí começa uma coletiva espetacular, não tanto pelo entrevistado, mas pelo o que acontece durante a coletiva. E também as lições que aprendi nesse dia.

Em uma coletiva de imprensa, não há uma apresentação de quem é o cara, ou do que ele faz. Isso só acontece em eventos de produtos e serviços. Os jornalistas que estão lá já sabem quem o cara é, e o que ele faz. Logo, Mitnick chegou, se posicionou atrás do microfone, e ficou quieto, esperando as perguntas dos jornalistas. Nisso, houve pelo menos 50 segundos de um silêncio desconfortante, onde jornalistas (teoricamente) mais preparados e habilitados do que eu não perguntaram absolutamente nada. E foi aí que Barretão começou.

Foi uma sequência de perguntas ligadas ao tema de Mitnick (segurança na internet), e também ligadas à área do SOS Hollywood (mercado digital, e-commerce, compartilhamento de filmes, etc), todas elas de forma ágil, prática, objetiva e inteligente. Nessa coletiva eu vi que, mesmo como blogueiro, era essencial ter uma fluência ao menos razoável no inglês. Meu inglês estava bom para entender, mas não para me comunicar. Mesmo porque, quando fiz a minha pergunta, vi que o tradutor oficial, contratado pela Campus Party para auxiliar os jornalistas, era tão fraco quanto eu para falar em inglês. Fraco a ponto do Barretão traduzir para Mitnick aquilo que o tradutor deveria traduzir. E isso foi muito engraçado.

Outro detalhe: Barreto não fez muitas anotações. Seguiu bem o feeling de perguntar as coisas certas, e assimilar a essência daquilo que Mitnick disse. Fez como um bate-papo mesmo (uma vez que, repito, os demais não perguntavam). Isso fez com que Mitnick se envolvesse na coletiva, e respondesse as questões de forma mais completa e pessoal.

Eu confesso que fiquei impressionado com o talento e a capacidade do Barretão nesse tipo de cobertura. E assimilei essas lições para minhas coberturas de eventos de tecnologia. E isso deu resultado.

Hoje, 18 de janeiro, o SOSCast completa 3 anos de vida. Poucos jornalistas que conheço aplicam de forma tão consistente a convicção, a qualidade de informação e a paixão pelo o que está fazendo como Fábio Barreto. O SOSCast é uma das maneiras mais legais de se manter informado sobre o mundo do cinema e da TV, pela sua independência, autenticidade e qualidade no conteúdo apresentado. Fica a minha indicação para que os leitores do TargetHD acompanhem esse projeto com atenção, pois são poucos os trabalhos que são tão autênticos quanto esse. E que o SOS Hollywood, com o SOSCast, continue alcançando novos objetivos. E tudo isso, direto de Los Angeles!