notícias falsas

 

As eleições presidenciais norte-americanas reascenderam o debate sobre como é fácil criar e espalhar notícias falsas na internet.

Combater esse fenômeno é algo bem difícil. Além de todo o potencial de manipulação de opiniões, tal prática pode render milhares de dólares por poucos minutos de trabalho.

Cameron Harris, do site ChristianTimesNewspaper, é especialista em criar notícias falsas. Já ganhou milhares de dólares com a prática, mas produziu a sua obra prima ao lançar na web a notícia que alguém teria descoberto milhares de boletins de votos pré-preenchidos a favor de Hillary Clinton.

A notícia viralizou entre os apoiadores de Trump, alcançando 6 milhões de pessoas e rendendo US$ 5 mil para Cameron… por apenas 15 minutos de trabalho.

E esse dinheiro foi pouco. É possível ganhar cerca de US$ 1.000 por hora. Durante as eleições, Cameron lucrou cerca de US$ 20 mil em publicidade no seu site, por apenas 20 horas de produção de notícias falsas e um domínio que lhe custou US$ 5.

E o negócio poderia ser ainda mais rentável. No auge do viral, o seu site chegou a ser avaliado em mais de US$ 100 mil.

Cameron perdeu uma grande chance. A Google em breve vai tirar o seu ganha-pão, já que vai deixar de emitir publicidade em sites de notícias falsas.

 

O próprio Cameron Harris fica surpreso com a facilidade com que as pessoas acreditam em tudo o que leem na internet, sem checar sua credibilidade.

A boa notícia é que, se existem sites que produzem notícias falsas, existem os sites que se dedicam a desmascará-los.

Por outro lado, os mais fervorosos só se dedicam a ler os títulos que confirmem uma suspeita ou desejo que ele já tem, sem se importar se aquilo é falso ou verdadeiro. Basta estar escrito para atrair milhares de cliques e visitas.

Com exceção dos casos onde as notícias falsas visam manipular a opinião pública, na maioria dos casos o único interesse dos seus criadores é ganhar dinheiro fácil, com títulos “baiting” (sensacionalistas, para atrair cliques), ou com screenshots falsas usadas como imagens do YouTube para atrair espectadores (quando o vídeo nem sequer tem algo a ver com a imagem inicial).

Enquanto tal atividade continuar a dar dinheiro, vamos continuar a ter gente adotando a mesma. A perspectiva de ganhar dinheiro fácil fará com que mais e mais pessoas se sintam tentadas a fazer o mesmo, obrigando um maior cuidado de todos naquilo que se lê.