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Eu sei que eu fui um daqueles que estavam um pouco céticos sobre isso, e essa frase soa mais como brincadeira do que uma profecia mais séria. Porém, o fato é que o mundo da telefonia móvel é muito mais dinâmico do que você pode imaginar. E é ótimo escrever sobre esse mundo, pois ele não é monótono. Mais: em muitos casos, ele é imprevisível.

Hoje, se alguém fala que vai comprar um smartphone, não dá mais para dizer que só podemos recomendar um Android ou um iPhone. A dualidade que havia se consolidada em uma batalha que começou em 2008, com um Android dominando o mercado mobile atual de forma voraz, e um iOS que mantém respeitáveis dois dígitos de mercado tem um terceiro personagem. Tímido, discreto, mas ameaçador: o Windows Phone.

A grande massa de usuários pode ter se acostumado com a luta dos dois gigantes (de Mountain View e de Cupertino), e se dividem em dois grandes grupos de pessoas doentes entusiastas: os Apple Fanboys ou os Google Fandroids. Temos que levar em conta que, quando um membro desses dois grupos defende de forma apaixonada uma das plataformas ao mesmo tempo que ridiculariza a outra, as duas marcas dão as mãos: tudo o que elas mais querem são nichos de mercado bem definidos e diferenciados, para continuar a explorar esses nichos de forma competente.

Análises trimestrais da IDC ou da Gartner mostram que o mercado convive bem com isso há muito tempo. Porém, já vemos o terceiro concorrente se aproveitando das reclamações dos dois grupos para avançar posições, de forma lenta, porém, precisa. E, convenhamos: não estamos falando de um intruso qualquer. É ninguém menos que a Microsoft.

A gigante de Redmond chegou um pouco tarde nessa festa, e no meio desse tumulto todo, priorizou o desenvolvimento de sua plataforma, ficando um pouco de lado da briga direta de vendas. Apostaram na única vantagem comparativa que um sistema recém chegado ao mercado oferece (o Windows Mobile não conta – o mundo quer esquecer que aquilo existiu): aprender com os erros dos seus rivais, e tentar melhorar o produto que está oferecendo.

Ok, você quer que eu lembre da BlackBerry. Pois não.

A BlackBerry apostou na defesa de posições: a empresa canadense era forte nesse mercado, mas por não ter atualizado o seu sistema operacional a tempo, se encontrou completamente indefesa nessa guerra. Era como enfrentar metralhadoras e canhões com estilingues. Resultado: está semi-morta. E, me desculpem os seus defensores, mas o aporte de US$ 1 bilhão é a melhora da morte. Veremos se em novembro de 2014 estaremos falando da BlackBerry.

O Windows Phone evitou inicialmente o confronto direto, e dedicou um grande tempo no desenvolvimento na sua plataforma. E, ao que tudo indica, esse tempo investido está se revertendo em resultados mais sólidos a longo prazo.

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E a Microsoft levou um bocado de tempo para alcançar o seu primeiro objetivo: oferecer um produto de qualidade, que é apreciado pelo usuário. Hoje, o Windows Phone conta com um dos índices de satisfação mais elevados entre os usuários de dispositivos móveis, e dizer isso deixou de ser uma piada quando em abril de 2013 a plataforma se transformou na mais valorizada entre os norte-americanos. Sim, o desacreditado que entrou por último no bar começou a pegar as gatinhas que estavam dando sopa (e que pertenciam aos outros caras, que chegaram antes no mesmo bar).

Os usuários que testaram o Windows Phone estavam encantados, o que é algo sempre melhor do que estar contente com alguma coisa. Sim, eu sei, são poucos usuários. Mas esses poucos estão muito felizes, e não estão dispostos a abandonar essa felicidade.

Porém, a Microsoft não diminuiu o ritmo de avanço, e tomou medidas para garantir que no seu ecossistema não faltará um só aplicativo de primeiro nível, algo que poderia fazer com que os usuários cogitassem outras plataformas. O Instagram foi uma das conquistas mais complexas, mas deu uma boa mostra do desejo da marca em oferecer ao usuário mais argumentos para que ele fique no Windows Phone por vontade própria.

Porém, nessa estratégia expansiva, uma plataforma não é nada se não tiver um hardware sólido. É fato que os fabricantes de smartphones fizeram notáveis esforços para somar esses dois mundos, mas tal e qual como reconheceu de forma acertada a Microsoft, a experiência excelente se obtém quando hardware e software andam juntos na mesma estrada. É sempre bom lembrar que a Microsoft aprendeu essa lição que foi dada de forma bem clara e evidente pela Apple.

Por isso, o romance Nokia/Microsoft começou de forma apaixonada, e pouco tempo depois, a gigante de Espoo se transformou na empresa eleita da gigante de Redmond para unificar esses dois mundos. E começou isso através da linha Lumia, onde a cada lançamento, a Nokiasoft apresentava mais argumentos positivos para que os usuários encantados apostassem na plataforma (na típica estratégia de retenção), oferecendo novas experiências, através da inovação.

O resultado de tudo isso? Pois não.

O Windows Phone cresceu nada menos que 123% no último trimestre (terceiro trimestre de 2013). O sistema registra meses consecutivos de aumento na base de usuários, e a Nokia pela primeira vez registra lucros trimestrais, depois de anos de prejuízos. Um dos motivos para tudo isso acontecer está nas inovações que a Nokia promove em seus dispositivos, e um usuário que já está de saco cheio desse duopólio Android + iPhone pode ficar cada vez mais tentado em se aventurar em novas águas, e deixar que os fanboys desses dois grupos se estapeiem e se xinguem de forma tola.

É óbvio que o Windwos Phone está BEM LONGE de ser um perigo real e imediato para as duas plataformas gigantes do mercado mobile. Mas, se eu tivesse que apostar o meu dinheiro no futuro (e, se eu fizesse isso, seria em um “online casino“), eu diria que, a partir de agora, Google e Apple precisam ver o Windows Phone (e a Microsoft) como uma ameaça desde já. Até mesmo para não repetir os erros do passado da Nokia e da BlackBerry.

Com informações do WMPoweruserComputerWorld