Nossas avós estão certas: prudência e canja de galinha não faz mal a ninguém. Ainda mais no tumultuado mundo das patentes de tecnologia.

Na verdade, só existe duas formas de você evitar problemas em um cenário tão competitivo como este das patentes de dispositivos: ou você enfrenta o processo judicial. A Samsung optou pela segunda alternativa, ao não aceitar a oferta da Apple de pagar uma cota por cada telefone ou tablet seu comercializado, o que violaria (na opinião da Apple) algumas de suas patentes. Já a Microsoft resolveu evitar problemas futuros, e pagar (de forma surpreendente) para a empresa de Cupertino os devidos direitos das patentes dos produtos.

Segundo informa a agência Reuters, em 2010, a Apple propôs para a Microsoft um acordo pelo qual a gigante de Redmond poderia fazer uso de forma irrestrida de algumas de suas várias patentes de design. Aqui, temos que deixar claro que, na prática, a Apple concedeu à Microsoft o direito da mesma poder criar tablets retangulares, com cantos arredondados, que é o motivo de toda a briga com a Samsung.

Não sabemos por enquanto qual foi a quantia que a Microsoft pagou para a Apple, nem quais são os designs que estão acordados entre as duas partes, mas sabemos que, mesmo tendo a permissão de criar produto similares, a Microsoft não poderia lançar produtos que, em seu conceito final, fossem considerados “clônicos” (em outras palavras, pode ser parecido, mas não igual). E, no caso do Surface, bastou a Microsoft colocar um sistema operacional que tinha uma interface muito diferente da adotada pela Apple para o acordo valer. E, mesmo assim, se o Surface está desligado, ele não consegue ser confundido com um iPad (ainda mais por contar com um símbolo da Microsoft em uma das bordas frontais).

Vale também o registro que a decisão da Microsoft não é algo de se estranhar, uma vez que já faz um bom tempo que a empresa de Redmond esta gastando uma boa quantidade de tempo e dinheiro licenciando algumas de suas patentes para os fabricantes de dispositivos Android. Aqui, fica clara a estratégia do “se é bom para os outros, é bom para mim”. Diante do potencial do Surface, e de toda a aposta que a empresa está fazendo, acreditando que o produto será um sucesso, dedicar algum tempo em adotar a estratégia mais pragmática e segura possível não é nenhum exagero. É prudência.

E para concluir, esta é mais uma prova entre o bom relacionamento estabelecido entre Microsoft e Apple. E isso perdura desde 1997, quando a primeira salvou a segunda do buraco financeiro (é sempre bom lembrar esse fato para alguns leitores…).