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A Netflix pegou boa parte dos seus assinantes brasileiros de surpresa, com o envio de um e-mail informando que, a partir desse mês de abril, a mensalidade dos seus serviços sofreu um acréscimo de R$ 2, passando de 14,99 para R$ 16,90. A empresa não se manifesta oficialmente sobre o reajuste, mas alguns “argumentos” listados no e-mail enviado aos usuários foram que “desde o lançamento no Brasil, mais que triplicou o número de filmes e episódios de TV” e “incluiu mais formas para assistir ao serviço em celulares, tablets, computadores e na TV”.

A decisão de aumento da mensalidade também pode estar relacionada à Ancine (Agência Nacional de Cinema), que em julho do ano passado iniciou a cobrança do Condecine, que é mais um dispositivo de arrecadação da agência que já tem grande influência na TV por assinatura brasileira (PL 116). O Condecine basicamente cobra tributos das empresas de transmissão de filmes e séries por streaming no Brasil, que é basicamente a essência do serviço da Netflix. Na época, os executivos da Netflix protestou em relação à cobrança e afirmou que poderia repassar aos seus assinantes o valor das taxas cobradas pela Ancine.

Para você ter uma ideia do que estou falando, cada filme exibido por streaming custa ao Netflix a taxa de R$ 3 mil, assim como cada episódio de série tem o valor de R$ 750, ambos para uma licença de até cinco anos de exibição para cada produção. Esse valor é mais caro do que aquele cobrado pelas programadoras de TV por assinatura (que praticam, em muitos casos, aumentos mais abusivos, com condições desfavoráveis ao assinante). A prática também deve justificar o fato da Netflix, em muitos casos, promover um “rodízio” de produções, retirando temporariamente algumas séries e adicionando outras. O acervo não aumenta muito, e os custos são mantidos, evitando assim o pagamento adicional de taxas.

O aumento entra em vigor para os novos assinantes de forma imediata. Para os antigos assinantes (que fizeram o seu cadastro na estreia do serviço no Brasil, em 2011), o aumento só entra em vigor em agosto de 2013.

O grande ponto negativo da Netflix Brasil está na sua oferta de conteúdo. São mais de 1.800 filmes e mais de 400 séries disponíveis, mas boa parte dos usuários alegam a carência de produções mais recentes. Para quem gosta de filmes e séries mais antigas ou encerradas, é um grande negócio. Porém, para as gerações que buscam as novas produções, e que estão mais íntimos da tecnologia de streaming de vídeos pela internet, a oferta se torna pouco interessante.

Por outro lado, o impacto desse aumento, medindo o “cabo de guerra” criado pelos argumentos apresentados (prós e contrários à Netflix), parece ser mínimo. A Netflix de fato investiu em soluções que tornaram o seu serviço mais acessível para um maior número de usuários, além de permitir que os atuais assinantes utilizassem várias plataformas para consumir seus vídeos. Sem falar que, mesmo sem um acervo de vídeos mais recente (que é o seu ponto negativo), é um acervo em expansão, tornando assim a relação custo/benefício ainda vantajosa, principalmente para aqueles usuários que estão cada vez mais descrentes em assinar um serviço de TV paga.

Vale lembrar que, nos Estados Unidos, na última vez que a Netflix aumentou os seus preços, eles perderam aproximadamente 800 mil assinantes, registrando a sua primeira queda em assinaturas desde o lançamento. Não sabemos qual será o impacto dessa decisão no Brasil. Vamos aguardar os próximos acontecimentos.

E você? Cancela ou continua com a Netflix?