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2016 é, definitivamente, um ano difícil para a Apple. A desaceleração do seu negócio de hardware é acentuada, e isso se torna mais sério quando mais da metade dos seus lucros depende de um único produto: o iPhone. Pelo segundo trimestre consecutivo, o produto registrou quedas nas vendas. E, dessa vez, foram dois dígitos.

A Apple apresentou os resultados financeiros do seu terceiro trimestre fiscal, correspondente ao período entre abril e junho de 2016, revelando receita de US$ 42.358 bilhões, uma queda de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. O motivo? A considerável queda em vendas de praticamente todos os seus produtos.

 

Vendas do iPhone caem de novo, e Apple não consegue se recuperar

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O iPhone segue em queda livre de vendas.

Desde sua apresentação em 2007, o produto nunca apresentou quedas nas vendas. Agora, pelo segundo trimestre consecutivo, o dispositivo registra esse movimento decrescente no volume de aquisições, vendendo 40.4 milhões de unidades no último trimestre, com receita de US$ 24.048 bilhões. Uma queda de 23% nas receitas em relação ao ano anterior.

Vale a pena ressaltar que o preço médio do iPhone caiu para a faixa de US$ 595 nesse trimestre, impulsionado pelo lançamento do iPhone SE. No mesmo trimestre de 2015, esse preço médio era de US$ 662. Ou seja, a queda de vendas não é por causa do preço, mas sim uma falta de interesse geral pelo produto.

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iPad supera as expectativas, e beneficia a Apple na bolsa

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Praticamente todos os produtos da Apple registraram quedas nas vendas em relação ao ano anterior, mas a empresa já estava preparada para isso. Suas expectativas de vendas eram muito reservadas, e os analistas de Wall Street esperavam um cenário pior. Por incrível que pareça, com todas as más notícias, as ações da gigante de Cupertino subiram 5% nas operações depois dos dados anunciados.

Outro fator que ajudou foi o surpreendente aumento de receitas do iPad, com o primeiro aumento depois de oito trimestres consecutivos de quedas, com vendas de 9.9 milhões de unidades. Ainda é um volume 9% menor que o mesmo trimestre do ano passado, mas com receita de US$ 4.876 bilhões, um aumento de 7% em relação ao ano passado.

Mac em baixa, mas os serviços crescem impulsionados pelo Apple Pay

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Sobre o Mac, vemos uma queda de 11% nas unidades vendidas, e de 13% na receita, com 4.2 milhões de unidades para US$ 5.239 bilhões em vendas. O principal motivo é a ausência de novos computadores anunciados em 2016, o que fez com que grande parte dos consumidores fiquem esperando para atualizar os produtos.

Por outro lado, nesse trimestre o Apple Pay salvou o segmento de Serviços, com um aumento de 19% na receita, impulsionado por um crescimento de 405% nos usuários do sistema de pagamentos móveis, além de um aumento na receita da App Store e do iCloud.

Na categoria Outros Produtos (Apple TV, Apple Watch, Beats, iPod e acessórios), a queda foi de 16% (US$ 2.219 bilhões), e é difícil saber o que aconteceu, já que a Apple não entra em detalhes. Porém, um recente estudo da IDC mostra que o Apple Watch teve uma queda de vendas de 55%, e isso pode explicar tudo.

Um futuro incerto para a Apple

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Durante o discurso para os investidores, Tim Cook e Luca Maestri revelaram detalhes do que podemos esperar para o próximo trimestre da Apple.

De acordo com Cook, “o iPhone SE foi um sucesso sem precedentes”, esgotando seu inventário em várias regiões, com um aumento de 30% nas migrações do Android para o iPhone.

Sobre o futuro, Cook destacou que a realidade aumentada pode trazer novas e emocionantes experiências, mas são os desenvolvedores precisam ter a última palavra, já que a Apple trabalhará com eles, e só vai oferecer as ferramentas necessárias para o desenvolvimento.

Questionado sobre os rumores do próximo iPhone – enfatizando que, se tudo o que foi visto até agora se cumprir, a Apple estaria em sérios problemas pela falta de inovação -, Cook se limitou a dizer que não comenta sobre futuros dispositivos.

Por fim, Maestri lançou uma projeção com reservas para o próximo trimestre, revelando que a tendência de queda vai continuar, algo óbvio quando um produto como o iPhone representa hoje 57% da receita de uma empresa do tamanho da Apple.

Via AppleBusiness Insider , MacRumors