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A Apple apresentou ontem (09) o seu iPad Pro, tablet de grande formato pensado para os profissionais. Especulado por anos, tudo indica que foi Steve Jobs que freou o seu desenvolvimento, por não gostar de um tablet muito grande e de canetas stylus, além de temer uma canibalização do iPad e dos seus portáteis MacBook Air.

Mas tudo muda nesse mundo, e cinco anos depois do lançamento do iPad original, temos esse novo tablet, que chega para cobrir uma lacuna que a Apple não tinha nada para oferecer ao se negar a lançar MacBooks com telas touch. Com o iPad Pro, eles pretendem competir com o segmento onde os PCs com Windows, tablets premium e conversíveis 2 em 1 dominam a preferência.

Nesse segmento, o Surface Pro 3 é um bom representante. Superado o fiasco do Windows RT (algo que teria resultado a saída de Steve Ballmer como CEO da Microsoft), eles conseguiram encontrar o ajuste fino no dispositivo que quer ser ‘o substituto dos computadores portáteis’, com um híbrido potente, versátil, atraente, bem conectado, compatível com os aplicativos x86 e com uma tela que equilibra produtividade e mobilidade.

Sem falar que, na mesma semana que o iPad Pro chega ao mundo, o Surface terá o suporte de gigantes do setor, como Dell e HP, abrindo as portas para a chegada de um Surface Pro 4, com o mesmo conceito, mas com a evolução dos processadores Intel Skylake e Windows 10.

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Então, vem a pergunta: o iPad Pro é alternativa ao Surface Pro 3, ou eles realmente são muito diferentes, apesar do mesmo foco, design e objetivos?

Vamos tentar responder a esta e outras perguntas a seguir.

 

Tela e resolução

O iPad Pro tem uma tela levemente maior no tamanho ou resolução, com 12.9 polegadas (contra 12 do Surface Pro 3) e 2742 x 2048 pixels (contra 2160 x 1440 pixels). São telas excelentes para qualquer usuário.

 

Chipset

Aqui começam as grandes diferenças e a dificuldade de avaliar as duas opções, já que elas utilizam arquiteturas diferentes. A Apple aposta no ARM do novo SoC A9X de 64 bits e co-processador de movimento M9, prometendo grandes avanços no desempenho e gráficos, mas sempre comparado com os iPads já lançados. Já a Microsoft oferece chips Intel Haswell Core i3, i5 e i7.

 

Chassi e autonomia

Os dois tablets utilizam materiais premium. A Apple aposta no alumínio, e a Microsoft usa o magnésio. O iPad Pro é mais fino e leve que o Surface, com 0,69 cm de espessura e 713 gramas de peso. Também possui maior autonomia declarada (10 horas). Será menos que isso no uso real, mas é o aspecto onde a Apple tem a maior vantagem em relação à Microsoft, que precisa melhorar o Surface nesses pontos.

 

RAM

A Adobe chegou a anunciar que o iPad Pro tem 4 GB de RAM mas a Apple não confirma e nem revela a quantidade exata, enquanto que o Surface Pro 3 oferece 4 GB ou 8 GB de RAM. A Apple otimiza o sistema para trabalhar com o seu hardware, prometendo avanços no multitarefa com a tela dupla. Mas aqui é inegável que o potencial do Surface Pro é infinitamente maior.

 

Armazenamento

O iPad Pro está disponível apenas nas versões com 32 GB ou 128 GB, enquanto que o Surface Pro pode ser encontrado nas versões com 64, 128, 256 ou 512 GB em SSD.

 

Conectividade

A Apple oferece uma única porta Lightning, contra uma porta USB 3.0, outra mini DisplayPort e slot microSD do Surface. Os dois incluem WiFi 802.11 ac e Bluetooth 4.0 de série, além de banda larga LTE opcional.

 

Câmeras

O iPad Pro oferece uma câmera frontal (720p) e câmera traseira de 8 megapixels, enquanto que o Surface Pro integra dois sensores de 5 megapixels. Um aspecto pouco importante para as fotos, sendo mais útil para videochamadas.

 

Acessórios

Apesar das críticas de Jobs, um tablet focado na criação e produtividade precisa de um conjunto de acessórios. Para isso, o iPad Pro tem a Apple Pencil, uma caneta stylus que custa US$ 99, enquanto que a Microsoft inclui uma caneta no kit padrão do Surface Pro. Também temos a smart keyboard, base com teclado da Apple que custa US$ 169, mais cara que a Type Cover da Microsoft.

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Sistema operacional e Aplicativos

O mesmo dito no item dos processadores serve para o sistema operacional. O iOS funciona perfeitamente nos dispositivos da Apple, mas é um sistema operacional móvel. Conta agora com o Microsoft Office e os apps da Adobe, além dos aplicativos empresariais da IBM, facilitando assim a sua entrada em empresas.

Já o Surface Pro 3 pode utilizar o Windows 10, e explorar todo o seu potencial com o grande leque de aplicativos na plataforma x86. O suporte multitouch limitado no Windows 7 foi muito melhorado no Windows 8, e está pleno no Windows 10.

 

Preço

iPad Pro e Surface Pro 3 custam o mesmo nas suas versões básicas: US$ 799. A partir daí, o modelo da Apple recebe um adicional do teclado e da caneta, enquanto que a Microsoft só cobra um a mais pelo teclado.

Nos EUA, o modelo top de linha do iPad Pro com 128 GB de armazenamento e LTE + Apple Pencil + Smart Keyboard custa no total US$ 1.347. Por esse preço, você pode comprar um Surface Pro 3 LTE Core i5, com 8 GB de RAM e 236 GB de SSD. Ou seja, a Microsoft oferece uma melhor relação custo-benefício, sempre levando em conta todos os aspectos que já mencionamos nesse post.

 

Conclusões

Os dois produtos são muito atraentes, mas é impossível indicar um vencedor claro. As diferenças na arquitetura de hardware, sistema operacional e aplicativos são grandes.

Os usuários da Apple que buscam algo mais do que o iPad Air oferecem vão escolher o iPad Pro, e os usuários adeptos do Windows vão apostar no Surface Pro 3 ou outras alternativas (Lenovo Yoga Pro, HP ElitePad), até mesmo o Samsung Galaxy Note Pro com Android, para quem busca um tablet premium e não tanto profissional.

A Apple cobre com o iPad Pro um espaço aberto pelo iPad Air e MacBook Air, mas ainda há muito mercado para o ecossistema Windows, ainda mais com um Surface Pro 4 a caminho. Talvez o novo tablet canibalize parte das vendas do Air, que já era utilizado nas empresas.

Mas ainda é tudo muito especulativo. Só o tempo vai dizer o que vai acontecer.